Sabado, 19 de Outubro de 2019 - 09:45 (Polícia)

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VÍDEO MOSTRA TRABALHADORES QUEBRANDO COLUNAS DE PRÉDIO MINUTOS ANTES DO DESABAMENTO

Imagens mostram estruturas do prédio caindo e pilares com concreto retirado pelos operários. Desabamento deixou seis mortos e sete feridos; 4 pessoas estão desaparecidas


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Vídeos gravados por câmeras do circuito interno de segurança mostram trabalhadores fazendo reparos nas colunas do Edifício Andrea, em Fortaleza, minutos antes do prédio desabar no dia 15 de outubro. Nas imagens obtidas pelo G1 aparecem os engenheiros e trabalhadores contratados pela síndica do prédio para fazer uma reforma no imóvel. Poucos instantes após o início das obras, o prédio de sete andares desmorona e deixa mortos e feridos.

Além dos trabalhadores, a síndica Maria das Graças Rodrigues, 53 anos, também surge no vídeo acompanhando os trabalhos. Ela é uma das pessoas que estão desaparecidas sob os escombros do edifício.

Veja como foi a movimentação no prédio antes do desabamento:

•9h54: um dos trabalhadores começa a quebrar um dos pilares do prédio.

•9h55: o homem recebe orientações de dois engenheiros.

•9h56: o operário usa ferramentas para retirar o concreto da coluna.

•9h57: a base coluna fica bem fina, quase sem concreto, enquanto o trabalhador continua batendo com as ferramentas.

•9h58: os engenheiros retornam ao local e orientam novamente o operário.

•9h59: moradores transitam pelo estacionamento durante os trabalhos.

•10h08: uma grande estrutura, o que aparenta ser um reboco, cai da parede na entrada do edifício.

•10h09: os engenheiros vão observar o que aconteceu no local.

•10h27: o cimento de partes das paredes continuam caindo.

•10h28: engenheiros e a sindica observam o que acontece na entrada do prédio.

•10h28m38s: a síndica retornam ao estacionamento do imóvel e não é mais vista.

O retorno da síndica Maria das Graças ao estacionamento acontece poucos instantes antes do imóvel desabar, por volta as 10h30. Em outro vídeo, que mostra o desabamento, é possível perceber o momento em que ela é atingida pela estrutura do prédio. Maria das Graças é uma das pessoas que ainda não foram localizadas pelos bombeiros.

O engenheiro técnico apontado em documento como responsável por reforma e proprietário da empresa Alpha Engenharia, José Andreson Gonzaga dos Santos, disse à polícia que iniciou as obras no prédio no último dia 15 de outubro. No entanto, moradores afirmaram que a reforma começou no dia 14 de outubro, um dia antes da tragédia.

“Eu ainda reclamei daquele serviço. O cara descascou todas as colunas. Cinco colunas. Quando ele foi mexer no pilar principal, deu um papoco e os ferros estouraram, e o prédio desceu” afirma Paulo Bezerra Martins, morador do primeiro andar do edifício Andrea.

Segundo o engenheiro, a obra para recuperação dos pilares e das vigas do condomínio foi orçada no valor de R$ 22.200. Ele afirmou à polícia que os pilares estavam com as ferragens com nível alto de corrosão. No momento do acidente, Andreson e os funcionaram estavam no condomínio, mas não chegaram a ficar sob os escombros.

O que se sabe até agora

•Edifício Andrea desabou às 10h28 do dia 15 de outubro

•Até a última atualização desta reportagem, havia 6 mortos, 7 resgatados com vida e 4 pessoas desaparecidas

•O prédio ficava no cruzamento na Rua Tibúrcio Cavalcante com Rua Tomás Acioli, a cerca de 3 quilômetros da Praia de Iracema, região turística da capital cearense

•A prefeitura disse que a construção do prédio foi feita de maneira irregular e ele não existia oficialmente, mas o G1 localizou o registro do imóvel em um cartório da capital: a existência do edifício é conhecida desde 1982

•Testemunhas contaram que o edifício estava em obras

•Vídeo mostra que as colunas de sustentação estavam com situação precária

•Ruas no entorno do edifício foram bloqueadas e sete imóveis próximos ao local do desabamento foram interditados

Edifício construído em 1982

De acordo com o documento ao qual o G1 teve acesso, o edifício foi averbado pela Imobiliária Alpha, com registro dos 13 apartamentos e da cobertura em 6 de abril de 1982. A reportagem não conseguiu contato com a Imobiliária Alpha.

Conforme o documento, cada apartamento possuía área privativa de 136,44 metros quadrados e uma área comum de 28,86m². Apenas a cobertura, que era o apartamento nº 701, tinha uma área privativa maior, de 172,20m² e uma área comum de 36,51m². A área total do terreno foi registrada com 681m².

Fonte: 015 - Mceara

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