Sexta-Feira, 14 de Fevereiro de 2020 - 11:06 (Geral)

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VALE A PENA PARTICIPAR DO CONCURSO INTERNACIONAL DE REDAÇÃO DE CARTAS?

Você consegue imaginar um aluno ou aluna de Porto Velho ou do interior ser vencedor estadual, nacional e mundial?


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Por Moisés Selva Santiago

Os mais velhos costumam dizer: quem não arrisca, não petisca. Esse sentido de petiscar vai muito além de conseguir uma pequena recompensa, pois os prêmios anuais do Concurso Internacional de Redação de Cartas são bem atraentes e compensadores. Depois de oito anos envolvido com essa atividade realizada pelos Correios em todo o território nacional, posso afirmar que as centenas de moças e rapazes que participaram do certame ganharam a experiência de que vale a pena tentar. Você consegue imaginar um aluno ou aluna de Porto Velho ou do interior ser vencedor estadual, nacional e mundial? O que faz essa ou esse adolescente conseguir se destacar em meio a tantos outros e receber os prêmios?

Em Rondônia, a lista de vencedores do concurso é grande, mas vou destacar alguns vitoriosos e vitoriosas. Em 2014, Weverton Silva, da EEEM Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, em Nova Brasilândia do Oeste, venceu em 1º lugar. Nesse mesmo ano, Etel Bitencourt alcançou o 3º lugar e foi parabenizado pelo então diretor do Colégio Tiradentes da Polícia Militar de Rondônia, coronel Marcos Rocha, hoje governador do estado. Em 2015, a carta escrita por Leonardo Silva Brito venceu a etapa estadual, venceu a etapa nacional e ficou em 3º lugar no mundo, concorrendo com mais de um milhão e meio de cartas de mais de 80 países. Leonardo era aluno da Escola Estadual Carlos Drummond de Andrade, em Presidente Médici, e conquistou a atenção da mídia nacional por seu carisma e simplicidade. Ele disse que sua vitória foi uma "ação coletiva" que envolveu os pais dele, o diretor da escola e os professores, e isso levou o pequeno município de Presidente Médici até a Suíça onde acontece a solenidade de premiação internacional, na sede da União Postal Universal, que promove o concurso em quase todos os países do mundo.

Em 2016, venceu a carta escrita por Laura Ramos, aluna da EEEFM Pioneira, em Teixeirópolis, distante quase 400 km da capital. Em 2017, lamentavelmente tivemos menos de dez inscrições e pelo regulamento internacional Rondônia não participou. Em 2018, foi a vez de Maria Santos vencer, da EEEF Chico Mendes, em Cabixi, a mais de 800 km de Porto Velho. E em 2019, Jemys Silva ficou em primeiro lugar. Ao saber da vitória, Jemys agradeceu aos professores da EEEFM Orlando Bueno da Silva, em Pimenta Bueno. E aqui está um detalhe: Leide Santos, mãe do aluno que alcançou o 2º lugar, foi a professora de Jemys; ou seja, ambos os alunos premiados foram influenciados positivamente por essa professora, cujo exemplo igualmente merece respeito. Ao saber dessas conquistas, Leide confessou: "Ver os dois no pódio [o aluno e o filho] fez com que eu derramasse algumas lágrimas de alegria, orgulho e gratidão. Fiquei duplamente feliz. Sentindo-me vitoriosa como professora e como mãe."

Pais, avós, tias e irmãos mais velhos que separam um tempo de atenção e carinho para ajudarem na educação dessas meninas e meninos. Escolas localizadas em áreas rurais que, carecendo de melhores equipamentos, dão asas à criatividade de diretores e diretoras. Exército Brasileiro que investe na qualidade das escolas, reformando iluminação, banheiros, telhado, piso, quadras. Professoras e professores que bravamente insistem no ideal diário de formar cidadãos, porque acreditam na educação como alicerce do Brasil. Pais e empresários locais que investem tempo e esforços para melhorarem o ambiente das escolas. Polícia Militar que coopera na segurança dessas crianças, formando uma barreira contra a droga e outros crimes. Adolescentes que se fazem respeitar mesmo sendo vistos como diferentes pelos outros. E isso porque decidem se inscrever num concurso, concorrendo com milhões de outros jovens ao redor do mundo, acreditando que também podem ser vencedores. Afinal, quem não arrisca, não petisca.

Fonte: Assessoria

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