Segunda-Feira, 09 de Dezembro de 2019 - 19:51 (Colaboradores)

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LIVRE

UM OLHAR SOBRE PARAISÓPOLIS

A politização por óbvio rende votos, mas é apenas um ponto e o problema tende a ficar bem maior...


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A impagável dívida social brasileira pendurada na crença de que grupos sociais formados pelos pobres de qualquer etnia, afrodescendentes, indígenas e todos os que precisam receber do estado o auxílio para complementar a sobrevivência devem ter mais direitos que obrigações, ajuda-nos a beber, tragar e traduzir Paraisópolis.

Oriundada divisão da Fazenda Morumbinos anos 50, Paraisópolis cresceu como toda favela: um gueto esquecido pelo estado, política compulsória de moradia do nordestino que fugia da seca, do negro a quem se negava a cidadania plena e tornando-se campo ideal para o jogo do bicho, depois comércio de drogas, recrutamento de jovens para o tráfico e espaço para a ação de milicianos.

Onde nada é proibido, tudo é permitido e o morador da favela, o que produz – que é a grande maioria –, passou a viver sem o estado, mas refém de bandidos no seu espaço. Somem-se aos movimentos sociais gerais, a leniência, a permissividade e o caldo está pronto. A apatia do estado gerou os arrastões, bondes, pancadões, o fechamento e bloqueio de ruas e comércio, além do comércio de bens monopolizado por milícias. Tudo é comum e viralizou com as redes sociais. A ação desordenada da polícia militar no caso Paraisópolis ou tantos outros Brasil afora,tem raízes antigas. Hierarquia e disciplina são a base do PM (art. 144 da Constituição). O soldado é preparado para combater um inimigo, mas este inimigo não existe. O tal “inimigo” é brasileiro com direito constitucional de se reunir até num “pancadão” onde ocorrem abusos e crimes como soe.

O conflito é previsível e continuará existindo e pior, cada vez mais acirrado. Dados do jornal Estadão mostram que as denúncias sobre os pancadões feitas à PM de São Paulo aumentaram 78% no período entre 2014 e 2018 e só no ano passado pularam de 29,3 mil para 52,1 mil/ano, tendo em média 142 registros. Como ajustar e ponderar? De um lado a sociedade que rejeita o pancadão, do outro os “pancadeiros” e “funkeiros” de todos as tribos e bem no meio o estado. Em 2017 Alckmin, regulamentou a lei sobre sons automotivos para impedir os pancadões e de cara confrontando o veto de Haddad em 2014 de que disse ser o funk “uma expressão legítima da cultura urbana jovem”, deixando de lado a obrigação de manter a ordem e não “perturbar o sono de quem precisa acordar cedo”. Em 2016 Dória disse que “a cidade é um lixo vivo, que o pancadão é um cancro que destrói a sociedade e que é administrado pelo PCC”. A politização por óbvio rende votos, mas é apenas um ponto e o problema tende a ficar bem maior...

O tema foi lançado no México pelo ex-presidente Mujica do Uruguai, mas será abraçado pelos“narizes de prata”. Por coincidência a “aspiração” surgiu na presença do ex-da Bolívia, Evo Morales, com notória ligação com os plantadores de coca. O Brasil que combate o fumo, é leniente com álcool, discute plantio de maconha para fins medicinais e pode se encantar com a possibilidade de liberalizar a cocaína, ou em outras palavras, o devastador crack. Ocorre que os custos de saúde, segurança e educação para programas a jovens em situação de risco recaem sobre o cidadão comum que paga impostos. E não há recursos para suprir todas as demandas pelo SUS ou órgãos de segurança, inclusive a “Geni da vez”, a PM. A equação não fecha.

Enquanto isto, a horda de zumbis maltrapilhos e os sacis com seus cachimbos de pedra tomam conta das cidades. Imaginem um pancadãodubaráio estilo“free drug & open bar”...

Leo Ladeia
[email protected]hotmail.com

 

Fonte: Leo Ladeia/NewsRondônia

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