Quinta-Feira, 31 de Janeiro de 2019 - 12:12 (Meio Ambiente e Ecologia)

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SAIBA O QUE É O INVERNO AMAZÔNICO E POR QUE O AMAZONAS VIVE A ESTAÇÃO 'PECULIAR'

Por ser um fenômeno relacionado à movimentação de massas de ar em torno da linha do equador, esta zona é conhecida também como equador climático, ainda segundo informações de Filizola.


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O amazonense costuma dizer que em Manaus existe apenas duas estações no ano: verão e calor. Mas, brincadeiras à parte, a população está curtindo o clima ameno na capital, que inclui pancadas de chuva durante o decorrer do dia. As chuvas e os dias nublados nesse período são característicos do Inverno Amazônico, que ocorre entre dezembro e maio, em estados do Norte.

O Portal entrevistou em especialistas que falaram sobre o inverno amazônico, suas características e peculiaridades. De acordo com o professor Naziano Filizola, doutor em hidrologia e geologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a questão do chamado inverno amazônico é uma denominação popular para o período de grande intensidade pluviométrica (chuvas) nas regiões.

“É assim chamado porque, em função das chuvas ocorrerem de forma intensa e frequente, geralmente de janeiro a março (podendo variar um pouco além), há uma tendência de a sensação térmica ser amenizada em relação aos demais períodos do ano, acompanhada de uma 'leve' redução na temperatura média do período”, contou.

Filizola afirma que, por ser uma denominação popular, não há uma definição técnica do "inverno" Amazônico. "O que é preciso para entender o fenômeno é saber que neste período a região Amazônica está sob forte influência de uma zona de convergência de umidade, a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). Esta zona de convergência, materializa na atmosfera a região de encontro das massas de ar carregadas de umidade que são trazidas para a área equatorial pelos ventos alísios que vêm tanto de sudeste (do hemisfério sul) quanto de nordeste (do hemisfério norte) do planeta", disse.

Por ser um fenômeno relacionado à movimentação de massas de ar em torno da linha do equador, esta zona é conhecida também como equador climático, ainda segundo informações de Filizola.

O chefe da Divisão de Meteorologia do Centro Regional do Censipam e Manaus (CR-MN), Ricardo Dallarosa, explica que a localização do Amazonas, próximo ao equador, leva o estado a ter apenas duas estações.

"Devido à região se encontrar próximo ao equador, a variação da posição solar sobre ela é pequena, o que não acontece nas latitudes temperadas, onde o sol descreve um movimento bastante distinto entre diferentes períodos do ano. Nesse caso, observamos que os verões apresentam um dia solar (foto-período) mais longo que a noite, e situação inversa no inverno. Essa diferença do foto-período entre as estações é maior quanto maior for a distância em relação ao equador", afirmou.

E depois do inverno amazônico, o verão começa de imediato? O meteorologista do grupo Rede Amazônica, Gustavo Ribeiro, afirma que não. Ao Portal Amazônia, ele informou que, entre os períodos, a Amazônia tem as estações de transições, que duram aproximadamente dois meses entre eles.

"Seria algo equivalente as estações da primavera e outono. E lembrando, como a região Amazônica é extensa, as estações chuvosas e seca não acontecem na mesma época, isto é, quando é período chuvoso nos estados do Amazonas, Acre e Rondônia, é período seco em Roraima", contou.

Prejuízos

Para o Dallarosa, o grande problema das chuvas no Amazonas é o prejuízo para a população, principalmente os que habitam áreas de risco, como morros e igarapés. "O inverno amazônico é responsável pela elevação nos níveis dos rios, causando transbordamentos e inundações. Lembramos que as cidades na Amazônia Ocidental se localizam, via de regra, junto às margens dos rios e, portanto, podem sofrer com tais processos. Grandes alagamentos ou inundações tendem a produzir necessidade de deslocamento de animais e pessoas para áreas mais elevadas, com prejuízos materiais (econômicos) e problemas de saúde pública nas populações atingidas", destaca Dallarosa.

Fonte: Diego Oliveira, Portal Amazônia/Agência Pará

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