Segunda-Feira, 14 de Outubro de 2019 - 15:11 (Cidades)

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QUATRO DÉCADAS DEPOIS, AGÊNCIA BANCÁRIA TAMBÉM CELEBRA PUJANÇA DE ARIQUEMES

Desde 2013, Ariquemes está entre as 25 cidades brasileiras para se empreender comercialmente e na agropecuária


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Uma novidade: segundo dados do Anuário Mineral Brasileiro, Rondônia ultrapassou o Amazonas  na produção anual do minério do estanho (cassiterita), conquistando o primeiro lugar (mais detalhes no final da matéria).

Voltando à história: a primeira árvore para o surgimento da vila Nova Ariquemes foi derrubada por um trator em 11 de fevereiro de 1976, com a presença do governador Humberto da Silva Guedes. A antiga vila, na rodovia BR-364, ex-29, era conhecida por Vila Velha.

O prefeito de Porto Velho, arquiteto Antônio Carlos Cabral Carpintero, havia determinado a transferência da sede do distrito às margens do rio Jamari, onde atualmente se localiza o bairro Marechal Rondon, para outra localidade próxima à rodovia, onde instalou a cidade planejada dividida em setores: Institucional, Industrial, Comercial e Residencial.

O coronel Guedes negociava a ocupação das novas áreas com o coordenador regional do Incra, capitão da Aeronáutica Sílvio Gonçalves de Faria. Às vezes o coronel Guedes encontrava dificuldades em ordenar seus projetos, noutras solucionava-os com rapidez. Eram dois temperamentos diferentes, duas visões diante de problemas idênticos como foram a construção de cidades.

O jornalista Ciro Pinheiro, então assessor de imprensa de Cabral Carpintero, conta que houve tentativa de se extinguir o vilarejo pioneiro de casas de madeira cobertas de palha, cortado ao centro pela rodovia. “Mas os moradores, quase todos nordestinos, permaneceram na área que também foi incluída no plano urbano”, lembra. Eram descendentes daqueles do segundo ciclo da borracha e das ruínas da instalação do posto telegráfico do marechal Cândido Rondon.

“Carpintero atendeu a um pedido socorro da vila de Ariquemes, cuja totalidade da população estava com malária, mas ele já tinha planos para melhorar as condições do distrito”, recorda Ciro Pinheiro, naquele período assessor do prefeito.

O surto de desenvolvimento da região acelerado pela cultura do cacau no Projeto Burareiro, supervisionado pela Ceplac, levou o prefeito e seu assessor a visitarem a vila, um lugar sem estrutura suficiente para absorver centenas de famílias de migrantes que chegavam a toda hora.

“O prefeito Carpintero, que antes morava em Brasília e nunca havia visto um problema de tamanha dimensão, impressionou-se”, conta Ciro. “Na volta a Porto Velho, ele convidou o governador Humberto Guedes para uma visita, pois assim ele sentiria a real necessidade de providência imediata, e não era mais possível esperar”. Guedes foi.

 “Com menos de uma semana topógrafos, engenheiros e operários da Prefeitura de Porto Velho e do Incra já estavam no mato escolhendo o local apropriado para a nova cidade, entre o rio e a rodovia, que ainda era de cascalho”, conta Ciro.

“Na Prefeitura, o prefeito e sua equipe de técnicos, entre os quais o engenheiro civil Sebastião Valladares [depois prefeito], elaboraram numa pequena sala o projeto da nova cidade, destacando-se a Avenida Capitão Sílvio. O homenageado morreu com quatro cruzes de malária na Clínica Santa Helena, em Porto Velho, no dia nove de outubro de 1978.

Segundo Ciro, em menos de uma semana topógrafos, engenheiros e operários da Prefeitura de Porto Velho e do Incra embrenharam-se na floresta, escolhendo a área ideal para a nova cidade – “entre o rio e a rodovia, que ainda era de cascalho”. Ele se lembra que o chefe de obras da prefeitura, Eduardo Lima e Silva, seu Dudu, cuidava da equipe que se hospedou num barraco coberto com lona preta. “Abriram ruas e futuras avenidas”.

MACACOS CORRIAM NA FLORESTA, AO LADO DO BANCO

“Quando entrei no salão do segundo piso do Banco do Brasil na tarde de quinta-feira (3 de outubro) deste ano de 2019, foi como entrar na cápsula do tempo e retornar ao passado. Lá reencontrei personagens encravadas na história contemporânea de Ariquemes e de Rondônia. Meus velhos companheiros do tempo em que todos éramos iguais nos sonhos, no bolso e a política ainda não havia nos contaminado” — conta o jornalista Osmar Ferreira da Silva. 

Atualmente presidente da Associação de Imprensa de Rondônia (Airon), em 1977 ele editava o jornal O Parceleiro, que ajudou a contar a história da cidade. A pedido da Secom, ele comenta o que viu:

“Enquanto as pessoas destacadas para falar no 40º aniversário de inauguração da agência do Banco do Brasil, em 1979, eu lembrava do bando de macacos que corriam na floresta naquele local, antes do banco se instalar em terreno numa larga faixa de terra entre duas recém-abertas avenidas: a Tancredo Neves e a JK que dividiam a cidade entre os Setores 1 e 3 de um lado, e 2 e 4 do outro – todos vivendo o processo de ocupação e construção.

Os discursos prosseguiam em comemoração, também, do encontro nacional dos ex-funcionários do Banco do Brasil que, neste ano, decidiram realizá-lo em Ariquemes, para festejar juntamente com o aniversário da agência.

Enquanto os olhos e ouvidos físicos testemunhavam a factualidade, os órgãos da memória viam e ouviam outros cenários e outros sons de outros tempos.

Tempos que em que vi Lerson Sápiras e dona Magda se revezando no caixa do Mercado Corbélia, coadjuvados pelo casal de filhos, ainda crianças. Ele, mais que ela, comprando mercadorias e produtos daqui e de lá do Sul, talvez da cidade de Corbélia, no Paraná, de onde vieram para atender a avidez de migrantes como eles, que chegavam às dezenas diariamente.

Época em o hoje empresário Gilberto Miranda dividia o tempo entre o lote burareiro que ganhou do Incra e a oficina mecânica que deu origem à rede de lojas concessionárias da Ford e da Fiat, da qual é dono, com sua mulher Shirley. Ela, com formação técnica na área econômica, logo virou autoridade da Prefeitura de Ariquemes ao comandar as finanças municipais.

Ao meu lado, o médico Décio Lima,  relembrando que soube de Ariquemes através do nosso Jornal O Parceleiro que chegara a sua cidade em Minas Gerais. Ele foi o segundo contratado pelo prefeito Sales para a saúde pública municipal.

Foi o segundo médico contratado pelo prefeito do município, Francisco Sales, para compor e ajudar criar a estrutura do serviço público de saúde. Hoje, registra em livros, histórias do tempo em que a malária levou tantos. E ele e outros médicos, a exemplo de Confúcio Moura e Irani Rosique, salvaram muitas pessoas.

Volto ao tempo em que olhava o estirão da Linha C-80 da BR-421, recém-aberta através de um mutirão, organizado por Sales, rasgando as matas, fazendo estradas, e vi a casa de madeira do pastor Joel Nunes da Silva, na subida de uma colina. Ali, muitas vezes fui bem recebido.

A vida fez do pregador Joel, administrador do Núcleo Urbano de Apoio Rural (Nuar) de Alto Paraíso, vereador de três mandatos de Ariquemes, retirou-o da religião e o fez fundador do Distrito de Joelândia. E, hoje, o devolveu para a Igreja Assembleia de Deus, onde retoma a atividade pastoral. Foi para pioneiros como ele, que tantos lutaram pela instalação da agência do Banco do Brasil.

Vi ainda o seringueiro Francisco Prestes Rosa procurando o seu filho Fábio, menino de oito anos, supostamente raptado pelos Uru-Eu-Wau-Wau, em constantes escaramuças com os colonos que invadiam suas terras. Numa expedição punitiva, Prestes e parceiros mataram muitos dos primitivos habitantes.

Até que, certa vez, os índios derrubaram muitos dos invasores. Fotografei uma vítima com cerca de cinco ou seis flechas disparadas no ânus. Tempos brabos.

Finalmente, os organizadores da festividade do BB se surpreenderam ao descobrir que aquela pessoa numa foto grande no painel de imagens do banco ao lado de uma bela mulher e uma criança era aquele senhor que chegou comigo no recinto: Francisco Sales Duarte de Azevedo, então prefeito, com sua mulher Malu, cortando a fita inaugural da agência sediada numa área que ele doou e mandou limpar para a instituição financeira.

Presentes naquele ato: os secretários Zizomar Procópio (Finanças) e José Renato Frota Uchôa (Planejamento), o presidente da Associação de Crédito e Extensão Rural (depois Emater), Luiz Carlos Coelho Menezes, e o bispo diocesano, dom Antônio Sarto.

Com 107 mil habitantes, 42 anos depois Ariquemes é a terceira economia de Rondônia e orgulho dos pioneiros que ousaram enfrentar desafios”.

BOI E MINÉRIO DE ESTANHO SOBEM DEGRAUS

O comércio de Ariquemes e os serviços em geral prestados no município fortalecem a economia local. Na composição econômica, serviços ocupam 64,8% dos negócios locais; agropecuária, 15,4%; a indústria, 19,8%, conforme apuração do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Segundo a Agência de Defesa Sanitária Agrossilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron),  o município tem 489 mil cabeças de bovinos e bubalinos, situando-se em 2º na classificação; Porto Velho é o primeiro, com 1,064 milhão de cabeças. De acordo com levantamento da Embrapa, 23% do território nacional são ocupados ocupado com pastagens, aproximadamente 198 milhões de hectares, porém, a maioria  encontra-se degradada.

Os dados são referentes à 46ª Etapa de Vacinação Contra a Febre Aftosa. Em Rondônia, por exemplo, estima-se que 70% das áreas de pastagem estejam com algum grau de degradação e uma das alternativas para a reforma, recuperação ou renovação de pastagens é por meio do sistema de integração Lavoura-pecuária-floresta (iLpf), ou suas variantes, onde temos um exemplo em Rondônia no município de Porto Velho que vem adotando esta prática, servindo de exemplo aos demais.

Há dados que ainda não estão atualizadas nas estatísticas, especialmente na área mineral: Rondônia superou o Amazonas na produção de minério de estanho (cassiterita), a maior parte extraída em lavras garimpeiras de Ariquemes. Das 16,8 mil toneladas da produção bruta de minério de estanho (cassiterita) no País, 9,09 mil  (5,7 mil de estanho contido) são de Rondônia, conforme dados do Anuário Mineral Brasileiro, que pesquisou os anos-base 2017 e 2018. Rondônia passou o Amazonas, que alcançou 6,01 mil.

Fonte: Francisco Rodrigo/Newsrondonia - Secom

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