Quarta-Feira, 25 de Setembro de 2019 - 10:28 (Curiosidades)

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1944: Anne Frank termina seu Diário que se tornaria o documento vivo dos horrores do Nazismo.


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Quem foi Anne Frank?

Annelies Marie Frank (12 de junho de 1929 – fevereiro de 1945) foi uma adolescente alemã de origem judaica, vítima do Holocausto. Ela se tornou uma das figuras mais discutidas do século XX após a publicação do Diário de Anne Frank (1947), que tem sido a base para várias peças de teatro e filmes ao longo dos anos. Nascida na cidade de Frankfurt am Main, na República de Weimar, viveu grande parte de sua vida em Amsterdã, capital dos Países Baixos, onde perdeu sua cidadania alemã. Sua fama póstuma deu-se graças aos documentos em que relata suas experiências enquanto vivia escondida num quarto oculto, ao longo da ocupação alemã nos Países Baixos, durante a Segunda Guerra Mundial.


Cópia das páginas do diário original no Centro de Anne Frank, localizado em Berlim, onde se empenha na luta contra ações antissemitas.

Em 1933, com a ascensão dos nazistas ao poder alemão, começaram a ocorrer manifestações antissemitas, o que fez com que a família de Frank, dentre muitas outras, temessem o que aconteceria com eles desde então. No ano seguinte, mudaram-se para Amsterdã, onde viveram uma vida normal por seis anos, sobrevivendo com as empresas do pai de Anne. Em 1940, quando os nazistas invadiram os Países Baixos, a população judaica foi perseguida e proibida de frequentar diversos locais. Dois anos depois, a família decidiu se esconder em compartimentos secretos de um edifício comercial; dividindo-o com mais quatro pessoas. Próximo do fim da guerra, o grupo foi traído misteriosamente e transportado para campos de concentração. Anne e sua irmã, Margot Frank, foram levadas até o de Bergen-Belsen, onde morreram, provavelmente, de tifo epidêmico, num dia desconhecido de fevereiro de 1945.

Com o fim da guerra, o único sobrevivente foi o pai de Anne, Otto Frank, que retornou a Amsterdã e descobriu que o diário da filha havia sido salvo por Miep Gies, a mesma que o ajudou escondendo a família em um edifício. Após muito esforço, seu pai conseguiu publicar o diário, e, desde então, é um dos livros mais traduzidos do mundo. Foi lançado também um filme biográfico da adolescente, sob o título The Diary of Anne Frank (1959). Aclamado pela crítica, foi vencedor de três Oscars. O museu, Casa de Anne Frank, foi inaugurado em 3 de maio de 1960, e em 2013 e 2014 atraiu mais de 1,2 milhão de visitantes. Anne também foi imortalizada com uma estátua de cera no Museu Madame Tussauds, além de ter sido considerada pela revista Time um ícone do último século.

O DIÁRIO DE ANNE FRANK

Em julho de 1945, depois da Cruz Vermelha confirmar a morte das irmãs Frank, Miep Gies deu a Otto Frank o diário e um maço de notas soltas que ela havia guardado para devolvê-los a Anne. Otto comentou, mais tarde, que ele não tinha percebido que Anne estava mantendo um registro tão preciso e bem escrito no tempo em que viveram escondidos. Em seu livro de memórias, ele descreveu o doloroso processo de ler o diário, reconhecendo os eventos descritos pela filha e recordando que ele já tinha ouvido alguns dos episódios mais divertidos lidos em voz alta por ela. Ele também diz ter visto o lado mais privado de Anne em seções do diário que ela não falava para ninguém. "Para mim, foi uma revelação. Eu não tinha ideia da profundidade de seus pensamentos e sentimentos. Ela guardou tudo para si", completou Frank. Movido pelo desejo que sua filha tinha em ser uma autora, ele começou a considerar em publicá-lo.

O diário de Anne começou como uma expressão particular de seus pensamentos; ela escreveu diversas vezes que ela nunca iria permitir que alguém tivesse acesso a ele. Ela candidamente descreveu toda a sua vida, sua família, seus companheiros, sua situação durante a Segunda Guerra Mundial, além de sua ambição em escrever uma ficção para ser publicada. Em março de 1944, ela ouviu em uma transmissão de rádio por Gerrit Bolkestein — membro do governo neerlandês no exílio —, onde ele diz que quando a guerra terminasse, ele iria recolher provas escritas do povo neerlandês em relação à opressão que haviam sofrido durante a ocupação nazista e iria publicá-los. Frank então decidiu submeter seu trabalho quando chegasse este momento, começando a editar a sua escrita, removendo algumas seções e reescrevendo outras, visando pelo momento de publicação. Ela também criou pseudônimos para os membros do Anexo Secreto e seus ajudantes. A família van Pels se tornou Hermann, Petronella e Peter van Daan, enquanto Fritz Pfeffer se tornou Albert Dussell. Em sua versão editada, ela dirige cada uma das partes de seu diário à "Kitty", uma personagem fictícia da série de livros Joop ter Heul, escritos por Cissy van Marxveldt, que adorava ler. Assim, Otto usou seu diário original, conhecido como "versão A", e sua versão editada, conhecida como "versão B", para produzir uma primeira versão para a publicação. Além disso, ele removeu certas passagens, notadamente aquelas em que Anne é extremamente crítica em relação ao comportamento de seus pais (especialmente sua mãe), além das seções que discutiam a crescente sexualidade de sua filha. Embora tivesse restaurado a verdadeira identidade de sua própria família, ele decidiu manter os pseudônimos dos outros companheiros de esconderijo.

Otto Frank deu o diário para a historiadora Annie Romein-Verschoor, que tentou, sem sucesso, publicá-lo. Ela decidiu entregá-lo a seu marido, Jan Romein, que escreveu um artigo sobre ele, intitulado "Kinderstem", publicado pelo jornal de Amsterdã, Het Parool, em 3 de abril de 1946. No mesmo, ele escreve que o diário "gaguejou em uma voz de criança, incorporando toda a hediondez do fascismo, mais do que todas as provas juntas de Nuremberg". Seu artigo atraiu atenção de diversas editoras, e o diário foi publicado nos Países Baixos como Het Achterhuis em 1947, seguido por mais cinco edições em 1950. A primeira vez que foi publicado na Alemanha e na França foi em 1950, e depois de ser rejeitado por diversas editoras, foi publicado no Reino Unido e nos Estados Unidos em 1952. O diário foi bem-sucedido nos países em que foi lançado, exceto no Reino Unido, onde falhou em atrair atenção do público. Seu sucesso mais notável foi no Japão, onde foi recebido com aclamação da crítica e vendas estimadas em 100 mil unidades na primeira edição. No país, Anne Frank é identificada como uma figura que representa a destruição da juventude durante a guerra.

Um roteiro adaptado por Frances Goodrich e Albert Hackett do diário foi lançado como uma peça teatral em Nova Iorque, no dia 5 de outubro de 1955, cuja mesma venceu ao Prêmio Pulitzer. Em 1959, um filme baseado no livro, The Diary of Anne Frank, foi recebido com aclamação da crítica e sucesso comercial, sendo vencedor de três Oscars. A biógrafa Melissa Müller escreveu que a dramatização "contribuiu muito para a romantização e universalização da história de Anne". Ao longo dos anos, a popularidade do diário cresceu, e em muitas escolas, particularmente nos Estados Unidos, foi incluído como parte da grade escolar a introdução da história de Frank para as novas gerações de leitores. Em 1986, o Instituto Neerlandês de Documentação de Guerra publicou a "edição crítica" do diário. Nela, inclui comparações de todas as versões conhecidas, ambas editadas e inéditas. Além disso, inclui uma discussão afirmando a autenticação do diário, bem como informações históricas adicionais sobre a família e o próprio livro.

Cornelis Suijk — ex-diretor da Fundação Anne Frank e presidente do Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos — anunciou em 1999 que ele possuía cinco páginas que haviam sido removidas por Otto Frank antes da publicação do diário. Suijk alegou que Frank deu essas páginas para ele pouco antes de sua morte, em 1980. Nas folhas arrancadas do diário continham observações críticas de Anne sobre o casamento forçado de seus pais e a falta de afeto que sentia por sua mãe. Houve controvérsia quando Suijk reivindicou direitos de publicação sobre as cinco páginas, tendo intenção de vendê-las para arrecadar dinheiro para sua fundação. O Instituto Neerlandês de Documentação de Guerra, o proprietário formal do manuscrito, exigiu que as páginas fossem entregues. Em 2000, o Ministério da Educação, Cultura e Ciência dos Países Baixos concordou em doar cerca de 300 mil dólares para a fundação de Suijk, e as páginas foram devolvidas em 2001. Desde então, elas foram incluídas em suas novas edições.

Fonte: Wikipedia

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