Sexta-Feira, 08 de Fevereiro de 2019 - 12:18 (Colaboradores)

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O BRASIL QUE A GENTE NÃO QUER - POR ALICE THOMAZ

Alguns descobrem novos objetivos, outros param no tempo e no espaço.


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Amanhecemos nesta sexta com mais uma tragédia estampada nas manchetes dos noticiários on line. Desta vez, pelo menos, dez adolescentes, talvez entre 14 e 17 anos, perderam a vida. Eles foram vítimas de um incêndio que aconteceu no Centro de Treinamento do Flamengo, mais conhecido como Ninho do Urubu, na região Oeste do Rio de Janeiro. Outros três foram retirados do local, pelo Corpo de Bombeiros, ainda com vida e estão hospitalizados.

Quem são estes meninos que buscam uma carreira em uma das profissões mais ilusórias do nosso país? Quem nunca conheceu um garoto que fez de tudo para chegar pelo menos perto de um desses Centros de Treinamento dos grandes clubes? Qual o tratamento dispensado a estes sonhadores? Será que eles recebem o melhor do clube? Alimentos, acomodação, atenção psicológica e etc?

Nunca estive em um Centro de Treinamento de Base para formação de atletas, mas imagino que não seja o local mais nobre dos clubes, tipo a sala de visita. Mas já tive contato com mães de meninos que sonharam um dia ser um grande jogador de futebol e o que elas contam não é lá grande coisa. Algumas informações na mídia davam conta de que as imagens,  publicadas nas primeiras horas, no local funcionava um depósito. Será? Depósito serve pra tudo, o que presta e o que é inservível. Mas quem vai responder sobre isso será a Perícia do Corpo de Bombeiros. Voltemos às vítimas.

Pois é, como ia dizendo, a clientela desses Centros de Treinamento, em geral dos que optam por morar no local, são meninos pobres, ou  não tão pobres assim que deixam suas casas a centenas de milhares de quilômetro em busca de um sonho. Todos têm algo em comum: ser um grande jogador, quiçá o melhor; vestir a camisa dos grandes clubes do Brasil ou do exterior e fazer parte do escrete da Seleção Brasileira. Sonhos completamente compreensíveis e aceitáveis, mas muitas vezes eles precisam passar por situações de grande tristeza e até humilhação e a maioria acaba voltando pra casa, decepcionado com o futebol.

Mas para aqueles dez meninos não houve sequer tempo para finalizar o sonho. Foram surpreendidos pela morte cruel. Talvez tenham despertado atordoados com a fumaça e sido por ela sufocado, talvez não. Quem vai saber? Suas famílias agora choram não apenas a perda de um ente querido, mas lamentam a possibilidade de um dia mudar de vida, de ter sonhos realizados. Ainda não sabemos de onde eles eram, mas certamente de muitos lugares do nosso Brasil. Pena que tudo tenha terminado assim. 

 

 

 

 

Fonte: Alice Thomaz - NewsRondônia

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