Domingo, 14 de Junho de 2020 - 10:27 (Colaboradores)

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O BATIZADO DO BOI AZ DE OURO DE PVH QUE QUASE ACABOU EM TRAGÉDIA!

Hoje os grandes grupos, utilizam em suas apresentações, Bandas musicais com todo tipo de instrumentos e efeitos especiais, o que proporciona mais visibilidade, mas, deixa de lado a tradição ou a verdadeira brincadeira de Boi Bumbá.


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O Auto do Boi Bumbá praticado em Porto Velho  (RO), até bem pouco tempo, tinha como uma de suas tradições, o Batizar o Boi até o dia de Santo Antônio 13 de junho, essa prática anda um pouco esquecida, já que a brincadeira se carnavalizou quer dizer, o negócio foi mais pro lado do espetacular, com grandes alegorias e com uma estrutura musical muito mais bem elaborada.


Hoje os grandes grupos, utilizam em suas apresentações, Bandas musicais com todo tipo de instrumentos e efeitos especiais, o que proporciona mais visibilidade, mas, deixa de lado a tradição ou a verdadeira brincadeira de Boi Bumbá.


Isto posto, vamos para o verdadeiro motivo da nossa história de hoje, que versa sobre o que aconteceu comigo, durante o Batizado do Boi Bumbá Az de Ouro no ano de 1994.


Breve história do Az de Ouro - O Az de Ouro nasceu em 1991, tendo como principal fundador o folclorista Nonato Guedes e sua esposa dona Dorinha e apesar de à época, eu não ter ingressado no Boi da Floresta, participei da sua criação, ao ceder (na época eu era presidente da escola Pobres do Caiari) a pedido do Iran Brito Mendes os instrumentos e sobras de tecidos da escola para o Nonato colocar o Boi na arena.



Bom, em 1991, ainda brinquei pelo Boi "Tira Teima" grupo ao qual pertencia desde o ano de 1986.


Em 1992, passei para as fileiras do Az de Ouro e passei a dividir com Nonato, o posto de Amo do Boi além de passar a ser um dos compositores das toadas, posto que também era exercido pelo presidente Nonato Guedes e depois pelo seu filho Lissinho.


No Az de Ouro introduzimos uma série de inovações na brincadeira em Porto Velho como, a utilização de instrumentos de harmonia Cavaquinho, Banjo e Teclado com os músicos Audizio, Walcir Nonato e Médice (1993).


Foi o "Az de Ouro" o primeiro Boi-Bumbá de Porto Velho a montar uma banda de toada, "Encanto da Floresta" quando o ritmo estava no auge tendo inclusive, tocado na abertura do show do Arlindo Júnior do Caprichoso de Parintins no "Bar do Boi" que funcionou por algum tempo no Clube Ypiranga.


O Batizado quase tragédia - Na realidade, apesar do Az de Ouro até então, não ter vencido nenhum título de primeiro lugar no Arraial Flor do Maracujá, seus ensaios eram considerados os melhores de Porto Velho e em consequência, a praça da avenida Campo Sales no bairro Floresta recebia grande público todas as noites, nos meses Maio/Junho.


Antes de iniciar a história do "Batizado quase tragédia", temos que lembrar, que naquele ano (1994), fomos convidado  a assistir o Batizado do Boi Corre Campo que aconteceu, na Baixa da União no curral montado num terreno ao lado do Bar Canta Galo na Rogério Weber.


O ritual foi comandado pelo Amo Paulinho Rodrigues e o Contra-Amo Ventania.


Acontece que no momento que Paulinho deu início ao ritual do Batismo, um cidadão (não revelarei seu nome, porque ficamos amigos de verdade anos depois), muito "chapado" (embriagado),  entrou no "Curral" e passou a distratar o Amo do Corre Campo, coisa que não admiti, e também entrei na arena e consegui tira-lo do curral e do ambiente onde estava acontecendo o Batizado.


Na outra semana, aconteceu o Batizado do Az de Ouro e o Nonato pediu que eu comandasse o ritual, enquanto ele recebia dos convidados especiais.


Com o Az de Ouro coberto em cima de uma mesa, comecei o ritual do batismo, orientado por ninguém nada menos, que o grande Amo Augusto Queixada.


"Fogo na campina ta se queimando, Boi Az de Ouro está se batizando". De repente, percebo um tumulto na rua que fica por trás da praça da Floresta, era um tal de:


"Segura ele, não deixa ele ir pra lá ...", e eu aqui sem saber do que se tratava, continuava o ritual: "Batiza os caboco, ao som da viola, se for para guerra vai com Nossa Senhora".


A confusão continuava na rua de trás e eu 'nem seu sousa'.


Quando finalizei o ritual do Batizado e mais tarde a festa, perguntei ao Nonato o porquê daquela confusão e ele me disse:


"Aquele cara que você tirou do Batizado do Corre Campo, veio com uma faca peixeira dizendo que ia te matar ali na praça. A gente conseguiu dominar o cara, que realmente estava botando fogo pelo nariz". Nossa Senhora, Nonato, muito obrigado!


Com o ´passar dos anos, eu e o cidadão que queria me matar, ficamos amigos de verdade.


Agora, que escapei fedendo, não tenho dúvidas!


Histórias dos Bastidores da brincadeira de Boi Bumbá em Porto Velho!

Fonte: Zé Katraca - NewsRondônia

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