Sexta-Feira, 09 de Novembro de 2018 - 14:29 (Geral)

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JUDICIÁRIO DE RONDÔNIA PRESERVA RIQUEZA DA HISTÓRIA REGIONAL EM DOCUMENTAÇÕES

O Centro de Documentação Histórica está em novo espaço na avenida Brasília


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Um espaço que guarda riquezas de valores inestimáveis. No Centro de Documentação Histórica (CDH), há uma diversidade de narrativas que estão registradas em centenas de documentações, algumas delas deixam encantado qualquer historiador, principalmente as que foram escritas à mão, o que traduz numa fonte que auxilia o entendimento da história regional, num viés jurídico, possibilitando com isso o acesso à memória histórico-institucional do Poder Judiciário de Rondônia (PJRO).

Quem visita o CDH garante um passeio pela história, aprende como se deu a evolução do Judiciário no Estado de Rondônia e ainda tem a oportunidade de conhecer diversos casos curiosos da época do Território Federal. Ao adentrarmos ao primeiro cômodo do Centro, de um total de seis, já se inicia uma viagem na corrente do tempo ao nos depararmos com um obsoleto aparelho de Telex, exposto, utilizado pelo PJRO até o final da década de 80, o qual fora doado pela família Bouchabki de Rio Branco, Acre.

A infraestrutura do centro comtempla a existência de um laboratório com máquinas que são utilizadas para o trabalho de higienização e desinfecção de documentos que sofreram, ao longo do tempo, ataques de micro-organismos. A equipe formada por três servidores desenvolve um dedicado e meticuloso trabalho visando à preservação e manutenção desses documentos.

Difusão à pesquisa

Como todo centro que se preza, o Tribunal de Justiça conta com um espaço reservado exclusivamente a pesquisadores que se debruçam em pesquisas nas áreas como História, Teatro, Linguagem, Arqueologia, Sociologia, dentre outras. Diversas pesquisas puderam se concretizar no mundo acadêmico, algumas delas tanto na esfera regional quanto internacional.

Uma pesquisa focada em uma abordagem simbólica sobre o funcionamento da prisão está sendo desenvolvida pelo estudante de graduação em Arqueologia, José Júnior de Souza Pinho, pela Universidade Federal de Rondônia, em que o acadêmico lança mão da corrente teórica da Arqueologia Pós-processual, também conhecida como Arqueologia Interpretativa.

Esse trabalho, ainda em execução, conta com o subsídio do CDH e investiga aspectos relacionados a levantamentos arqueológicos realizados na área onde funcionou a Prisão da Ilha de Santo Antônio no período da Ditadura Militar.

O foco é uma abordagem simbólica sobre o funcionamento da prisão em que José comenta, num tom de orgulho, algumas de suas descobertas. “A minha pesquisa demonstra comportamentos da sociedade porto-velhense naquele período. O interessante do centro é que você encontra uma infinidade de dados; lá eu pude enriquecer ainda mais a meu estudo”, revelou.

Dramaturgia

Uma outra pesquisa que conseguiu ser concretizada, com o apoio do CDH, vem da área da dramaturgia, o que resultou no espetáculo teatral “Mulheres do Aluá”, cujo roteiro foi baseado em sete processos de mulheres condenadas entre 1910 a 1930, todas vítimas do pensamento-homem, em um ambiente desfavorável à mulher do passado na Amazônia. Trata-se de uma pesquisa que direciona o foco, à luz da Arte Cênica, para a compreensão da relação de gênero e o universo feminino.

O capixaba Chicão Santos, radicado há 42 anos em Porto Velho, que atua como ator, produtor e diretor teatral, explica como foi o desafio para consolidar a escrita dramatúrgica. “Foi um processo rico e importante da história dessas mulheres, que, por meio da dramaturgia, ganharam o direito à fala. Um outro aspecto importante foi a dimensão que esse trabalho ganhou em várias cidades brasileiras. Somos muito gratos pelo trabalho do CDH, que foi essencial para existência desse espetáculo”, afirmou.

Internacional

O trabalho do CDH já ultrapassou as fronteiras nacionais, contribuindo com a obra In Search of the Amazon: Brazil, the United States, and the Nature of a Region (Em busca da Amazônia: Brasil, os Estados Unidos e a natureza de uma região), do pesquisador Seth Garfield, ligado ao Departamento de História da Universidade do Texas. O livro analisa as redes formadas por instituições, pessoas, objetos e fenômenos no Brasil e EUA, durante o período da Segunda Guerra Mundial, que favoreceram uma série de processos formadores da paisagem amazônica e os modos de vida na região. Para o desenvolvimento do livro, o autor visitou diversos acervos de algumas cidades da Amazônia, entre elas Porto Velho. Foram consultados jornais da época, publicados em várias cidades, boletins e revistas de serviços ligados à borracha, trabalhos científicos de diversas áreas do conhecimento, entrevistas com migrantes nordestinos, processos criminais e cíveis, correspondências pessoais de homens e mulheres envolvidos na exploração da borracha na década de 40.

A diretora do Centro de Documentação Histórica do Poder Judiciário, a historiadora e doutora em Ciências Sociais, Nilza Menezes, dona de inúmeras publicações na área de história, inclusive com estudos e pesquisas desenvolvidas a partir dos processos do Judiciário rondoniense, destaca a importância do serviço oferecido à sociedade. “Embora saibamos que não é primordial para o Judiciário, o serviço, desde 1999, contou com o apoio da instituição. O centro serve como uma construção da história e está para servir à sociedade e, principalmente, no caso, para o Estado de Rondônia, que é tão carente de documentação histórica. Nós temos pouquíssimos espaços que permitem pesquisas, mas esse é um que o Judiciário rondoniense mantém e fico muito feliz quando as pessoas nos procuram, porque elas rompem com uma série de questões ao pesquisarem nas documentações, permitindo, assim, um olhar amplo sobre a sociedade, sobre a cultura local, além das atividades da Justiça”, frisou.

Nova Sede do CDH

O Centro de Documentação Histórica (CDH) está funcionando em novas instalações para receber a população de Porto e de municípios da região. O horário de atendimento é das 8h às 13h e das 16h às 18h. O CDH fica localizado na Rua Brasília, nº 2468, entre as Avenidas Carlos Gomes e Duque de Caxias, Bairro Olaria. As visitas são previamente agendas. Para mais informação, basta ligar no telefone (69) 3217 – 1353.

Fonte: 010 - Assessoria de Comunicação Institucional

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