Sabado, 14 de Setembro de 2019 - 20:03 (Geral)

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FAMILIARES DA IDOSA ASSASSINADA EM ABUNÃ LAMENTAM A DEMORA DAS INVESTIGAÇÕES, APÓS UM MÊS DO CRIME

O problema é que a informação vazada tem deixado apreensivos os moradores de Abunã, que dizem que o local tem se transformado em cenário de crimes sem solução.


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Um mês após o assassinato da evangélica Ângela Cortez de Moraes, 68 anos, ocorrido na noite do dia 10 de agosto, muita coisa em torno do crime ainda precisa ser esclarecida.

A família que desde o episódio vem lutando desesperadamente para por os possíveis criminosos na cadeia tem esbarrado na burocracia. E o pior, na lentidão dos trabalhos investigativos pela Polícia.

Como se não bastasse, à instituição estaria com apenas dois policiais, e ameaça fechar as portas. A informação sobre o fechamento foi repassada pelo próprio delegado local aos parentes da vítima.  

“Eu te pergunto: como vai ficar o caso da minha avó? Vai para onde? Não sabemos se será uma pessoa que vai realmente acompanhar desde do início, ou se vai acompanhar. Não foi um crime de vingança. É isso que eu não consigo entender. Mataram a minha avó, maltrataram ela por longos minutos”, relata a neta da vítima Erica Cristina.

Para os parentes, caso a delegacia venha a fechar os processos que exigem a apuração dos crimes ocorridos naquela região de Porto Velho que compreende os trabalhos da delegacia, poderão ser transferidos para outras instituições, o dificultaria e atrasaria ainda mais as investigações.

Na quarta-feira (11) a informação do fechamento da Delegacia e da morte da idosa foi levada ao governador Marcos Rocha (PSL/RO).

Assim que soube, Rocha mandou chamar o secretário adjunto de Estado da Segurança Pública Hélio Gomes Ferreira para que tomasse ciência da problemática.

O chefe adjunto da pasta enfatizou que “o fechamento da Delegacia de Polícia Civil de Nova Mutum Paraná é, por enquanto um estudo, não estaria oficialmente nos planos da Sesdec/Ro”. O problema é que a informação vazada tem deixado apreensivos os moradores de Abunã, que dizem que o local tem se transformado em cenário de crimes sem solução.

“O que ocorreu com a minha avó é um crime bárbaro, a gente como família não consegue aceitar, mas sociedade tem que entender. O que ocorreu cominha avó é passível de acontecer com qualquer pessoa. Com uma criança. É passível de acontecer comigo com outras pessoas. Eu apelo para o governo, para a Secretaria de Estado da Segurança Pública.  São 31 longos dias que não tem fim”, lamenta.

Questionado sobre o crime da idosa, o secretário recorreu à instituição a qual comanda e deu os seguintes esclarecimentos. De acordo com ele, as investigações estão em curso. Amostra de material colhido na cena em que ocorreu o assassinato está em analise e deverá ser entregue pelo laboratório, até está semana para que outras medidas possam ser tomadas e a investigação avance.

Enquanto isso em Abunã a família de Ângela Cortez de Moraes não tem duvidas de que os assassinos que mataram a idosa estão vivendo tranquilamente com a certeza da impunidade.

“A cada dia que passa a gente se sente mais longe de resolver quando deveria acontecer o contrário. Quanto mais os dias passassem, mas deveriam avançar as investigações”, exige.

No dia, 28 de julho,  Ângela Cortez de Moraes foi achada morta dentro do quarto em que ela dormia. O corpo teria sido encontrado por volta das 3 horas da manhã, a idosa já estava rígida  e sem as roupas intimas. A posição do corpo, segundo  a neta, era a mesma de uma mulher em trabalho de parto com as acima da cabeça, como se alguém a tivesse segurando. O que comprova a informação? Marcas rochas nos dois pulsos.  Olhos também estavam bastante machucados.  

“O que dói é que a gente ver que a nossa vida está andando. A vida das pessoas continuam, mas da minha avó foi ceifada totalmente e covardemente. Acho que nem um animal merece passar pelo que minha avó passou, uma pessoa que não oferecia risco para ninguém. Isso dói. Eu apelo para a segurança público do nosso Estado. Sei que o nosso país é falho na justiça, mas que haja uma investigação uma resposta para nossa família não porque é a minha família, mas porque somos cidadãos”, lamenta a neta da vítima.

A perícia declarou que tem quase sem 100% a certeza que ÂNGELA CORTEZ DE MORAES foi estuprada. No chão do quarto a centímetros da cama, os investigadores encontraram uma quantidade superior de sêmen. Outro detalhe foi a parte intima interna da vítima que indica pelos machucados ter sido penetrada por mais de uma pessoa. A família tem certeza de que os assassinos estão próximos da cena do crime. As evidências que levam a isso, são informações desencontradas.

“Ali era um cenário que tinha mais de uma pessoa, inclusive tinha marcas de pegadas de pé na por onde o “assassino” fugiu. Os braços da minha avó estavam roxos”. Essa própria pessoa teria relatado o crime para familiares próximos. Ele é vizinho a minha avó. “Essa pessoa sabia da fragilidade que a cada tinha”, suspeita.

Um vizinho de Ângela também idoso foi o primeiro a declarar que ela estaria morta, porém no momento em que o homem comunicou o fato para uma das netas da vitima, (ele não tinha visto o corpo e nem poderia ter levantado tal hipótese. A menos de que já soubesse algo). Essa é uma das indagações feitas pelas netas de Ângela.

Ainda baseando em informações, momentos que antecedem o crime, a idosa Ângela Cortez de Moraes chegou em casa por volta das 10 horas da noite, ela retornava de um culto próximo da residência dela. Antes de entrar em casa, Ângela teria passado na residência de uma vizinha para levar uma fatia de bolo que havia trazido da congregação. Após isso, ela foi para casa sendo encontrada por volta das 3 horas da manhã morta em cima da própria cama.

“Ela tinha sonhos. As pessoas acham que só porque ela era uma senhorinha não tinha sonhos. Ela tinha muitos sonhos. Nessa noite teve um culto e ela deu um testemunho, disse que estava muito feliz por está conseguindo dinheiro para viajar para São Paulo onde iria visitar o neto que moravam com ela”, informa.

A Polícia Militar foi chamada. Segundo a família os policiais que atenderam a ocorrência, de imediato descartaram que a morte da idosa teria ocorrido por um crime, mas tudo indicaria que ela teve morte natural, o que a família descartou desde o inicio.

A lista do principal suspeito recai sobre um vizinho, o rapaz seria usuário de drogas. Um dos conhecidos que costumava andar com o rapaz chegou a procurar a família para informar, o homem havia convidado alguns amigos para roubar à idosa.  Na conversa o nome de Ângela foi mencionado.  

“Eles já estão se denunciando completamente. A partir do momento em que você contrata um advogado para que fale em prol deles, pois até então são suspeitos. Não existiria a necessidade de contratar um advogado se eu não estiver equivocada para defender algo que eles não fizeram”, suspeita.

O rapaz que fez a acusação é este da foto. Ele está preso por roubo. Familiares de Ângela lamentam a morosidade do rumo que tem levado as investigações, que até o momento não conseguiu apresentar qualquer indício que incriminasse o principal suspeito de cometer tal atrocidade com a idosa.

Fonte: Emerson Barbosa / NewsRondônia

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