Sabado, 02 de Fevereiro de 2019 - 09:59 (Geral)

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DEPOIS DE 70 ANOS, SOLDADOS DA BORRACHA PODEM TER DIREITOS RECONHECIDOS NO GOVERNO BOLSONARO

De pronto, o então presidente Franklin Roosevelt, voltava os olhos aos seringais amazônicos face à produção exagerada do látex na Amazônia Ocidental


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Porto Velho, RONDÔNIA – Os soldados da borracha sempre foram uma preocupação para os governos do Pós-Guerra (1939-45). A maior delas ainda hoje continua a tirar o sono e o sossego do poder público e político no País, especialmente, desde os anos 1988 quando a parte de direitos civis, sociais e políticos e sociais foram restabelecidos com o retorno a normalidade democrática.

Ato contínuo, no início dos anos 1940 os norte-americanos, com a guerra declarada contra a Alemanha Nazista, “se preocuparam com a obtenção de matéria-prima ao redor do mundo”. De pronto, o então presidente Franklin Roosevelt, voltava os olhos aos seringais amazônicos face à produção exagerada do látex na Amazônia Ocidental

Getúlio Vargas presidente - com os Estados Unidos envolvidos diretamente na Guerra e apresentando problemas para recompor o estoque de matéria-prima à indústria pneumática e temendo essa não caísse nas mãos de Adolpho Hitler – fez com que o governo brasileiro encampasse, por força do Acordo de Washington, a convocação e recrutamento de nordestinos atraídos através de campanhas massivas no Nordeste.

- O presidente norte-americano temia que a produção de matérias-prima dos países não envolvidos na guerra fossem fornecidas para a Alemanha Nazista, afirmou o presidente do Sindicato dos Soldados da Borracha e Seringueiros da Amazônia (SINDSBOR), José Romão Grande, 96 anos.    

Romão compôs a leva de nordestinos convocados, recrutados e treinados pelo então Ministério da Guerra (1940-42) cujo intercessor das contratações no sertão e agreste nordestinos, respectivamente, foi o Serviço Especial de Trabalhadores Para a Amazônia (SEMTA). Foi um órgão criado como parte dos Acordos de Washington.

A finalidade primeira desse órgão foi o alistamento compulsório (convocação), treinamento e assegurar o transporte de cidadãos nordestinos para a extração da borracha nos seringais amazônicos objetivando fornecer o látex para os países aliados durante a Segunda Guerra Mundial, principalmente no Pará e Amazonas, completou o presidente doSINDSBOR.

De acordo o líder dos soldados da borracha e seringueiros amazônicos, “nós, aqui, tínhamos a missão de enfraquecer a resistência do III Reich e do FünherAdolpho Hitler (O Líder), fornecendo o látex aos Estados Unidos, lutando na selva contra a malária, animais selvagens e até sendo assassinados por seringalistas. “A luta foi feroz, igual a dos combatentes no front contra os nazistas, o fascista Benito Mussolini e o Império Japonês”, ele recorda.

Caminhando pelas trilhas do Parque Circuito nessa Capital, ao lado de outro pioneiro da defesa da preservação e conservação do acervo histórico, cultural, patrimonial, artístico e arquitetônico de Porto Velho, José Bispo de Morais, 86, Romão Grande, 96 – recrutado aos 18 anos pelas tropas do Exército Getúlio Vargas, na cidade de Parnaíba, Piauí – “fomos convencidos a manter longe as exportações do látex distantes da Alemanha Nazista e da Itália Fascista, revelou ao lembrar, contudo, “dos que vieram, apenas cerca de cinco mil ainda podem está vivos na Amazônia, no Rio de Janeiro ou esquecidos em pontos distintos da Amazônia”.

Daqui de Rondônia e Acre, como dos demais estados amazônicos, saíram centenas de milhões de toneladas de borracha através dos nossos rios a Manaus e Belém (balsas, jangadas, chatas e navios a vapor) aos portos de embarque da Américas Latina até à indústria pneumática dos norte-americanos e européias, aponta Romão. Segundo ele, “as exportações do látex foram contribuir para o estoque de matéria-prima dos aliados”.

Indignado ao lembrar que viveu e presenciou a morte de companheiros que se embrenharam nos seringais, muitos dos quais sem ao menos saber cortar seringa, José Romão Grande, dessa maneira viu as primeiras ações indenizatórias pedidas a sucessivos governos cuja luta se arrasta nos tribunais desde a promulgação da Constituição de 1988 e só agora apresentarem resultados plausíveis com a intervenção da diretoria do Sindicato da categoria.

- Quando nos atraíram nos venderam o céu, a terra e que nos iam nos colocar nos seringais com todo o conforto, com aviamento de roupas, calçados, comida, além de soldos (salários) e benefícios em condições de igualdade aos que combatiam na guerra, assinala o líder dos soldados da borracha.


Três Caixas D'Águas,onde soldados da borracha e ferroviários se reuniam

Ele lembrou, na ocasião, de um acordo assinado entre o governo de Getúlio Vargas e o presidente do Export Import Bank, Warren Pierson, no Rio de Janeiro, em que o Brasil se comprometia a vender matérias-prima e produtos considerados estratégicos em caráter exclusivo. Lúcido, ele se recorda, por ser o único do grupo letrado (sabendo ler e escrever) ouvia rádios e conversas trazidas de Belém (PA) e de Manaus (essa, à época, a Meca do Período Áureo da Borracha na Amazônia), onde se falava muito que “o governo norte-americano pagaria pelo esforço de guerra feito pelos soldados da borracha e seringueiros”.

Ao NEWSRONDÔNIA, José Romão Grande se diz confiante nas palavras do presidente Jair Bolsonaro, ditas em visita ao Acre, que “irei fazer justiça aos soldados da borracha e seringueiros da Amazônia pelo esforço que fizeram dentro dos seringais da Amazônia”. Segundo o presidente do SINDSBOR, “essa é a dívida Numero 1 que o governo brasileiro, em tempos de guerra, terá que pagar até ao fim de nossas vidas e para com nossos heróis cujos nomes estão inscritos no Panteão Nacional, em Brasília”, ele arrematou.

 

 

 

Fonte: Xico Nery - News Rondônia

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