Sexta-Feira, 13 de Dezembro de 2019 - 21:20 (Geral)

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COBRANÇA POR MATERIAL ESCOLAR REVOLTA PAIS E RESPONSÁVEIS DE ALUNOS DO COLÉGIO TIRADENTES DE PORTO VELHO

Medida causou diversas denúncias no Ministério Público, que vai investigar o caso. Com as reclamações, comandante da PM determinou cancelamento do contrato e a devolução do dinheiro.


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Felipe Corona
Especial para o News Rondônia

Revoltados, pais e responsáveis de alunos e alunas do Colégio Tiradentes da Polícia Militar de Porto Velho, localizado na Avenida Imigrantes, procuraram o News Rondônia para relatar uma suposta cobrança abusiva por materiais escolares da plataforma PH.

Segundo uma planilha apresentada pela diretoria da escola, comandada pelo capitão Jeferson Pires, que também gravou um vídeo de mais de sete minutos falando sobre os benefícios da nova forma de ensino, os valores iam de 560 (1º ano do Ensino Fundamental) a 2.230 reais para alunos do 3º ano do Ensino Médio, o que deixou muitas pessoas indignadas.

“Eu não entendo como uma escola pública começa uma ação dessa sem consultar os pais e responsáveis. Minha neta foi para o 1º ano do Ensino Médio e tivemos que pagar R$ 1.080 reais à vista, para ter um desconto de cerca de 20%. Se a gente paga parcelado, iríamos arcar com R$1.350 reais. Eu imagino a situação difícil de quem tem dois ou três filhos”, disse o avô de uma aluna que pediu para não ter a identidade revelada por medo de prejudicar a neta.

O senhor ainda vai além: disse ao News Rondônia que houve uma certa pressão para a aquisição do material didático. “Primeiro, nos disseram que quem não adquirisse as apostilas, perderia a vaga. Depois, parece que muita gente reclamou, nos informaram que quem não pudesse comprar, poderia acompanhar as aulas com quem tinha o material. Eu fico pensando como seria o ensino, como esses alunos e alunas iriam se formar sem ter acesso às informações que estão nas apostilas. Isso não vai dar certo”, desabafou o avô da jovem estudante.

Segundo outro pai de aluno, a aquisição do material didático da plataforma PH estava sendo feita de forma “obscura”: utilizando uma máquina de cartão precária, em nome de uma loja de semijóias, sem comprovante de compra em papel. “O único comprovante que chegou para mim foi uma mensagem no celular. Quem recebeu o dinheiro não foi a escola, e sim, a loja de semijoias, que nunca ouvi falar. Pedi recibo e me negaram. Só disseram que era preciso eu assinar um documento comprovando que paguei o material do fulano de tal, da turma tal. Isso não tem cabimento, pois não temos nenhuma segurança nesse processo todo”, falou ele, que também pediu para não ter a identidade revelada para não prejudicar o filho.

Ainda de acordo com este pai, até os professores foram prejudicados com a adoção da nova forma de ensino. “Alguns professores e professoras nos procuraram pedindo ajuda, pois o treinamento para a utilização dessa nova plataforma seria pago com dinheiro do bolso deles, quando o correto seria a escola pagar, já que estão arrecadando muitos recursos com a medida”.

No vídeo enviado para a reportagem do News Rondônia, o diretor da escola, capitão Jeferson Pires destaca alguns dos benefícios da plataforma PH, além dos preços que seriam “cômodos” aos pais e responsáveis. “Ano que vem, nossos filhos terão condições de entrar em um patamar de excelência, pois essa plataforma é maravilhosa”. Mais ao final do vídeo, ele diz: “Estávamos em São Paulo, quando falamos com o pessoal do PH educacional, e eles nos deram um desconto muito agressivo. À vista, o desconto chega a 20%”.

Reclamações

Em contato com a assessoria de comunicação do Ministério Público de Rondônia, o News Rondônia constatou que um procedimento foi aberto para apurar as denúncias e reclamações dos pais e responsáveis.

“A Promotoria de Educação encaminhou ofício à Seduc pedindo informações sobre essa situação, pois o Colégio Tiradentes da PM não é considerado uma escola pública, mas uma escola particular que recebe recursos do Governo do Estado. Também houve a instauração de um procedimento, uma notícia de fato, pois vários pais e responsáveis já vieram ao MP para fazer denúncias. A instituição só irá se pronunciar de maneira mais concreta, quando receber detalhes da Seduc”, informou o órgão ministerial.

Suspensão imediata

Com a repercussão negativa do fato, o comandante-geral da PM, coronel Mauro Ronaldo Flôres Corrêa, determinou a imediata suspensão da cobrança do material escolar pela diretoria do Colégio Tiradentes, no final da tarde da última quinta-feira (12). Ele também ordenou a devolução dos valores já pagos pelos pais e responsáveis.

“Senhor Diretor Geral do CTPM I, encaminho Portaria 12555 (9152759), que revoga o ato de implantação do material didático do Sistema PH de ensino, e DETERMINO a imediata suspensão de cobrança de material didático, bem como o cancelamento e rescisão de todo e qualquer contrato celebrado com a empresa mantenedora do Sistema PH de Ensino. Determino ainda o imediato cancelamento dos contratos assinados pelos pais dos alunos do CTPM I bem como a devolução dos valores ora recebidos”.

Fonte: News Rondônia

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