Sabado, 24 de Março de 2018 - 12:13 (Colaboradores)

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LIVRE

CARTAS DA JU: EU, A CASA E O MUNDO

O melhor de tudo é que o aprendizado é muito rico, diverso, com cultura e costumes diferentes de onde nascemos, seja dentro ou fora do país.


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Lavras, MG, 24  de março de 2018.

Querida pessoa, sei que nossa casa é dentro de nós mesmos, quando a gente consegue entender que não é o espaço físico exterior que conta, e sim todo o imenso, infinito espaço interior que temos a nossa disposição. Até alcançarmos isso, leva um bom tempo, tem gente que nunca consegue, eu acho que estou perto mas confesso que ainda tenho esse “apego”. A casa física, o local propriamente dito, é muito importante pra mim, e mais ainda as pessoas que compõem os cenários principais da minha vida.

Já morei em 7 estados brasileiros, incluindo a capital federal e conheço 5 países. Mudei e viajei muito e logicamente isso tem pontos bons e outros nem tanto. Meus filhos desde cedo aprenderam a não se agarrarem tanto aos amigos porque logo sentiriam sua falta. Todos eles já passaram pelo menos um ano no exterior, alguns já foram mais de uma vez.

Mas voltando a falar das minhas viagens atuais, que são fruto praticamente de férias do trabalho e, nos últimos 4 anos seguem quase o mesmo roteiro, São Paulo, Minas Gerais e, as vezes, Brasília, vou começando  a me familiarizar com as rotas, rodoviárias, aeroportos,metrôs, motoristas da praça local,horários das missas, enfim, um pouco da rotina de onde estou e, o mais importante de tudo continua sendo as pessoas.

Em Porto Velho tenho a maior parte dos meus filhos e netos, em São Paulo tenho minha filha, meu genro e minha neta (o mano, o primeiro neto, tá em temporada em Curitiba), em São Paulo ainda tenho minha sobrinha afilhada que está numa instituição cristã católica, é freira. Em Lavras tenho minha Mãe e duas irmãs com mais sobrinho, sobrinhas, cunhado.

Tenho atenção, carinho, e segurança de um tempo com guarida, comida,banho e sono garantidos (além de surpresas, presentes inesperados, novos lugares, pessoas atenciosas, gente nova, novidades,outras músicas, outros livros).

Admiro muito os andarilhos e posso comemorar que hoje já não tenho tanto apego as coisas materiais (fora comida,música,livros e internet hahaha), mas ainda preciso da proteção de uma casa. Em Sampa ou Minas tenho as chaves da porta. Em todo lugar me sinto muito bem e não me canso de agradecer, a Deus e a todos. Sou muito feliz. Acho que sou uma pessoa legal também...senão eles não iam me querer por perto... hahahah

Desejo pra você essa paz e serenidade de se sentir bem, de ser uma pessoa estimada e de ter um lugar pra ir e pra voltar.

Uma coisa muito legal de se ver (e copiar) é o sistema de lixo, tem umas caixas coletoras em forma de casinha quase em cada esquina, pelo menos nesses bairros próximos ao Butantã.Um grande caminhão com sistema de alçar a casinha pelos dois lados e recolher o lixo é incrível. Vou ver se consigo gravar pra mostrar pra você. Outro ponto super positivo é quando a pessoa pede alimentos, frutas, produtos de limpeza e higiene pelo telefone ou internet. O supermercado cumpre o horário, os produtos vem bem embalados, o funcionário que trás é bem educado, carrega toda a compra para dentro de casa, apresenta a nota, a maquininha para o cartão, fiquei impressionada. De mais de um local, tudo bem organizado e os produtos muito bem escolhidos, as frutas perfeitinhas. Lógico que o custo é mais alto, mas compensa.

Mas era sobre o celular que me roubaram que eu ia falar e me desviei do assunto. Não aqui em São Paulo, se bem que aqui também tem ladrão, e muito. Mas fiquei sem celular por conta de um assalto no fim de janeiro em Porto Velho e resolvi fazer a experiência de viajar sem o aparelhinho. Minhas sensações pessoais não tenho como descrever em tão pouco espaço, em relação ao sentimento de alívio misturado com o de não ser nada, literalmente, de ninguém poder falar com você e vice versa. Outra hora contarei sobre isso. Mas o que destaco é que hoje não podemos simplesmente ficar sem o bendito celular. Pode ser o mais normal, simples e barato, mas você tem que ter um. Nos aeroportos de Cuiabá e Brasília não tem algo como um cyber café ou um ponto de internet – se você está sem celular, poderia acessar pelo computador.

Não há também telefone público, tipo orelhão, ou daqueles pretos. Só ao chegar no aeroporto internacional de Guarulhos consegui telefonar e minha filha já havia dado umas 10 voltas pra não ter que estacionar e pagar 20 reais...

Minha dica: não fique sem celular!

Fonte: Ju Lauriano - NewsRondônia

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