Sexta-Feira, 21 de Fevereiro de 2020 - 16:55 (Geral)

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LIVRE

BATE-PAPO CARNAVALESCO

Nessa época do ano, muita gente está nas ruas. As pessoas saem dos escritórios e fábricas, deixam o balcão das lojas e o conforto de suas casas. É carnaval!


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Moisés Selva Santiago

Naquela famosa esquina, a festa estava animada. Nessa época do ano, muita gente está nas ruas. As pessoas saem dos escritórios e fábricas, deixam o balcão das lojas e o conforto de suas casas. É carnaval! Dionísio já estava sentado à mesa fazia horas, quando avistou alguém andando pela calçada, e gritou:

– Apolo, meu velho, sente-se aqui! Vamos aproveitar e dar uma boa conversada.

– Mas não podia ser diferente! Aí está você, Dionísio. Há quanto tempo não nos vemos! Você por essas bandas e eu, ocupado como sempre. Você viu o valor do dólar, o preço da gasolina e das comidas?

– Eu não quero falar de negócios, Apolo. Vamos nos divertir. Adoro o carnaval porque é tempo de diversão! É cada um por si [risadas]. Esse é o melhor tempo do ano. Veja essas multidões felizes, pulando, gritando, colocando para fora os bichos, as mágoas e as tristezas! É festa, Apolo! Alegria! Será que você consegue entender isso?

– Ainda bem que é somente por uns dias! Imagine se fosse o ano todo carnaval e quatro dias de trabalho! Seria o caos...

– Discordo, meu velho! Viva o caos! Cada pessoa tem o direito de ser feliz, o direito de seguir sua intuição, fantasiar, desejar o que quiser e quem quiser! Cada um é dono do seu próprio corpo e de sua vontade! Ouça, eu adoro essa música: "Deixa a vida me levar"!

­– Você fala somente dos direitos. E os deveres? Somos corresponsáveis pelo outro, Dionísio! Se cada um pensar somente em si, não haverá mais sociedade. Perde-se o objetivo maior de família, espiritualidade, desenvolvimento, cultura, harmonia, meio ambiente, sabedoria...

– Suas palavras são bonitas, mas não me atingem, meu nobre Apolo! Também, com tanto álcool que bebi, meu cérebro está de férias! O que importa é o ritmo. Mil fantasias, mil desejos! Ninguém é de ninguém, Dionísio! A vida passa e o que se leva? Prefiro ver as multidões felizes e erradas, do que certinhas e tristes!

– Dionísio, outra vez você está confundindo racionalidade com infelicidade, sabedoria com tristeza. Quem disse que ter objetivos e respeitar os limites traz infelicidade? E quem disse que esse povo ao seu redor, consumindo todas essas drogas e ilusões é verdadeiramente feliz? Você acha que a felicidade é...

Não deu mais para conversar. Estacionou naquela esquina um imenso carro de som. Nem gritando as pessoas se ouviam. De imediato, Dionísio levantou-se e caiu na folia. E Apolo foi embora, pensando no saldo anual que o carnaval deixa nas pessoas que ainda não aprenderam o equilíbrio de saber viver.

Fonte: 015 - Moisés Selva Santiago

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