Quinta-Feira, 03 de Novembro de 2016 - 08:39 (Colaboradores)

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LIVRE

AS REGIÕES SE COMUNICAM

O público em aproximação com as transformações do espaço em comum está em transição, de onde mora para onde ocupa.


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Um cidadão com acesso ao transporte público no entorno da cidade tem condições de chegar ao outro lado do mapa de seu espaço público. O mapa é considerado as delimitações do núcleo situado e o reconhecimento do indivíduo como ocupante comum. É gasto em média, para uma viagem do oeste ao leste do entorno de Brasília, 10 reais. Com possibilidades de integração, sem finalidade expressadas empresas de transporte ou organização urbana. Questões de vias de acesso. Duas vias interestaduais integrando Águas Lindas do Goiás a São Sebastião levam em torno de 50min a 1h30 de viagem, custando 4,75 a passagem. Só há uma linha trabalhando na rota, para transporte de 60 passageiros por lotação, ilustrando o contato entre as duas cidades mesmo com dificuldades.

O público em aproximação com as transformações do espaço em comum está em transição, de onde mora para onde ocupa. A evolução da nova geração brasiliense com a integralização entre cidade satélite e orbital transforma pequenos espaços em pulsão cultural, praças, largos, passeios, esquinas. Quatro múltiplos ângulos do quadrado nacional. Quando não esquecidos, pelo descaso do tempo ou cobertos de poeira perante o abuso sob a vulnerabilidade, zonas rurais ou extensões de centros urbanos estão mesclando siglas e setores do DF. A população candanga, conterrânea de todos os pontos do Brasil, colabora para expansão do diálogo entre comunidades.

Ceilândia abriga a “Casa do Cantador”, núcleo de cultura nordestina, símbolo da ocupação progressiva da região pelos então dispensados operários da construção de Brasília. Vindos em grande proporção dos estados nortes e nordestes do Brasil,a população de Planaltina, Taguatinga, Cruzeiro, Núcleo Bandeirante, agregam estruturalmente, o funcionamento da capital. Próprias cidades satélites do projeto de assentamento instituído na década de 60, no período da história que a republica brasileira foi comandada por Juscelino Kubistchek. Os laços civis dessa população existem por formação do espaço público. Governo apoderado do projeto inicial, e das consequências em caso de desvios no planejamento. Em certas questões, marginalização do cidadão na organização das delimitações. Em contato com registros de entrevistas com candangos na época da execução do plano de evasão de invasões (ex-moradores de Taguatinga) há descrição do não pertencimento àquelas condições de trabalho. Um senhor de criação conservadora, da zona rural do Ceará,expressa sentir-se empregado de uma instituição terceirizada, enquanto em sua terra tinha visão em primeira pessoa do poder de decisão, tomava medidas substanciais na força de trabalho. Um sentimento que se estende ao saber de onde é sua casa. Sem registros concretos do esforço na aplicação dos primeiros passos da cidade planejada, os primeiros passos que revelariam a disposição de morar e viver em Brasília. A cidade criada, a cidade comunicada.

Que relação tinha esse cidadão ao espaço? São registradas e admitidas em formas muitas vezes sem cor, sem matizes de contato, entre flutuação e parodia(z)ação,testemunhos de desvalorização e redenção do regionalismo para formatar a questão pública. Como se apresentam as faces da população? Qual o horário? Vive de quê? Volta-se a que necessidade? São questões realçadas na exposição de um instrumento fora do lugar. Sem reconhecimento.

“É evidente que em toda nossa pluralidade, permanece sempre a decisão de que só o ocidental é modelo de dever-se. O não ocidental pode apenas chegar a sub, isto é, a cumpridor de normas, executor de modelos. Quantos ao transculturalismo, não é noção que se deduza até agora da análise das diferenças concretas, mas do imaginário de uma cultura política única, fundada na utopia iluminista e liberal de uma democracia universalista.” Muniz Sodré; “Claros e Escuros”.

A problemática da comunicação nas regiões dependentes de regulação do poder público é sofrer interferência do controle social em sua discussão com suas identidades. Em efeito colateral, germinado pela própria população,o regionalismo, em seu estado puro, se restringe ao desenvolvimento da cultura sedimentada à proporção de ocupação. Caracterizado por um afastamento da condição de liberdade, ao marasmo da não relevância, característica exaltada por mediação ou ação financeira de grandes corporações.

A leitura por parte de assentados, ou refugiados, de um jornal diário. O contato com o conteúdo noticioso por parte do sujeito, antes de tudo indivíduo, portador de suas verdades e processos conceituais.

Experimentalizando a reação do leitor ao conteúdo manipulado percebe-seresquícios do fenômeno de absorção pelo agente-leitor, recolhido no seu ponto, lote de existência na perspectiva de estar participando do conteúdo da mensagem. Também nota-se presença,no caráter de interpretante, a análise do impacto do distanciamento do fato noticiadoà realidade, em processo de conscientização midiática.

O trabalho exercido por jornalistas ou pesquisadores políticos intervém junto à população contra os fatos midiáticos na atualidade, vale aqui opinião, estruturação do texto, linha editorial do veículo de comunicação ou qualquer tipo de posicionamento profissional perante o fato. As questões iluminadas pela comunicação apontam ao universalismo, mas introduz/exclui o próprio objeto de análise, o leitor, no método decomunicação em fases e setores especificados pela didática da indústria.

Ao abordarmos o ponto de vista do receptor destacado em análise, em um contexto de produção comunicacional como citado, um jornal, surgem novos meios de difusão de informação,estruturadas pela população que não reconhece no material circulado pelas grandes mídias o mesmo teor concidadão. As novas mídias surgem com dinâmicas abertas e voltadas à apuração da notícia como de interesse público, mas não tanto em caráter universal. 

Fonte: Cezar Augusto C. Silva

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