Domingo, 21 de Outubro de 2018 - 17:48 (Colaboradores)

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LIVRE

ARREBOL - POR JEFRSON SARTORI

Há no meu silêncio tantas palavras ditas, ouvidas e não ditas que antes do amanhecer foram imaginadas em diálogos mil que jamais acontecerão. Há alguém em meu silêncio que eu nunca consegui calar.


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Domingo, manhã de domingo, a luz recém saída da madrugada clareia meus pensamentos sem sentido. Faço agora um passeio vagabundo pelas ruas de meu bairro e há poucas pessoas acordadas, finjo distração para não cumprimentá-las, não quero conversar, a única ideia que me agrada é cantarolar mentalmente a canção “Ojala” do cubano Silvio Rodriguez. Há no meu silêncio tantas palavras ditas, ouvidas e não ditas que antes do amanhecer foram imaginadas em diálogos mil que jamais acontecerão. Há alguém em meu silêncio que eu nunca consegui calar.

Daquelas que a gente lê e relê, e depois de algum tempo pegamos para ler novamente e achamos tão gostoso o que a pessoa escreveu para fazer a gente feliz. Mesmo que essa carta fique no fundo de uma gaveta, que com o passar do tempo se abrirá cada vez menos. Desisto, não estou inspirado e ademais, mesmo que fosse capaz de fazer algo tão belo, não tenho para quem escrever algo assim. Mentira! A bem da verdade, tenho sim...

Ocorre que relembro hoje Aquela que foi alegria de minha vista e de minha vida, saudade alegre, prazer de sempre, clarinata matinal, doçura. Quando nos separamos foi sem mágoa – Seja feliz! Seja feliz! Dissemos isto com tanta vontade que acho que, afinal, temos sido felizes. Ah!, quando penso em outras que me dilaceraram o peito em troca de ilusões; quando penso em vós, minhas antigas amadas, agora que conheço Ela, tenho pena do que fui e do que sois, e pela primeira vez sinto-me infiel à vossa lembrança, não vos quero mal deusas que endeusei outrora, apenas sucede que sobreveio Ela. Entre tantas outras que trouxeram meu nome nos lábios e não me guardaram no coração; e as que me corroeram como ácidos (e eu sorria), as que me traçaram com suas unhas essas rugas de meu rosto; entre as que pensei terríveis e eram apenas vulgares; e as que amei de verdade e desamei devagar – entre todas, acima, casta e sublime, alegre, linda e natural, eu Te saúdo. Pela Tua risada, pela Tua beleza, Tua bondade, a graça de Teu corpo, Tua amizade necessária e dada, eu Te alcandoro e Te abençoo meu bem.

Jefrson Sartori
Outubro, 2018

Fonte: Jefrson Sartori - NewsRondônia

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