Segunda-Feira, 09 de Março de 2020 - 11:35 (Artigos)

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AGRO 4.0: INOVAR COM - E NÃO COMO - ISRAEL

Essa aproximação é essencial para o Brasil assumir a liderança das inovações da agricultura 4.0.


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*Por Alain Marques e Hélio Costa

Somos um gigante do agronegócio internacional, mas principalmente como grande exportador de commodities. E é por isso que precisamos, cada vez mais atrair startups inovadoras, como as  agtechs - empresas disruptivas que por meio da inovação impactam positivamente toda a cadeia do agronegócio. Essa aproximação é essencial para o Brasil assumir a liderança das inovações da agricultura 4.0.

E para isso, a aproximação com Israel é imprescindível, pois o país é berço das maiores inovações globais para o setor. E nós, como estamos a frente da AgVenture Hub, primeiro ecossistema mineiro de inovação para o agribusiness, demos o primeiro passo para criar uma ponte entre o mercado do agro brasileiro e Israel, com uma missão para o país organizada em parceria com a Israel Trade & Investment Brazil, do Ministério da Economia israelense, e a Ourcrowd, uma das maiores plataformas internacionais de investimento coletivo em startups.

O foco inicial é o mercado do café brasileiro, por sua importância e por estar  nas nossas origens: Varginha, cidade do Sul de Minas é considerada a capital internacional do café; e a Fundação ProCafé, reconhecida como uma das principais instituições de pesquisa do café. A Região é responsável por expressiva produção e exportação do produto. E nós viemos para somar forças e elevar o patamar das inovações no agro brasileiro. Para isso, vamos ampliar nossa rede de parceiros, focando em instituições renomadas e startups israelenses que possuem soluções inovadoras e adaptáveis ao mercado brasileiro. Israel hoje é líder mundial em inovações para a agricultura e tê-lo ao nosso lado será positivo para ambos.

Como agente de fomento ao ecossistema de inovação e empreendedorismo, estar em Israel é beber na fonte de uma cultura empreendedora desenvolvida e enraizada, e observar de perto vários pontos explicados no livro “Startup Nation” - de autoria de Dan Senor e Saul Singer -, como a importância do ensino tecnológico desde criança; massa crítica de cientistas; da formação de excelência militar e tecnológica, como a unidade de elite 8200, na qual os integrantes, desde cedo assumem grandes responsabilidades e assim ganham muito conhecimento e resiliência. E somado a isso, estão as instituições científicas e tecnológicas, dando suporte no desenvolvimento de inovações a frente de seu tempo.

Em visita aos centros de referência em inovação como o Yissum, da universidade hebraica, e o Technion podemos observar como a cultura empreendedora pode fazer toda diferença. Em reuniões de parcerias, tivemos contato com empreendedores que desenvolvem tecnologias que são tendências, como produção de carnes biológicas e de plantas; tecnologias avançadas de machine learning para tomada de decisão no campo; gerenciamento do campo em tempo real; robotização e automação na agricultura; blockchain para todo acompanhamento de grãos, etc. Em resumo vivenciamos muitas inovações disruptivas capaz de aumentar a produtividade e transformar a agricultura mundial.

Já no Global Investor Summit 2020, evento organizado pela Ourcrowd e que reuniu os principais investidores do mundo, no leaders forum, podemos observar os maiores investidores globais de venture capital e private equity, destacando a importância do go-to-market para o crescimento das startups, bem como o impacto positivo do co-investimentos na plataforma, dentro do contexto da economia compartilhada. Pra gente fez total sentido, uma vez que nos posicionamos como Hub e vamos oferecer o apoio a escala de mercado para as startups e oportunidade de co-investimento para os investidores.  Também foram apresentados cases do Ministério da Economia da Itália e da Colômbia demonstrando seus resultados no investimento em inovação, além de uma boa demonstração dos dados positivos de investimentos e ecossistema de inovação de Israel.

Nos debates voltados às Corporate Venture foram compartilhadas as experiências de grandes corporações e startups e as melhores práticas para que o processo de transformação digital e aquisição beneficie os dois lados. Reflexões que foram valiosíssimas para nós da AgVenture Hub, pois esse Benchmarking será muito importante para ajudar as instituições parceiras que fazem parte do ecossistema do Hub.

Outro ponto que nos deu certeza que nosso propósito está alinhado às necessidades do mercado foi a palestra de Saul Singer, que destacou, além dos impressionantes resultados do ecossistema de inovação israelense, a importância da cooperação para fazer inovação. A ideia é fazer COM Israel ao invés de fazer como Israel.

Depois de toda essa imersão na cultura empreendedora israelense, e de inúmeras reuniões, trazemos para casa a certeza de que a dobradinha será um casamento perfeito. Com nosso know-how em aceleração de startups, uma boa infraestrutura, que oferece acesso a fazendas experimentais e laboratórios de biotecnologia e a cultura go-to-market podemos ajudar no crescimento exponencial das startups, bem como facilitar a relação entre corporações, cooperativas e instituições que queiram ter acesso às soluções mais inovadoras do mundo na agricultura 4.0. Isto estimulará o desenvolvimento do ecossistema de inovação brasileiro, contribuindo para que o país se torne líder em inovações do agronegócio global.

*Alain Marques é Head de Investimento da AgVenture Hub, investidor anjo, foi cofundador em 2013 da Techmall, uma das primeiras aceleradoras de startups do país, Startup Brasil; e Helio Costa é Head de Inovação da AgVenture Hub, especialista em inovação, professor universitário, escritor e empresário.

Fonte: Jéssica Flausino

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