Sexta-Feira, 27 de Outubro de 2017 - 00:17 (Colaboradores)

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A MARCA DA BESTA - POR PH BENTES

Não gostamos de assumir que não conseguimos mais viver sem saber o que outro está fazendo, pensando ou comendo. O outro e suas respectivas ocupações nunca nos causaram tanta excitação e curiosidade.


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Já pararam para pensar no tempo que gastamos na Internet e nas redes sociais venerando a vida alheia? Dando likes às trivialidades de nossos amigos virtuais? De como eles são felizes, bons pais de família, bons filhos e devotos a Deus, ou de como suas vidas são tão badaladas e seus pensamentos tão eruditos e sensatos que seria quase um crime não compartilhar?

Dados da pesquisa “Futuro Digital em Foco Brasil 2015” afirmam que 45% dos brasileiros gastam, em média, mais de 650 horas por mês nas redes sociais. Imaginem quantos livros poderiam ser lidos e como aprenderíamos muito mais acerca do ser humano. Não gostamos de assumir que não conseguimos mais viver sem saber o que outro está fazendo, pensando ou comendo. O outro e suas respectivas ocupações nunca nos causaram tanta excitação e curiosidade.

Muitos cristãos falam da “marca da besta”, um possível chip que será implantado em nossa fronte, e que por meio dele seremos controlados por um governo mundial. Acho que esse tal governo já alcançou seu êxito, pois cristãos ou não, é possível ver, a todo instante, zumbis mergulhados em seus mundos. Essa tal marca não é uma tatuagem ou chip, mas uma luz que resplandece em todas as testas e desenhadas em todos os olhos das próprias bestas.

Vivemos com a paranoia do fim do mundo e, constantemente, adiamos esse evento baseado em alguma teoria conspiratória postada na Internet. O que não paramos para pensar é que nossas vidas são tão entediantes que a simples possiblidade de um apocalipse é uma das poucas emoções capazes de nos tirar da monotonia, claro, sem se esquecer do início das séries favoritas. Esse apreço pela cinematografia é um perfeito exemplo de como desejamos sempre nos projetar em outros. Damos audiência a novelas, séries e lotamos salas de cinemas, pois queremos ver aquilo que sempre desejamos ser, mas, que por nossa covardia ou leis da natureza, nunca conseguiremos.

Esquecemo-nos de quem está do nosso lado para venerar quem está dentro da rede virtual, como se essa pessoa fosse mais importante pelo simples fato de estar ao mesmo tempo distante. Portanto, podemos concluir que o outro importa sim, desde que este esteja longe, um perfeito exemplo de como desejamos sempre o que é de fora, o longínquo, o inalcançável, talvez porque estamos sempre em fuga de nós mesmos. Preferimos aparentar o que não somos para competir com o outro sobre quem é mais feliz, mais sábio, mais bonito.

Agora, peço licença a Descartes, pois pensarei cartesianamente. Viver significa sempre estar desejando. Repare bem. Estar vivo biologicamente significa manter um metabolismo, ou seja, produzir energia enquanto se come ou respira, além de evoluir e se reproduzir. Portanto, viver significa constantemente desejar respirar, comer, transar e buscar conhecimento com alguma finalidade específica. Quando paramos de desejar é porque já estamos mortos. Todos os nossos desejos são dependentes de outrem, seja para se alimentar, fuder ou aprender. No entanto, a quem direcionamos nossos desejos é o ponto que quero chegar. Não saciamos mais nossas vontades e necessidades por causa de nós, mas no que o outro irá concluire replicar.

Pense naquelas pessoas que postam fotos suas em academias e de como seus físicos evoluíram. Se malhar fosse realmente uma necessidade pessoal ou de saúde, a maioria, se não todas, não mostrariam seus resultados e progressos, pois é frustrante e vergonhoso afirmar que está “fora de forma”. Acreditem, elas querem ficar saradas para você, pois seus likes são como drogas. Elas desejam ser ovacionadas por iniciarem uma empreitada em busca do “corpo perfeito”, e querem que você acredite na humildade delas. Você é um juiz de nossa era.

Uma pesquisa realizada pela Universidade de Freie, na Alemanha, concluiu que uma curtida no Facebook é tão boa quanto sexo e comida (Parabéns, você também leva várias pessoas ao gozo e saciedade todos os dias). Portanto, nossa aprovação em redes sociais está saciando e controlando até o nosso cérebro, nos levando a concluir que nunca dependemos tanto do outro para viver. A ausência de likes pode matar, levando a óbito os filhos da sociedade do espetáculo, os produtos de uma fase da História conhecida pela marca das bestas.

PH Bentes - Internauta

Fonte: PH Bentes/NewsRondônia

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