COMPLEXO DE ÉDIPO - Por Max Diniz Cruzeiro

O complexo é um circuito lógico neural que permite a um indivíduo se orientar quanto a um atributo assimilado a partir do mundo externo.
Quarta-Feira, 18 de Outubro de 2017 - 17:10

O Complexo de Édipo é uma das etapas de personificação de uma pessoa no qual o indivíduo aprende a separar o seu conteúdo pessoal de outros objetos e seres presentes no ambiente onde ela venha a habitar. É um processo que matura por toda a vida, mas tem suas principais transformações nos primeiros 7 anos de vida de uma criança.

O complexo é um circuito lógico neural que permite a um indivíduo se orientar quanto a um atributo assimilado a partir do mundo externo.

Nos primeiros estágios de vida a criança está fusionado ao útero materno e não tem consciência e distinção que é um ser isolado desta mãe que está efetuando a gestação.

Quando a criança nasce tem contato com o mundo social a sua volta. E é estimulada pela mãe biológica a fazer determinados gestos guturais para cuidar de sua alimentação.

A criança retribui com aprendizado, e passa a aprender a controlar seu aparelho digestivo oferendo os materiais excretados para esta mãe. Através do controle e percepção dos esfíncteres.

Neste estágio a criança não sabe diferenciar o que é externo e interno, para ela tudo é extensão de seu próprio corpo. A mãe é algo que está contido dentro de sua própria essencialidade.

Logo o instinto do bebê percebe que necessita efetuar um poder de barganha para obter o leite, e quando necessita do alimento começa a chorar pedindo para ser nutrido.

Neste estágio ela começa a maturar o sentido de que a mãe possui uma vontade própria e que portanto não pode ser uma extensão de seu próprio corpo. É como se ocorresse a primeira cisão significativa dentro do cérebro desta criança onde ela passa a perceber que a mãe é um objeto distinto de si mesma.

Então um estágio de espelhamento se segue onde a criança passa a reconhecer partes do seu próprio corpo. E passa a se observar como uma unidade também autônoma de outras que venha a identificar no ambiente.

Porém, este não é um processo linear, vários fenômenos estão acontecendo ao mesmo tempo.

A mãe se torna a figura mais próxima de uma criança-bebê e logo a influência do pai é sentida como a extensão de um comportamento diferenciado, onde o pai passa a exercer um tipo de autoridade distinta desta mãe.

Com o tempo a criança vai aprendendo a controlar os seus impulsos diante deste pai e diante desta mãe.

Essa fase é essencial para que a criança se estabeleça em termos de limites em que suas atitudes avançam a sua livre vontade sobre esses pais.

Então a criança fraciona o seu amor para o pai e fraciona o seu amor para essa mãe. E passa a viver num dilema de agradar um e a outro dentro das particularidades que se acentuam de cada um.

A lei de preferência faz com que a criança fique mais “apegada” com um dos pais. E passa a desejar o pai e/ou a mãe conforme o nível de envolvimento afetivo.

Nesta fase começam as disputas entre a criança e o amor e a atenção desta em relação aos seus pais.

Então um fenômeno de triangulação amorosa se cristaliza. E a criança passa a se sentir partícipe também na relação afetiva e amorosa de seus pais.

Com os estudos de imersão social catalogados pelos pais e o início da compreensão vocabular por parte da criança dentro do contexto linguístico do casal e da sociedade, essa criança começa a despertar para a vida social e coletiva, cindindo os aspectos que traz dentro de si incorporados dessa mãe que era muito presente e desse pai que foi ganhando status e notoriedade na vida da criança com o passar o tempo.

Então a criança passa por um período inicial de bissexualidade, no qual nutre um amor incondicional pelo seu pai e por sua mãe. E toma um como preferência, que será a referência para os estágios seguintes em relação a puberdade desta criança quando chegar na fase de adolescência.

Quando a fase da triangulação já está completa, o efeito social da castração é efetuado por este pai e por esta mãe que ensina a criança a ter limite em relação ao mesmo sexo.

Assim, o Complexo de Édipo se estabelece, pela ampliação do desejo de um e pela retração, ou bloqueio do desejo de outro. No qual se acentua a preferência sexual desta criança que irá contribuir para a sua vida sexual na fase adulta.

O amor: em termos de atração ou repulsão pelas pessoas fica condicionado ao Complexo de Édipo, pois o significante primordial que brota deste circuito bordeia todas as outras relações com os seres e pessoas que passam a desempenhar papéis significativos e paralelos na vida desta criança.

O Complexo de Édipo fica cada vez mais robusto e prepara o indivíduo para suas fases mais marcantes como a entrada na vida adulta e ser réplica de uma unidade familiar.

O Complexo formado passa a comandar novos desdobramentos e o surgimento de outros complexos secundários e terciários. A criança passa a ganhar complexidade social com a imersão dos estudos em sociedade, e passa a ser um clone melhorado dos seus pais.

Onde o avanço na linha do tempo é uma simples questão de acúmulo de informações além do tempo dos seus pais.

Fonte - 010 - Max Diniz Cruzeiro/NewsRondonia

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