‘OPERAÇÃO ONDA VERDE’ DÁ PEQUENOS BAQUES NA MÁFIA DA MADEIRA EM ABUNÃ, ENQUANTO DESMATAMENTO CRESCE MAIS DE 811% SÓ EM RONDÔNIA

Porém, o feito que chamou mais a atenção, segundo a divulgação oficial, ‘foi o incêndio de acampamentos do tipo tapiris e em um trator na divisa do Acre e Amazonas’.
Segunda-Feira, 16 de Outubro de 2017 - 09:47

Jacy-Paraná, Porto Velho – Não foi dessa vez que madeireiros rondonienses que atuam, há décadas, de forma ilegal na Ponta do Abunã e no Sul do Amazonas, respectivamente, sofreram grandes baques por envolvimento na extração ilegal e roubo de madeiras naquela parte da Amazônia.

Apesar da decantada apreensão de máquinas e equipamentos, seguidos da destruição de três acampamentos, na visão de analistas ambientais independentes, ‘não representaria um grande feito capaz inibir a máfia da madeira que migrou do Vale do Guaporé para a região’.

Deflagrada no dia 6 deste mês, a ‘Operação Onda Verde’ do Instituto Brasileiro dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), segundo relatório reservado obtido por este site de notícias e mídia, ‘até o dia 12 pretérito apreendeu 500 metros cúbitos de madeira em uma Terra Indígena (etnia e espécies não reveladas) cuja área pode chegar a 300 hectares’. E multas de R$ 300 mil e embargos de até 2 mil hectares a infratores apontados pela ‘Operação Onda Verde’.  

Além disso, a Fiscalização noticiou o confisco de cinco caminhões (toreiros), um trator, 12 motosserras e apenas uma arma de caça. Porém, o feito que chamou mais a atenção, segundo a divulgação oficial, ‘foi o incêndio de acampamentos do tipo tapiris e em um trator na divisa do Acre e Amazonas’.

Ao menos uma década e meia a extração de madeira ilegal na divisa dos estados de Rondônia, Acre e Amazonas vem ocorrendo de forma aleatória e nas barbas das autoridades, sobretudo no lado amazonense que faz fundiária com os distritos de Nova Califórnia, Vista Alegre, Abunã, Mutum, Extrema e Jacy-Paraná.

O ápice da extração e desmatamento ilegal, de acordo com fontes fidedignas em órgão de controle e entidades de combate a crimes ambientais em áreas de etnias indígenas e população tradicional no sul do Amazonas, ‘a cobiça por madeiras de lei aumentou depois que madeireiras rondonienses migraram do Vale do Guaporé àquela região’.

Segundo consultores jurídicos que transitavam por sindicatos de madeireiros de Ariquemes, Ji-Paraná e São Francisco do Guaporé, ‘o IBAMA ou a SEDAM não precisam de denúncias para atuar no combate de queimadas a extração ilegal de madeira no nosso Estado’.

- Os caras dos órgãos de controle sabem onde os focos estão e de onde parte das máfias da madeira atua e opera na divisa de Rondônia, Acre e Amazonas’, ironiza um dirigente de alta patente jurídica de um desses órgãos sediado no lado amazonense.

Sobre o assunto, parte de ex-grupos de ambientalistas que milita supostamente na Comissão Pastoral da Terra (CPT-Lábrea) e Conselho Indigenista Missionário (CIMI) no lado amazonense, ‘90% da madeira vendida em madeireiras de Porto Velho tem origem no Sul do Amazonas’.

- As autoridades sabem, sim, da ilegalidade da extração e comercialização das madeiras, além das essências naturais comercializadas em Porto Velho através de empresas que exibem do no pátio espécies não encontrada na fauna nem na flora rondoniense entre Copaíba, Andiroba, Sangue do Dragão, Canela, Vick e até do Patichuli, contrabandeado do estado do Pará, apontam  as mesmas fontes.

Os baques dados pelo IBAMA, especialmente, na ‘máfia da madeira’ - que tem sobrevivido a todas as operações que deflagrou até agora – ‘podem ser considerados pífios do ponto de vista do tamanho da depredação de mais de duas terças quartas partes das áreas de florestas (APP e Reservas Extrativistas) em Rondônia e Sul do Amazonas.

Dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) ainda de 2013, o desmatamento em apenas seis meses desse período, ‘só Rondônia perdeu mais de 41 mil hectares só de área verde, são 811% mais áreas desflorestadas que de janeiro a junho de 2012’, com 13,1 milhões em multas, denunciava, à época, um ex-Comandante do Batalhão da Polícia Ambiental, em Candeias do Jamari.

Fonte - NewsRondônia

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