POLÍTICA & MURUPI: 13 MILHÕES DE DESEMPREGADOS - POR LEO LADEIA

É quase toda a cidade de São Paulo com seus 12 milhões de moradores, parada, sem emprego, sem carteira assinada, sem ter um bico sequer para fazer, sem ter nada para fazer, sem nada.
Sexta-Feira, 29 de Setembro de 2017 - 16:47

1-A falsa indignação I

Nada mais causa estranheza na política nacional. Os brados retumbantes e cínica indignação tomaram conta do país contra o voto do ministro Luiz Fux que ousou passar uma descompostura no liso Aécio Neves ao manda-lo para casa. Se fosse do seu advogado seria fácil de entender, mas o jus sperniandi saiu de pares do Fux, de senadores, de juristas famosos, e comentaristas políticos.

O ministro Gilmar STF disse que é preciso cautela e propõe acordar uma solução. Aécio vai acabar virando santo, fazedor de milagres, com direito a dia no calendário litúrgico, amém. 

2-A falsa indignação II

O PT pulou na frente das indignações e soltou uma nota em que batia no Aécio, mas se indignava com a ordem do STF para afastá-lo do mandato e limitar seus passos. Depois pensou melhor e para corrigir a rota insana, um processo por quebra de decoro sob o mesmo argumento que levou o STF à sentença. Criou-se a partir da chiadeira uma crise inexistente.

Fora da cadeia Aécio é o mesmo senador enrolado que foi pego numa gravação pedindo dinheiro a Joesley. Deveria estar na prisão a exemplo de outros tantos corrompidos e corruptos iguais a ele. Indignação? Por que? 

3-As muitas noites de Lula

Segundo a colunista Mônica Bergamo, a delação e a carta de Antonio Palocci abalaram Lula, que normalmente relevava informações de outros delatores por entender que Léo Pinheiro ou Marcelo Odebrecht, presos por muito tempo, não teriam alternativa a não ser falar de Lula na Justiça para via acordos, reduzir a pena. Com Palocci, porém o sentimento é de "extremo amargor", face à virulência dos ataques do ex-companheiro.

Ele não apenas "enfiou a faca, mas forçou até o fundo" e deu voltas nas suas vísceras, diz um amigo de Lula. Entendo Lula, seu amargor, etc, mas creio que o abalo é por medo do que ainda virá. “O medo faz uma noite virar duas”, diz Zé de Nana.

4-Merval inspirado

Não sou alinhado com o pensamento do Merval Pereira, mas eletem sacadas brilhantes em seus comentários. Ao analisar essa gritaria pró-Aécio, Merval dividiu o país ao meio: “O Brasil vive uma disputa entre os que querem usar a lei para punir as ilegalidades que ocorrem há anos, e nos levaram à situação de degradação político-social em que nos encontramos e os que, a pretexto de defender o Estado de Direito, acabam com a interpretação restrita da lei, alimentando a percepção da sociedade de que a impunidade é a marca da Justiça brasileira.” Matou a pau seo Merval!

5-13 milhões de desempregados I

Como é inimaginável, sugiro a conta com algo real. É como se toda a população do Paraná e de Rondônia estivesse desempregada. São mais de 13 milhões de desempregados em nossa pátria mãe gentil. É quase toda a cidade de São Paulo com seus 12 milhões de moradores, parada, sem emprego, sem carteira assinada, sem ter um bico sequer para fazer, sem ter nada para fazer, sem nada. Como cada brasileiro ganha em média R$ 1.226, somente a falta de emprego retira da economia quase 16 bilhões de reais sem contar o efeito multiplicador de cada real. É muito cruel!

6-13 milhões de desempregados II

É fácil olhar e fazer a conta. Difícil é quando se vê o desempregado e se enxerga a pessoa sem a dignidade do trabalho, a angústia de não prover o sustento, o desespero que retroalimenta o olhar espantado e incrédulo da família ou a desesperança que gruda no corpo e na alma. Todos os dias nas casas, apartamentos, vilas, sob as pontes e viadutos os seres invisíveis que formam o grupo extra-sociedade abrem os olhos sem ter para onde ir e sem ter o que comer. É esse grupo que é aliciado por quem tem algo a oferecer, seja grana, droga, causa, bando ou bandeira. Como cobrar consciência, honestidade, virtude, honra ou civilidade do miserável que nada possui? É a treva!

7-Pegando no tranco

Nada como uma crise para se criar algo. A ministra Cármen Lúcia presidente do STF marcou para 11 de outubro o julgamento da ação direta de inconstitucionalidade ajuizada ano passado por PP, PSC e SD sobre afastamento de parlamentares.

Aliás, a ministra presidente e o ministro conversaram sobre o tema em meio à controvérsia com a decisão sobre a Primeira Turma do STF, que decidiu afastar o Aécio do Senado e reduzir suas andanças e contatos. Na falta de estímulo melhor, vai no tranco!

8-Refis: it’s now or never

O governo tem outra MP do Refiscom prazo de adesão alterado para 30 de outubro e que deixou todo mundo de orelha em pé, pois o Congresso prepara outro Refis, em melhores condições. Hora de ouvir o Preto Véi: “se tu quizé, o vei faiz um trabái pra suncêmizifi. Huuum...duas galinha pedrês, sete vela branca e difumadômizifi... Num isquece o marafu do veimizifi. É fáci... huuuum.” Mas é bom fazer contas, digo eu. Aderindo ao Refis original valem os descontos desde quando o governo baixou a MP 783. Quem esperar pode ficar sem nada se a MP não for aprovada com as novas alterações até outubro. E volta o Preto Véi: “adispois num tem repara dômizifi... huuum!”.

9-Toma que o filho é teu

O governo do Rio de Janeiro deixou o “minino buchudo” nas mãos do Exército e achou que isto ficaria ad eternum e mais três dias. Ledo engano. Sofrendo na carne dos mesmos males, ou seja a falta de recursos, as Forças Armadas deram sua contribuição com a tática do raid – conclusão da missão seguida de retirada rápida antes que o inimigo possa responder de forma coordenada ou organizar um contra-ataque – e devolveu o “buchudo”, mas o problema vai persistir enquanto “achismos” e leniência pautarem o debate sobre o Rio que lembra um adolescente sem limites.

10-Haja paciência...

O juiz Moro ameaçou multar advogados do ex-gerente da Petrobras Pedro Augusto Bastos por abandono de processo. Diz Moroque a defesa do Pedro não enviou as alegações finais da ação penal em que ele é acusado de receber vantagens – ou se preferem, propinas – indevidas em negociação do campo de Benin, na África.

Claro que choro e ranger de dentes irão acontecer de novo, pois Moro foi duro e fez gozação com um“cidadão que não teve o seu direito respeitado, dirão os puristas sobre o despacho que registrou no processo: “Observo que a Defesa não teve tempo de apresentar alegações finais, mas teve tempo hábil para impetrar, em 26/09/2017, o habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça”. Será que um dia Moro vai sair do sério?

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Fonte - Leo Ladeia/NewsRondônia

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