O CELULAR

Deixei meu carrão na avenida pra não pagar estacionamento e entrei balançando a chave cheio de panca como se fosse um tchutchuco rico, um paquitão {como costuma dizer meu filho Adriano}.
Segunda-Feira, 27 de Fevereiro de 2017 - 12:09

Semana passada; não me recordo o dia, mas foi a semana passada, isso eu sei, fui ao Shopping Iguatemi comprar um celular, meu primeiro celular. Depois de muitas tentativas e desistências cheguei a “meia ponto zero” sem ter essa bendita invenção dos infernos. 

Meu filho me ensinou a mexer, pelo menos tentou, porque velho pra aprender a fuçar nessas coisas é uma M... Você já reparou que o velho demora um ano pra tirar carteira de motorista, depois de um ano tira o carro da garagem mais um ano pra dar volta no quarteirão sozinho, quando consegue fazer a primeira ultrapassagem sofre um infarto e morre? Pois é, o celular é mais ou menos assim não entra na cabeça, pra que serve aquele botão e aquela luzinha? E o dedão cheio de calos que aperta de três a quatro teclas de uma vez, mas aprendi. Do meu jeito, mas aprendi.

Sexta-feira, depois de um banho tomado, vesti meu bermudão florido, camiseta baby look, tênis Nike do camelô, boné de marca pra esconder a mixaria de cabelo que restou, correntona com crucifixo, como se eu fosse religioso, pulseira banhada e lá vou eu com meu Monza tubarão dar um role no shopping, no outro shopping.

Deixei meu carrão na avenida pra não pagar estacionamento e entrei balançando a chave cheio de panca como se fosse um tchutchuco rico, um paquitão {como costuma dizer meu filho Adriano}. Fui à praça de alimentação pedi um king potato e um suco de laranja  e fiquei ali mordiscando e bebericando, de vez em quando pegava o celular discava um numero qualquer e ficava falando com um amigo invisível, a conversa era mais ou menos assim, E ai cara, tudo joia? Eu to aqui no shopping tomando um suquinho sem compromisso pra passar o tempo, to de boa, Cerveja? Nem pensar, se eu tomar uma quero tomar todas e amanhã tenho uma reunião importante com uns gringos e eu não quero misturar inglês com francês e alemão.

Mas na verdade bêbado ou sóbrio só misturo o português, pois é só esse idioma que eu conheço.

O tempo passa e eu continuo ali com o mesmo suco, fone no ouvido curtindo Odair José, “zap zap” de mentirinha e de olho nas gatinhas.

E foi uma dessas metidinhas que passou bem pertinho de mim e cochichou pra outra.

Oh tiozâo tonto, será que não se enxerga? Me senti a própria Maísa, meu mundo caiu.

Sábado de manhã, estava eu no shopping, no primeiro, fui à loja e falei com o vendedor, quero trocar esse aparelho e ele perguntou: - quer um com melhor resolução, mais aplicativos?

Não, quero trocar por uma panela de pressão. To doido pra fazer uma dobradinha.

valdirfachini53@gmail.com
Fonte - Valdir Fachini

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