VOCÊ VIVE EM UMA ILUSÃO, E PERTENCENDO AO BIOLÓGICO, É IMPOSSÍVEL SAIR DISTO – Por Max Diniz Cruzeiro

Segundo Platão cada indivíduo de uma civilização está entrincheirado em uma caverna psíquica, dentro de cadeia de valores e juízos específicos, que permitem apenas identificar dentro de uma ilusão sua própria realidade.
Quarta-Feira, 01 de Fevereiro de 2017 - 08:44

Família Humanidade: segundo Platão cada indivíduo de uma civilização está entrincheirado em uma caverna psíquica, dentro de cadeia de valores e juízos específicos, que permitem apenas identificar dentro de uma ilusão sua própria realidade. Assim a realidade do padeiro é diferente da realidade do pai de família e de um artesão. Muitas delas podem ser convergentes, outras conflituosas, divergentes, congruentes ou antagônicas. Mas qual é menos ilusória que a outra se todas são mantidas por princípios de ilusão?

Mas o que é ilusão? Mas o que é ser iludido? A ilusão é uma projeção que se cristaliza a partir de uma protofantasia, fruto da experimentação anterior de um ser humano. Do surgimento da subjetividade, ou seja, do pensamento, parte de um princípio de incorporação do estímulo através de um protopensamento.

Esse protopensamento (Beta), recheado de manifestações alfa, segundo o conhecimento do Indo-Britânico Bion é fruto de uma fusão de sensações, sentimentos, reações físicas como a sonoridade e flashes que permitem a formação iconoplástica do ambiente (todos pertencem ao conjunto de elementos alfa); que processados somaticamente formam neurogramas (estruturas de conceituação) que represam diversos mecanismos motores e psíquicos que devem ser reproduzidos a fim de que uma expressão, como por exemplo a palavra “Amor” seja codificada e que corresponda a uma ação, que ao ser identificada e inserida em uma sequência lógica seja capaz de transmitir transvariações que se deslocam na forma de pensamento, a formar verdadeiras estruturas de instruções e procedimentos capazes de guiar a vontade humana.

A protofantasia é algo além, que uma vez um protopensamento é registrado e identificado ele passa a constituir algo que pertence ao indivíduo, como uma peça-registro de sua experimentação e experiência em sua estrutura psíquica. Quando sobre o ambiente um novo protopensamento é ativado, os processos de aquisição mnêmicos colaboram prontamente para iniciar os núcleos de conhecimento existentes criados a partir dessas experiências e experimentações anteriores.

Porém o elo associativo entre o elemento novo criado que se constituiu na forma de um protopensamento, nem sempre consegue se fixar com os conteúdos anteriormente gravados, porque a realidade anterior de sua fabricação, quando ativada por um novo elemento que difere da realidade inscrita no passado, gera uma indexação projetiva de vários circuitos lógicos que em um dado momento a lei da atração significou a proximidade do despertar do comportamento.

Quando discorre sobre o intelecto uma partitura de codificantes que distam profundamente da realidade externa, grupal ou pessoal, a essa projeção é chamada de protofantasia.

Quando a protofantasia se aprofunda na mente humana a ilusão é gerada. Ela parte de um princípio de elaboração sistemática no qual faz percorrer diversos circuitos que se interconectam formando uma rede de processamento de informações prontas para despertar todas as vezes que um ato de inicialização de estímulo for projetado para a porção interna do indivíduo.

Esse mecanismo mental forma uma base de sustentação conhecida como personalidade. Por meio da personalidade é possível gestar um padrão de consulta reativo em que o indivíduo se molda a perseguir toda vez que identifica um fenômeno sobre o ambiente.

À medida que o indivíduo cristaliza o padrão e vai caminhando para o envelhecimento, sua tendência natural é de solidificar o sistema reativo em torno de núcleos estáticos de comportamento.

Um denso contexto, ou livro mental é criado quando a pessoa atinge a maturidade.

Quando a pessoa “enfinca o pé” na construção de uma ou mais “verdades”, construídas com base em uma sustentação hierárquica de valores e juízos, seu distanciamento da realidade grupal faz para o indivíduo comum perceber que o princípio da ilusão passou a tomar conta do indivíduo, e que, portanto, a realidade que este se insere o faz perceber pelo agrupamento que o sujeito é um iludido.

Mas qual realidade é mais sensata projetivamente, se todos os indivíduos estão encarcerados, e suas sustentações estão envoltas de experiências e experimentações passadas, fracionando a apropriação do novo quando presente no ambiental?

Esse conteúdo egoico que abastece as protofantasias, causa um delírio coletivo que permitem que indivíduos possam trocar informações e passarem a serem visualizados como parte de um agrupamento.

Sem as protofantasias, a sensação de proximidade e distanciamento jamais permitiria formar um par relacional que permitisse a troca de informações. A comunicação seria um evento isolado do codificante consigo mesmo, onde somente este entenderia a codificação gerada. Essa capacidade intelectiva de interpretação é necessária para o desenvolvimento da espécie, onde um indivíduo passa a delegar parte de suas atribuições que correspondam às suas necessidades para o outro em privilégio de estímulos na especialização das tarefas. De forma a libertar os indivíduos dentro de suas elaborações para o desenvolvimento laboral-orgânico-social cada qual concentrado nas demandas de maior propensão espacial de identificação, interligados os aspectos de fixação do solo onde a vantagem de estímulo é mais fácil de ser percebida.

A esse balanceamento setorial de protopensamentos no seu aspecto de identificação projetiva, observa-se uma base de consumo em que a intensidade das experiências e experimentações, assim como a carga aplicada, a carga absorvida e a carga disponível irá determinar o quão representativo é num momento elaborar um juízo que permita através de um processo valorativo chegar a uma conclusão para uma tomada de decisão que se repercuta de forma consciente no intelecto para dizer ao sujeito a direção em que seu raciocínio deva tomar a fim de interligar ao padrão já construído de comportamento deste indivíduo.

De forma que o processo de construção subjetiva de um indivíduo irá sempre se indexar, após a fase adulta na ilusão grupal fabricada pelo agrupamento onde está inserido o indivíduo, e toda vez que o grupo tiver sérios motivos para acreditar que um ou mais indivíduos diferem da lógica ilusória criada pelo grupo, então a visualização deste indivíduo como “ovelha desgarrada”, longe da estrutura que condiciona o pensamento que se guia pelo comportamento social, quase sempre será percebido como um desvio de conduta, ou um quadro de demência no qual o agrupamento faz perceber o indivíduo distanciado do elo criado pela sociedade.

Sair da alienação grupal irá cair em outra realidade em que os mesmos processos de ilusão também são preexistentes, formando outra espécie de alienação que pode ser rivalizada ou ignorada pelo agrupamento anterior, no qual tomará sua decisão para perseguir ou combater, dependendo do grau de aceitação e negação da nova estrutura de realidade apresentada.

Mas como se chegar a “verdade pura”? A verdade pura é uma apropriação de infinitas fases de experiência e experimentações extraídas do plano Real que a introdução dos ensinamentos por meio de estímulos fracionados, verdadeiros frames de afetação, permitem ao ser biológico apenas sentir a “Verdade pura”, que é essa REALIDADE que não pode ser alcançada em sua plenitude, mas sim, montada, remodelada em partes, que permitam fundir por aproximação uma relativização de uma verdade simbólica e simbolizada, que transmite uma pseudorealidade universal que pode o indivíduo deslocar suas funções para ativar o seu funcionamento orgânico.

Você pode então no infinito das experimentações sentir, através da autorrealização essa realidade universal, essa verdade pura que jamais pode ser tocada, mas ter os encaixes de sua formação tão fundidos que é possível se identificar como uma construção “pura” de conhecimento, e vazia, de desamparo porque os frames foram trabalhados dentro de uma estrutura lógica de percepção que o código de construção do entendimento não mais possuem vícios, lacunas ou rupturas em sua elaboração, pois tudo está construído e identificado por encaixes lógicos, que permitem identificar o ser como integral.

Fonte - 010 - Max Diniz Cruzeiro

Comentários

Siga-nos:

POLITICA DE PRIVACIDADE

Todos os direitos reservados. © News Rondonia - 2021.