SANEAMENTO DE COSTUMES

Os partidos fracassaram na tarefa de construir um projeto para o Brasil.
Sexta-Feira, 27 de Janeiro de 2017 - 07:51

Uma nação cheia de graça e de riqueza. Muitos de nós achávamos, pela disciplina que exibia, organicidade e vocação para disputas eleitorais, que o Partido dos Trabalhadores, fiel a princípios e programas nos quais habitavam a justiça social, poderia enfim ser este partido.

O legado político e econômico que convulsiona o país é prova cabal de que fez mais do mesmo e até piorou. No comando do Brasil por quase 15 anos, optou pelo caminho mais fácil: edificar uma pátria de consumidores, desconstruir uma pátria de cidadãos. 

A educação que prometia com percentual de PIB semelhante à Coreia do Sul, erradicação do analfabetismo e saúde de primeiro mundo, foi para as calendas. A propalada ascensão da classe média é fragorosamente derrotada com a desigualdade entre os mais ricos e mais pobres 175 vezes maior apontada pelo Ipea em 2013.

Sobrou negociata braba com empresários de faculdades Brasil afora, com a concessão indiscriminada de crédito do Fies sem análise previa, causando rombo milionário, segundo o Tribunal de Contas da União, TCU. Os indicadores da educação básica, no campo do português e matemática, arruínam a imagem de um país que já figurou como a sexta economia do mundo.

Sobrou uma organização criminosa comandada pelo próprio Palácio do Planalto segundo a Procuradoria Geral da República, que de maneira jamais vista surrupiou violentamente os cofres da Petrobras. Sobraram contas públicas em desordem, déficit no orçamento e desemprego igual à época dos estertores do governo Fernando Henrique Cardoso. 

Restaram muito cinismo e hipocrisia¸ a ponto da intelectualidade, artistas, militantes e “progressistas” em geral acharem que o crime ou crimes cometidos foram a sociedade nas ruas, o Congresso Nacional aprovar o impeachment e o líder do “golpe”, que hoje ocupa a Presidência da República, tentar colocar as contas públicas no lugar. São tempos difíceis, de sinais invertidos, de valores que premiam algozes e destroem a reputação de suas vítimas.  

Nestes longos anos, o projeto que interessou foi o projeto de poder. Está na alma de todo partido. A cada proximidade das eleições assistimos, com honrosas exceções, lideranças se moverem unicamente com objetivo eleitoral, deixando as urgências das cidades, Estados e União a reboque dos arranjos não republicanos para garantir o sucesso político.

“Permanecer no poder passou a ser mais importante do que criar uma alternativa civilizatória para a nação Brasil“, disse Frei Beto acerca do PT, logo ele, um doutrinador do partido durante muitos anos. Disse isso salvo engano em 2013, quando o poder central ignorava a necessidade de ajustes para reverter indicadores sociais e econômicos negativos. Ouvidos moucos com claro fim eleitoral.

Há quem diga que na verdade aconteceu o oposto – o PT abriu mão de seu projeto de poder.  O certo é que a máscara caiu, ficando fácil culpar aliados que julga conspurcados o suficiente para ter contaminado o espectro petista. Uma estratégia fascista, mas os fins jamais justificam os meios.

De conversa mole em conversa mole, assentada na retórica do líder popular que de “jararaca” passou a “cachorro sarmento”, o poder anestesiou as massas, açodou celebridades e intelectuais, inebriou petistas e não petistas, desaguando por fim na maior operação policial do Brasil.

A Lava Jato, um patrimônio nacional nas palavras do ex-presidente do STF Carlos Ayres Brito, confirma ser a permanência no poder o que interessava e interessa, para benefício próprio e de grupos. Ver a estrela do PT nos jardins do Alvorada, um patrimônio público tombado junto com Brasília, sinalizou o que viria.  

Grande esperança do povo brasileiro, será que a Lava Jato irá sanear os costumes no Brasil, produzindo um projeto republicano alicerçado no fim do patrimonialismo?

 

Email: maraparaguassu1@gmail.com

Fonte - Mara Paraguassu

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