61,6% DOS VOTOS NO PRIMEIRO TURNO, FAZ VITTORIO MEDIOLI PREFEITO DE BETIM - Por João Antonio Pagliosa

Retorno a esta coluna depois de 60 dias navegando numa campanha eleitoral para prefeito de Betim. Nunca sonhei com esse cargo, até as coisas ficarem tão graves na cidade que me adotou.
Sábado, 17 de Outubro de 0116 - 09:42

Retorno a esta coluna depois de 60 dias navegando numa campanha eleitoral para prefeito de Betim. Nunca sonhei com esse cargo, até as coisas ficarem tão graves na cidade que me adotou. Tempos obscuros, quase tudo ao avesso e ainda num quadro nacional desalentador, marcado por atitudes aviltantes. A minha saúde física, que me afastou em 2006, se recuperou neste ano, devolveu-me a capacidade para a vida pública, e ainda com profundas mudanças internas.

Descrença em políticos, tanto pelas ações nefastas de alguns como pelas omissões imperdoáveis de outros, é a marca negativa deste momento. A catástrofe atingiu os mais desprotegidos. Hoje se cobra também dos omissos, os que não impediram a demolição do país. O povo sofre desumanamente, as oportunidades de emprego desapareceram, a sociedade se derrete em desespero. A recessão é do tamanho do imobilismo das elites gordas, aquinhoadas de privilégios, enquanto sobre o povo se abate a desgraça impiedosa. Passou da hora de passar o Brasil a limpo! De arquivar figuras menores que ocupam cargos maiores. Crescem as rendas dos partidos todos, e nenhum se invoca. Crescem proporcionalmente à mediocridade e ao alheamento da moralidade. Uma sopa de siglas encobre a mediocridade.

Como Dante explicou, “aos omissos em tempo de crise moral serão reservados os piores lugares do inferno”. Deus os castigará, quando depende da incalculável sabedoria dEle e do merecimento dos oprimidos. Justamente quando o povo conseguir dilatar sua consciência, tudo acontecerá. Eu, para me candidatar, tive que livrar-me da vida do conforto e do medo, entender que Deus me concedeu uma sequência de experiências incomuns, fez-me compreender a fé dos estoicos, deu-me vida para gastá-la por uma causa maior que a riqueza pessoal. Aprendi a manter a lucidez nos momentos mais críticos; apesar de não ser imune às pequenas contrariedades, reconheci na pele a opressão da maldade atrevida que se arroga a impunidade na justiça divina. Fez-me entender que, quanto maior, pior o sofrimento, ainda maior será a glória. Não existe vitória fácil, e as maiores são as mais suadas.

A vida se expande como o horizonte na subida da encosta da montanha. Sabia perfeitamente que o fato de ter apenas 40 anos de Brasil, debatendo-me à frente de empreitadas desafiadoras, serviria para ser atacado por adversários. Assumi ser “italiano” sem enrubescer, deixei que gritassem a minha italianidade mineira nas formas mais estridentes. Acreditei que o genuíno pensamento brasileiro não é xenófobo, e acabaria aceitando um “importado” honesto a uma alternativa sem conteúdo. Relutei inicialmente ao cálice, sabia dos meus defeitos e que, se não fossem suficientes para me derrubar, enfrentaria injúrias e ofensas. Deveria aceitar tudo como poeira inevitável numa pista de terra com dez competidores que descobririam, em poucos dias, quanto improvável seria me derrotar.

Adotei apenas propostas para resgatar a qualidade de vida das pessoas, nas quais acredito. Não perdi tempo em responder a injúrias. Olhei para a frente e para o alto, me aconselhei na sabedoria antiga, controlei os instintos. Tomei emprestado de Gandhi o “ahimsa” (“não violência”) e o “satyagraha” (“força da verdade”). Procurei mostrar soluções reais, fortalecidas pela crença de que poderia pô-las em prática.

Escutei em maio último: “Ou vai em frente e assume, ou sua vida se encerra”. Deveria me prestar, esquecer-me dos medos. A ordem era ficar estritamente na legalidade, recusar as tentações, dar o melhor da experiência que recebi da vida e, ao ser alvejado por pedras, guardá-las para construir obras. Precisava provocar nas pessoas o que tem de bem dentro delas. Paz, disposição, generosidade, sinceridade, sorrisos de agradecimento, suportar a baixeza sem me nivelar-se ao ínfimo. Confiar no Supremo e no seu amparo.

Pensei sempre no segundo turno, até um raio penetrar as nuvens e o vento dissipá-las mostrando a vitória. Estou eleito, agora, e à frente da reconstrução de uma cidade que quer voltar a crescer e ter qualidade, apesar de tudo e dos ventos contrários. Com honestidade e trabalho colocaremos com gente boa a casa em ordem, lutaremos para anular as dívidas injustamente contraídas, para minimizar os erros e as mazelas que se banalizaram na administração. Precisaremos fazer mais e melhor com muito menos. Convencer que o direito do povo é maior que qualquer interesse pessoal. Repeti mil vezes que “tem jeito”, precisarei agora mostrar o jeito.

Sei que o sofrimento fez amadurecer a consciência do povo em Betim e poderei contar com torcida e apoios sinceros. Trabalharei para que o mercado de trabalho, e não a prefeitura, ofereça oportunidades de empregos de qualidade. Não terei outro partido mais importante que não o bem do ser humano. Como um bom pai, que um prefeito tem que ser, me preocuparei com o filho frágil, com as crianças e os jovens para que possam ser preparados a formar uma sociedade organizada e estruturada. Abusarei da confiança na justiça do Alto, das forças que possuímos por concessão divina. Os 61,6% dos votos recebidos em primeiro turno representam o dever de importar-me principalmente com o bem das pessoas, com suas reais aspirações. Eliminar despesas inúteis, privilégios odiosos, que encurtam as políticas sociais.

Dar vagas em creches para as crianças, atenção integral para os jovens, ambiente de qualidade nas escolas, ensino profissionalizante, oportunidades de primeiro emprego. E mais, minimizar a violência, as complicações e as taxas para quem quer empreender e ganhar sua vida honestamente. Procurarei dar apoio total para quem quer gerar empregos, rendas e arrecadação. A saúde será organizada e livre de corrupção; os ambientes escolares, dignos e acolhedores.

Comprometi-me a tirar das gavetas as centenas de empreendimentos pequenos e médios, asfixiados pela burocracia, a abrir as portas para grandes planos, extirpar a corrupção (não com a polícia, mas pela transparência), a humanizar os bolsões de pobreza, a levar alento aonde as pessoas caíram na miséria e depressão. Valorizar quem trabalha e retirar de cena quem atrapalha. Sei que precisarei me livrar de pensamentos negativos, suportar o que for preciso, acreditar no amparo do Alto, transmitir entusiasmo, o mesmo que me fez sobreviver, inexplicavelmente, até hoje. Agradeço aos meninos e às meninas que se empolgaram com minha música, que fizeram a festa por onde passei, os milhares de sorrisos que me carregaram de força, os olhos dos jovens brilhando de esperança, os abraços que me emprestaram energias. Acredito no bem que apresentei como meta, na possibilidade de transformar uma cidade para ser mais acolhedora, atenta aos seres humanos nos momentos mais desafiadores da vida.

E, se nem tudo acontecer como imagino, sei que a maior obra estará no exemplo oferecido. Vale sempre ser otimista, acreditar que amanhã é o primeiro dia de uma vida que podemos reinventar. Deus é imenso e misericordioso, e nós somos seus filhos.

Fonte - João Antonio Pagliosa

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