DIESEL MAIS BARATO REDUZIRÁ PREÇO DOS ALIMENTOS EM 2017

Para especialistas, combustível mais barato tem impacto direto no transporte de cargas.
Sábado, 15 de Outubro de 2016 - 10:30

O Brasil passou a partir desta sexta-feira (14) a ter um novo sistema de precificação da gasolina e do diesel. Pela primeira vez, desde 2009, a Petrobras fez um reajuste negativo nos preços dos dois combustíveis. Essa medida deverá, na prática, dar uma aliviada na inflação, além de contribuir para a queda do preço dos alimentos no ano que vem, na opinião de especialistas ouvidos pelo R7.

O corte nos preços praticados nas refinarias será de 3,7% na gasolina e de 2,7% no diesel.  Porém, ao consumidor final, deverá ficar em 1,4%, no caso da gasolina e de menos de 2% no caso do diesel. Isso representará cerca de R$ 0,5 por litro.

O preço do diesel tem um efeito direto no custo dos fretes e, consequentemente, no valor final de produtos que consumimos no dia a dia, especialmente os alimentos. O economista André Braz, do Ibre/FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) explica que o resultado poderá ser visto já no ano que vem.

— O diesel também vai responder positivamente, barateando frete, produção de outros bens duráveis e tudo mais, porém, mais para 2017. O efeito macro dele na economia fica muito diluído e chega em doses homeopáticas.

Para o professor de finanças do Ibmec Rio (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais) Gilberto Braga, a conjuntura econômica sinaliza para uma acomodação e até queda dos preços dos alimentos e os combustíveis são só mais um ingrediente.

— [A medida da Petrobras] cria um ambiente favorável, somado à aprovação da PEC 241, de que a economia começa a reagir. Isso tudo vai de alguma forma trazendo a confiança do investidor novamente para o mercado brasileiro. [...] Alguns itens que vinham sendo os vilões da inflação nos últimos meses mudaram de casa e agora estão em trânsito favorável. É o caso do leite longa vida, da cebola, da batata, do próprio feijão.

O comunicado divulgado pela Petrobras na sexta-feira diz que “a nova política prevê avaliações para revisões de preços pelo menos uma vez por mês” e acrescenta que “poderá haver manutenção, redução ou aumento nos preços praticados nas refinarias”. O professor do Ibmec diz que o mercado internacional será levado em conta nas decisões.

— A gente fica sujeito a duas variáveis: o preço do produto e o câmbio. A combinação dessas duas variáveis é que vai determinar a variação mensal do preço do produto. Então, ele pode cair, mas acredita-se que há espaço para uma queda maior até o final do ano. Todas as vezes em que houver uma diferença relativamente relevante, eles farão um ajuste nos preços internos para acompanhar os preços externos.

André Braz acrescenta que o preço dos combustíveis no Brasil está bem acima da média internacional, o que leva a crer que há espaço para queda.

— A gasolina aqui está 30% mais cara do que lá fora. Então, espaço para outras revisões para baixo existe. Mas a gente acaba tendo uma certa limitação também porque a gasolina C, que a gente usa nos veículos aqui, tem 27% do etanol anidro. O etanol anidro tem um preço livre e atualmente está subindo muito. Ele pode, neste momento, ocultar um pouco a tendência de queda da gasolina.

Por outro lado, Gilberto Braga destaca o poder que o governo tem em reduzir o percentual de etanol anidro que compõe a gasolina, apesar de não haver sinalização de que isso deva acontecer. Ele classificou a decisão da Petrobras de “mais realista”.

— O que é importante hoje é a mudança de paradigma na Petrobras, em relação ao que vinha sendo feito nos últimos anos. A política de preços de derivados de petróleo para o consumo da economia tinha uma clara referência em relação ao impacto na inflação. Por um período, pagamos mais barato do que deveríamos para que isso não complicasse ainda mais a guerra contra a inflação. Isso mudou e a Petrobras resgatou um pouco dessas perdas. Agora, o governo está equilibrando o jogo.

Se continuar em queda, o preço da gasolina e do diesel deverão puxar para baixo a inflação de 2016, prevista para fechar o ano em 7,04%, segundo último Boletim Focus do Banco Central. Vale lembrar que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação oficial no País, fechou setembro em 0,08% — menor patamar para o mês desde 1998.

Braz explica que a gasolina, especificamente, tem efeito direto sobre o IPCA.

— A gasolina compromete 3,89% da renda das famílias, aproximadamente 4%. O diesel é 0,14%, porque não existe muita frota de veículo particular movido a diesel. Qualquer queda no preço da gasolina ou aumento de 1% gera um impacto de 0,04%, para cima ou para baixo, no IPCA. Se a gente estivesse esperando uma inflação de 0,5% e a gasolina contribuísse para reduzir o índice em 0,05%, teríamos uma inflação 10% menos só por conta desse movimento da gasolina

Fonte - ebc

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