VÃO ESPERAR A QUEDA DA PONTE PARA SÓ DEPOIS FAZER ALGUMA COISA?

PERGUNTINHA: Até quando o Brasil vai fazer de conta que não há necessidade urgente de várias reformas, para podermos superar a crise e voltar a ter alguma esperança de crescimento?
Sabado, 10 de Setembro de 2016 - 17:13

Até que demorou! A baderna imposta pelos garimpeiros no rio Madeira, em parte com aval de um projeto de lei inconstitucional, que liberaria a procura do ouro mesmo na cidade (e que sequer chegou a entrar em vigor), acabou na interdição da ponte sobre a BR 319. Os moradores do Conjunto do Dnit, chácaras, sítios e pequenas propriedades do outro lado do rio, fecharam a ponte por três horas, nessa sexta. Por um motivo simples: as autoridades competentes lavaram as mãos, ignoraram as leis, deixando que o garimpo ilegal  tomasse conta do rio e colocasse e, risco a própria ponte. À busca do ouro, dragas e balsas usam enormes equipamentos, com risco de atingir, a mais de 100 metros enterradas, as estruturas que podem ser abaladas e simplesmente derrubar uma ponte esperada por décadas e que custou mais de 200 milhões de reais. Desesperados, sem saber mais o que fazer, já que seus protestos, queixas e jogo de empurra-empurra (um órgão público empurrando para outro a responsabilidade) os pobres coitados foram feitos de idiotas, sem ninguém, a tomar medida prática nenhuma. Eles decidiram, então, tomar uma medida drástica. Ligeirinho, apareceu gente para negociar, para explicar, para prometer.

Está na hora de se dar às coisas os nomes verdadeiros. Nesse caso é: incompetência generalizada. Onde está quem deveria fazer cumprir a lei que proíbe a garimpagem no Madeira? Para que serve a Delegacia da Marinha? Por que a Polícia Federal não intervém?  Onde está o Ministério Público Federal, que não corre para o Judiciário, pedindo prisões, destruição das balsas e dragas e a limpeza do rio? E a Polícia Ambiental? E a Polícia Militar? Enfim, todo esse aparato, vendo o crime na frente de seus olhos (quem não olha para o rio todos os dias?), por que não tomou nenhuma medida? Agora que a população, sofrida e abandonada, teve que agir, pode ser que os que deveriam representá-la e não o fizeram, entendam o recado. Ou quem sabe vão esperar a ponte cair, para daí então fazerem alguma coisa?

HORA DE INVESTIGAR

Gravíssima a acusação feita pelo deputado Hermínio Coelho sobre fiscais da Sedam  estarem recebendo propina para fechar os olhos e não fiscalizar também a garimpagem ilegal no Madeira. O secretário Wilson de Salles, questionado pela reportagem da SICTV sobre o que o parlamentar denunciou em plenário, falou o feijão com arroz: que se houver algum caso concreto, o servidor será afastado e punido; que é preciso dar nomes e por aí vai. Como sempre, é isso que as autoridades respondem quando há denúncias desse tipo. A verdade é que seria muito bom a Assembleia propor uma profunda investigação na Secretaria do Meio Ambiente. As conversas de corredores, de grupelhos, de empresários que nunca falam em público, mas falam sim entre eles, apontam para, ao menos enormes suspeitas no órgão. Não seria de bom alvitre uma profunda investigação, até para acabar com tanta boataria? Ou não é boataria?

VITÓRIA DE PIRRO

Uma nova pesquisa interna, feita por coligação que disputa a eleição em Porto Velho, deixou seus representantes em êxtase. Por ela, o seu candidato, que estava atrás nas primeiras análises do quadro eleitoral, teria dado um salto em direção ao segundo turno. Claro que não se pode considerar tal pesquisa nem perto de definitiva, até porque trouxe o resultado que o contratante queria receber. Em outros partidos, há também pesquisas que eles juram que aquele candidato da coligação que a contratou é quem está à frente. Essas vitórias de Pirro, já que não servem para nada (quem sabe apenas para motivar a militância?), são apenas elementos coadjuvantes e tradicionais, no jeito antiquado de fazer política. A verdade só virá quando institutos  isentos vieram a Porto Velho e, mais que tudo, serão as urnas a darem a palavra final. Quem cai no sonho desses números geralmente inventados, para agradar o contratante, está ferrado. Pronto. Falei!

TRÊS MILHÕES DE EMPREGOS

O líder dos micros e pequenos empresários de Rondônia, Leonardo Sobral, é um dos que estão torcendo para que o governo Temer se sensibilize e aceite uma mudança na legislação desse tipo de empresa, para que ela possa contratar pelo menos mais um empregado, sem que ela perca seus atuais benefícios. Para o governo federal, seria uma pequena renúncia fiscal, mas possibilitaria, de imediato, a abertura de mais de três milhões de postos de empregos. Isso seria um grande alivio na pressão do desemprego, que hoje atinge 12 milhões e meio de brasileiros. Só em Rondônia, existem mais de 114 mil micros e pequenas empresas. Se cada uma contratasse apenas mais uma pessoa, se calcula facilmente o que isso representaria, em termos de abertura imediata dos postos de trabalho. A decisão do assunto está prestes a ser anunciada pelo governo do Presidente Temer.

NOVO ATAQUE AO RIO

Já não basta o garimpo poluidor (incluindo o terrível mercúrio, que demora mais de 200 anos para ser absorvido pela natureza); já não basta os riscos de desbarrancamento das margens do Madeirão e, agora, mais um perigo o ameaça, muito perto do centro da cidade. No local onde o barranco despencou e engoliu vários caminhões, canos estão despejando piche e óleo puro dentro do rio. Enquanto a empresa responsável retirava os caminhões destruídos, houve algum tipo de vazamento que chegou à canalização e agora tudo é jogado, in natura, nas águas do Madeira. O repórter Eduardo Kopanakis, da SICTV, flagrou a agressão ambiental, quando fazia uma matéria especial na área do desbarrancamento, no final de semana passado. Nosso rio depende de reza, porque se depender dos cuidados do homem, está ferrado!

ASSUNTO PROIBIDO

Uma das questões mais complexas, mais difíceis de se mexer e até discutir, o aborto voltou a ser tema de debate nos últimos dias. O Procurador Geral Rodrigo Janot, apoiou pedido da Associação Nacional dos Defensores Públicos, para que o aborto fosse autorizado nos casos de mães infectadas com o zika vírus, com risco dos seus filhos nascerem com microcefalia. O Senado já avisou ao STF que não aceitará a decisão e que não aprovará o aborto nessas condições. Mais que qualquer outro assunto, o aborto ainda é um tema tabu na sociedade brasileira, principalmente pelo cunho religioso que o envolve. Num país onde a religiosidade influi nas decisões, embora teoricamente o Brasil seja laico, interromper a gravidez é quase um crime lesa-pátria. Enfim, as mães continuam sem o direito de decidir sobre se querem ou não ter filhos. E isso, provavelmente  não mudará, ao menos nas próximas décadas.

PERGUNTINHA

Até quando o Brasil vai fazer de conta que não há necessidade urgente de várias reformas, para podermos superar a crise e voltar a ter alguma esperança de crescimento?

Fonte - Sergio Pires

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