CULPA NO CARTÓRIO - POR MARA PARAGUASSU

Os números da sua atuação impressionam, existindo dados que desmentem cabalmente as acusações feitas pelo PT e mais recente por proeminentes do PMDB, de que a investigação é seletiva, permeada de exageros e violações ao Estado Democrático de Direito.
Quarta-Feira, 15 de Junho de 2016 - 09:20

A Lava Jato está de pé porque o fato insiste em proclamar-se senhor altaneiro no emaranhado de revelações vindas a público há mais de dois anos, quando as investigações do petrolão foram iniciadas. Evidente que se o petismo e seus aliados políticos em longa convivência não tivessem assaltado a Petrobras para bombar suas eleições e turbinar riquezas pessoais, os procuradores, delegados, agentes, investigadores e o juiz Sérgio Moro estariam cuidando de outras tarefas.   

Os números da sua atuação impressionam, existindo dados que desmentem cabalmente as acusações feitas pelo PT e mais recente por proeminentes do PMDB, de que a investigação é seletiva, permeada de exageros e violações ao Estado Democrático de Direito. Por mais que tentem, Lula e Renan Calheiros, aqui citados pela relevância das posições que ocupam e protagonistas das denúncias que se avolumam, não conseguirão deter a Lava Jato.

O procurador Deltan Dallagnol, um dos expoentes da República de Curitiba, em declaração publicada na segunda-feira,13, no portal “Estadão”, teme o contrário. Embora manifeste alívio de que a Lava Jato só sobreviveu até hoje porque a “sociedade é seu escudo”, o procurador, não apenas por causa das gravações de Renan com Sérgio Machado, avista conspiração para acabar com as investigações, e a união das diferentes correntes partidárias, com a ação de lideranças influentes, ameaçaria a continuidade da operação.

Quando o mundo da política, com raríssimas exceções, ao invés de exaltar desqualifica o trabalho de procuradores, é certo que o sistema político-partidário apodreceu. A sociedade sente cheiro ruim há anos. O que boa parte não esperava é ver no comando do Petrolão o partido que empunhava a bandeira da ética na política – quem te viu, quem te vê. Os fins justificando todos os meios, com a ideia de se perpetuar no poder.  

É risível suas manifestações. Numa das mais recentes, embutida na Resolução de Conjuntura divulgada no dia 17 de maio, o PT diz que a Lava Jato “tem papel crucial na escalada golpista.” Mais: “É um instrumento político para a guerra de degastes contra dirigentes e governantes petistas, atuando de forma cada vez mais seletiva quanto a seus alvos, além de marcada por violações aos Estado Democrático de Direito”.

São santos, nada fizeram, e se graúdos do PP e PMDB ainda não foram presos, deve-se à excrescência do foro privilegiado - do qual não é detentor nem seu José Dirceu nem seu João Vacari -, e à vagareza do STF, bastando pesquisa mínima para demonstrar que no âmbito da 1ª instância os encalacrados são de toda cor partidária. 

Fora de órbita, o discurso petista se esboroa quando confrontado com o que dizem os tribunais superiores sobre decisões contestadas ao longo da vitoriosa investigação. Apenas 3,9% das decisões contestadas no STF, STJ e Tribunal Regional Federal da 4ª Região foram revisadas. Foram acolhidos somente 17 do total de 432 habeas corpus ou recursos em habeas corpus impetrados pelas defesas de réus ou investigados.    

Os dados são eloquentes e mostram o acerto dos trabalhos promovidos até agora pelos procuradores da República, delegados da Polícia Federal, auditores da Receita Federal e pelo juiz Sérgio Moro, atuando na primeira instância. Há mais: segundo o Ministério Público Federal, dos 214 recursos apresentados até agora ao Tribunal da 4ª Região contra atos da força-tarefa e do juiz Sérgio Moro, só 9 tiveram decisão favorável à defesa, ou 4,2% do total. E são decisões pontuais, que não afetam a operação como um todo.

No STF, entre os 52 processos analisados (até maio), somente sete foram revertidos em favor das defesas, o que representa 13%. Segundo o Ministério Público Federal, um desses recursos tratava da revogação da prisão preventiva do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato de Souza Duque, que, posteriormente, voltou a ser preso e segue detido.

O dado dos dados: mais de 95% das decisões tomadas em primeira instância, ou seja, pelo juiz Sérgio Moro, foram confirmadas. Como se vê, os ataques à Lava Jato ou ao juiz revelam-se despropositados, típicos de quem tem culpa no cartório e se recusa a enxergar que os tempos da impunidade a criminosos de colarinho branco chegam ao fim. 

Há fatura de fatos criminosos e há resultado concreto de intensa investigação. Parabéns Lava Jato. Se você quiser saber mais sobre a operação que agita o país clique AQUI.

Fonte - Mara Paraguassu

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