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Domingo, 20 de Junho de 2021

16 anos

ADOLESCENTE GAY DE SP RELATA AGRESSÃO COMETIDA PELO PAI: ‘ME ENFORCOU E SOCOU MINHA BOCA’

X., de 16 anos, se escondeu em um banheiro para enviar à mãe foto da violência cometida pelo pai
Quarta-Feira, 13 de Abril de 2016 - 21:24

Há dois meses, X., de 16 anos, decidiu dar um basta à rotina de provocações que sofria por parte do pai. Homossexual, o adolescente morador de Parque Piratininga, em Itaquaquecetuba , São Paulo, nunca havia comentado explicitamente em casa sobre sua orientação, até aquele dia.

— Estávamos os dois vendo TV, quando ele fez uma piadinha sobre futebol e gays. Disse que se tivesse filho “viado” em casa, mataria. Não me aguentei e falei: ‘Então o senhor deveria repensar suas atitudes, já que seu filho é homossexual’. Ele partiu para cima de mim, me jogou contra a parede, me enforcou e deu dois socos na minha boca — relata X.

O rapaz, então, correu para o banheiro e tirou fotos do estrago cometido pelo pai para enviá-las à mãe, que mora no Rio de Janeiro.

— Eles se separaram há seis anos. Cheguei a morar com a minha mãe no Rio, mas há um ano voltei para São Paulo, pois aqui encontro mais oportunidades para tentar uma carreira de modelo — argumenta o jovem, que afirma ter crescido vendo o pai espancar a mãe.


X., de 16 anos, se escondeu em um banheiro para enviar à mãe foto da violência cometida pelo pai
 

Após a sequência de agressões, X. deixou a casa do pai e, desde então, está abrigado na casa da tia de seu namorado. Segundo ele, o pai mandou um recado através de seu irmão, de 13 anos, avisando que “não quer saber mais dele”.

— Minhas roupas e meus documentos estão na casa dele e ele me proibiu de ir lá buscá-los. Minha mãe está me ajudando financeiramente e esta semana vou retirar a segunda via de tudo para tomar medidas judiciais cabíveis — promete o rapaz, que, após um mês de silêncio, seguiu o conselho do namorado e registrou a ocorrência na 1ª Delegacia de Polícia Civil, em Guarulhos. Lá, foi orientado a “procurar o Conselho Tutelar e a mídia”.

Apesar da violência sofrida, X. acredita que poderia ter abordado sua orientação sexual de forma mais “calma” com o pai, segundo ele uma pessoa naturalmente agressiva e que conta com o apoio da atual mulher, que também costumava agredir o jovem verbalmente com frequência.

— Estou com medo, confesso. De andar na rua e ser agredido, por exemplo. Mas acho importante alertar outros jovens homossexuais sobre a necessidade de ter coragem sempre — finaliza.

 

Com informações, extra

Fonte - Anderson Nascimento - Newsrondonia

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