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AMAZÔNIA E OS SEUS PRIMEIROS HABITANTES

Com isso, podemos caracterizar a arqueologia da Amazônia pela fabricação de objetos de pedra e de cerâmica, além do material perecível (madeira, fibras, folhas, etc).
Segunda-Feira, 11 de Abril de 2016 - 11:00

Nos sítios arqueológicos da Amazônia, foram encontrados vestígios, em sua grande maioria, de pedra e de cerâmica. Além do mais, os povos da região não conheciam nem possuíam escrita. Com isso, podemos caracterizar a arqueologia da Amazônia pela fabricação de objetos de pedra e de cerâmica, além do material perecível (madeira, fibras, folhas, etc).

SAMBAQUIS: Consiste em depósitos de conchas encontrados, no caso, ao longo das margens dos rios da Amazônia.

PALAFITAS OU ESTARIAS: Cabanas erguidas sobre estreitos em lagos, lagoas ou áreas inundáveis.

INSCRIÇÕES RUPESTRES: Gravuras de desenhos em pedras e abrigos sob-rocha, observados nos rios Xingu, Negro, Uaupés, Mamoré, Guaporé, Madeira, dentre outros.

ATERROS ARTIFICIAIS: Aterros feitos, em áreas inundáveis, por povos indígenas para construir suas aldeias. Em geral, tais aterros possuíam de um a três metros acima do nível da água.

HIPOGEUS OU POÇOS ARTIFICIAIS : Eram escavações usadas como cemitérios.

O estudo histórico sobre a arqueologia da Amazônia, serve para nos mostar a maneira de viver (a cultura) complexa e diversificada dos índios da Amazônia. Diversas culturas são destacáveis pela qualidade artística de suas produções, tais como: Cunani, Maracá, Miraranguera e, principalmente, as culturas de Marajó e de Santarém.

Com relação às culturas de Marajó e Santarém, pode-se notar que, além do complexo acabamento artístico, suas cerâmicas apresentavam outras funções, como:

MARAJÓ

A cerâmica Marajó apresentava duas funções básicas: utilitária, pois eram formas funcionais e sem decoração nas superfícies; religiosas, apresentando variados tamanhos e formas, além de complexa decoração artística.

SANTARÉM

A cerâmica Santarém compreendia vários utensílios (vasos, taças, bacias,etc), servindo para exercer funções diversas. Dessa maneira, a partir da arqueologia da Amazônia, podemos ter uma idéia preliminar e geral sobre as culturas pré-coloniais da região.

POPULAÇÃO INDÍGENA EM RONDÔNIA

O início da ocupação humana na Amazônia se deu há pelo menos 14 mil anos, entre final do Pleistoceno e o começo do Holoceno. Esta data pode ser ainda mais antiga, alcançando cerca de 20 mil anos. Sendo assim, os primeiros ocupantes destas terras em transformação foram grupos que viviam da caça, pesca e coleta. Ao que tudo indica, estariam organizados em pequenos bandos, decerto compostos por algumas famílias, as quais tinham grande mobilidade espacial em um território imprecisamente marcado.

Nômades, eles deixaram vestígios fugazes, como restos de lascamentos da pedra e fogueiras esparsas, contando-se, atualmente, com poucos sítios arqueológicos cadastrados. Muitas vezes, suas pistas se restringem a belas pontas de projéteis em sílax e calcedônia, recolhidas por dragas de garimpo no fundo do Rio Madeira ou nas altas barrancas de suas margens.

Existem inúmeros sítios arqueológicos em Rondônia em seus diversos municípios com oficinas líticas, desenhos rupestres em lajedos e etc. Muitos localizados em Porto Velho, Nova Mamoré, Costa Marques, Presidente Médici, Ji-Paraná, Rolim de Moura, Alta Floresta do Oeste, Machadinho e Guajará-Mirim principalmente.

Ao longo dos milênios, os esparsos habitantes acabaram se espalhando por toda região, criando raízes. E ele teriam sido, ainda, os responsáveis pelas primeiras alterações no meio ambiente, relativas ao manejo de espécies florestais preferidas e experimentações de cultivo, desde ao menos oito mil anos. Este longo processo de alterações genéticas foi necessário para a plena domesticação das plantas, o que levou ao surgimento de sociedades intensamente agricultoras e de alta densidade populacional, como as de hoje. 

Ainda não foi possível chegar-se a números mais exatos e a estimativa mais fidedignas sobre a população original da Amazônia, todavia, de outro lado, não resta dúvida de que a Amazônia ocorreu uma verdadeira catástrofe demográfica com relação à população indígena.

Isso pode ser visto ainda hoje, pois o maior dos sintomas desse grande despovoamento é a condição de extinção a que está submetida a maioria das poucas culturas indígenas que restaram.

Os índios mais antigos relatam como viram outras nações indígenas amigas e adversárias desapareceram ainda neste século. Outros, completamente destribalizados e dizimados culturalmente, não tiveram outro caminho senão integrar-se à cultura dos “brancos”, vivendo em condições de extrema precariedade. Apesar dos esforços dos índios, de antropólogos e organizações, muitas culturas já entraram num processo irreversível de extinção.

Essa catástrofe demográfica tem suas origens com a invasão do colonizador europeu, que passou a tomar posse das terras dos índios, escravizando a mão-de-obra indígena e impondo sobre essas culturas a força da espada e o temor da cruz, como forma de civilizar aquele que era tido por “selvagem”.

Além do mais, os colonizadores trouxeram muitas doenças e problemas sociais que, antes, não existiam entre os indígenas, o que colaborou ainda mais para a dizimação se desse de maneira acelerada e intensiva.

Dentre os vários grupos indígenas existentes em Rondônia, podemos destacar dez grupos de maior expressão no Estado: Gavião, Arara, Cinta Larga, Karitiana, Karipuna, Pakaás-Novos, Suruí, Tupari-Makurap-Jabuti, Kaxarari e Uru-EU-Wau-Wau. Os grupos indígenas de Rondônia ocupam uma área de 4.524.142 há, equivalente a 18,62 % do território do Estado.

A tribo dos Gaviões encontra-se localizada nas proximidades do Posto Indígena Igarapé Lourdes, no afluente do Rio Ji-Paraná. Por volta de 1955, ocorreu a classificação da língua falada pelos Gaviões, constatando-se que se tratava de uma ramificação do tronco Tupi. O contato, de fato, dos índios Gaviões com a população “branca” ocorreu devido à penetração marcante dos seringueiros e caucheiros em terras que até então eram inexploradas. E, por esse motivo, os índios acabaram por aprender as atividades cabíveis a um seringueiro, iniciando-se assim o processo praticamente inevitável de perda da sua identidade étnica e sua integração como indivíduos das populações locais, pois, de um lado, havia a presença de seringueiros e, de outro, os, missionários com seus objetivos eclesiásticos.

A tribo dos Araras localiza-se bem próximo à aldeia dos Gaviões, sua língua, apesar de ser do tronco Tupi, é da família Ramarama. O ano de 1853 marca o primeiro contato desta tribo com os missionários, que não foram bem sucedidos, pois os índios Araras não aceitavam ser catequizados. Ao findar do século XIX, os missionários tentaram mais uma vez a aproximação com os Araras, que se encontravam enfraquecidos, pois haviam contraído doenças que estavam dizimando sua população. No entanto, os índios não se deixaram abater, e mais uma vez expulsaram os jesuítas. Porém, não conseguiram vencer os seringueiros e os caucheiros que chegaram à região, estabelecendo assim relações pacíficas com eles.

A tribo dos Cinta Larga em Rondônia habita a área do Parque Indígena Roosevelt, a área que está incluída no Parque Indígena do Aripuanã. A classificação linguística dos Cinta Larga, também, procede do tronco Tupi (família Mondé). As terras dos Cinta Larga fazem parte de uma zona aurífera de Rondônia. Por esse motivo, os primeiros contatos desses índios com os não-índios ocorreram através dos garimpeiros, contato marcado por extrema hostilidade indígena em razão de as suas terras estarem sendo invadidas, de um modo geral, por conta da presença áreas ricas em diamantes. Um dos eventos trágicos é o caso do Massacre do Paralelo 11 na região indígena. Muitos índios foram massacrados por garimpeiros e jagunços.

Os Karitianas são uma tribo que vive na área do Parque Indígena Karitianas, localizado no município de Porto Velho. Sua classificação linguística também provém do tronco Tupi (família Arikém). Apesar de terem mantido contato com os exploradores ainda do século XVIII, os Karitianas, localizado no município de Porto Velho. Sua classificação linguística também provém do tronco Tupi (família Arikém). Apesar de terem mantido contato com os exploradores ainda no século XX, quando passaram a sofrer exploração por parte dos caucheiros e seringueiros. Em 1910, com o surgimento do Serviço de Proteção ao Índio, SPI, a tribo dos Karitianas passou a receber proteção desse órgão, evitando assim que fossem explorados.

No século XVIII, uma das tribos mais comentadas da região era a dos Karipunas, visto que essa tribo estendia-se pelas margens dos rios Madeira, Mutum-Paraná e Jaci-Paraná, fato que a colocava em contato direto com as pessoas que estavam trabalhando na construção da ferrovia. Por esse motivo, os Karipunas foram os mais atingidos com a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.

O grupo indígena dos mais numerosos de Rondônia é o Pakaás-Novos. Estes encontram-se espalhados por uma vasta região do município de Guajará-Mirim. Os primeiros contatos dessa tribo, no passado, foram estabelecidos com os jesuítas, os trabalhadores da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e com os seringueiros e caucheiros, o que foi marcado por conflitos, seguida de morte de ambos lados.

O grupo indígena que se encontra em isolamento é o dos Uru-Eu-Wau-Wau, que, apesar de terem estabelecido contato com a FUNAI, optaram por permanecerem isolados da “civilização”.

A tribo dos Suruí passou a enfrentar sério problemas quando se expandiu a colonização na região do centro do Estado de Rondônia, no período dos projetos de integrados de colonização da década de 1970, o que facilitou as invasões de suas terras principalmente de grileiros. Os Suruís nunca estiveram abertos ao contato com os povos “brancos”, fato este comprovado, pois jamais se deixaram evangelizar por missionários. Por esse motivo, os primórdios são marcados por conflitos, em sinal de defesa de suas terras, que eram invadidas ou ameaçadas.

Aleks Palitot
Professor e Historiador

Fonte - Aleks Palitot
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