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Sabado, 15 de Maio de 2021

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É IMPOSSÍVEL QUE VACINA TENHA CAUSADO SURTO DE MICROCEFALIA, DIZ INFECTOLOGISTA

Pediatra da Santa Casa de São Paulo desmente boato que circula nas redes sociais
Sexta-Feira, 19 de Fevereiro de 2016 - 09:22

Embora evidências científicas estejam à beira de comprovar de maneira definitiva a ligação entre o zika vírus e a microcefalia, ainda assim as redes sociais e aplicativos fervem semanalmente com boatos diversos, que sugerem que outras possíveis causas para a epidemia já teriam sido descobertas pelos médicos e viriam sendo mantidas em segredo do público em geral.

Entre as teorias da conspiração mais recentes, uma delas argumenta que a aplicação de vacinas em mulheres grávidas poderia ser a responsável pelos mais de 4.000 casos suspeitos de bebês com má-formação. O autor da denúncia, que se declara médico formado por universidades como a americana Harvard e UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), culpa a campanha de vacinação do Ministério da Saúde de novembro de 2014 em todo o Brasil pelos casos de bebês microcéfalos.

No entanto, para o infectologista da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo Marco Aurélio Sáfadi, trata-se de uma colocação leviana, já que a tese defendida na denúncia seria “impossível” do ponto de vista médico.

— É uma teoria desprovida de qualquer embasamento científico. Primeiro, porque a vacina que as gestantes recebem no Brasil é outra, e não a que ele alega. Aqui elas recebem a tríplice bacteriana contra difteria, tétano e coqueluche, que é a mesma aplicada em boa parte do mundo, em uma estratégia de vacinação adotada no Reino Unido, EUA e Argentina, por exemplo. Se isso fosse verdade, haveria o mesmo efeito nestes outros países. Segundo, pra que você tenha uma potencial teratogenicidade, que é a capacidade de produzir malformações congênitas no feto, ela teria que ser aplicada no início da gravidez e não no fim, quando o feto já está formado. Como a vacina tríplice é feita no terceiro trimestre, não há qualquer chance de isso acontecer.

O boato sugere, ainda, que mulheres em período fértil que foram imunizadas contra o sarampo também correriam o risco de posteriormente dar à luz bebês com microcefalia, já que a vacina contém vírus vivos da rubéola — outra informação sem credibilidade, afirma Sáfadi.

— O conceito de vacina é justamente este: usar o próprio vírus, só que atenuado. É assim com as vacinas sabin, rotavírus, caxumba, febre amarela e a própria contra o sarampo. Só que, se este boato fosse verdade, todas aquelas mulheres que contraíram estes vírus em sua forma “selvagem”, pegando a doença antes de se vacinarem, também produziriam fetos com este tipo de má-formação, inclusive com até mais chance do que as vacinadas, que receberam vírus atenuados.

De acordo com o infectologista, trata-se de uma vacina utilizada no Brasil há pelo menos 50 anos. Enquanto isso, as notificações de casos de microcefalia são recentes, e surgiram há apenas cerca de seis meses.

Além disso, ele reforça que já foram encontradas evidências do vírus na placenta, líquor e cérebro de bebês com a doença, o que é uma “documentação científica inequívoca” de que o vírus está diretamente ligado à microcefalia.

— Diversas sociedades científicas já se manifestaram condenando o que foi escrito por esta pessoa. Ficar dando espaço para isso desvia o foco da prevenção, faz com que mulheres deixem de se vacinar, o que, entre outras coisas, ainda aumenta os casos de doenças.

Fonte - r7

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