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Terça-Feira, 24 de Novembro de 2020

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A PRAÇA NÃO É DO BAÚ

A paisagem é um conjunto de formas que, num dado momento, exprimem as heranças que representam as sucessivas relações localizadas entre homem e natureza.
Sexta-Feira, 27 de Novembro de 2015 - 10:19

As praças são uma forma de paisagem, seja esta bem vista pela sociedade ou não. Paisagem que com o passar do tempo foi transformada pela natureza humana, ou mesmo esquecida por ela. Assim, “Paisagem e espaço não são sinônimos. A paisagem é um conjunto de formas que, num dado momento, exprimem as heranças que representam as sucessivas relações localizadas entre homem e natureza. O espaço são essas formas que a vida anima” (SANTOS, 1997, p. 83).

Com isso, além de espaço social e para o lazer, a praça possui um intem fundamental, o de resgate da memória histórica, não raro, nos oferta conclusões de suma valia para a orientação e comportamento do homem, notadamente por que uma das conclusões extraídas desse resgate através de uma praça, nos revela naturalmente que os ciclos históricos se repetem com alguma exatidão e as atitudes dos homens, em determinadas circunstâncias, são sempre as mesmas. Daí entendemos ser história uma fonte inesgotável de exemplos de vivência e convivência.

Assim sendo, as praças estão inseridas neste contexto, em que a paisagem deve ser valorizada e seus espaços bem estruturados e planejados. Caso contrário esses espaços, nesse caso, as praças, acabarão se tornando basicamente uma mercadoria, como aponta o geógrafo Santos: “o espaço uno e múltiplo, por suas diversas parcelas, e através do seu uso, é um conjunto de mercadorias, cujo valor individual é função do valor que a sociedade, em um dado momento, atribui a cada pedaço de matéria, isto é, cada fração da paisagem”. (SANTOS, 1997, p. 83).

É triste constatar que a cada geração é reproduzida equivocadamente o nome “Praça do Baú” por populares. A devida praça na avenida sete de setembro, corresponde na verdade ao personagem Marechal Cândido Rondon patrono do Estado de Rondônia. O erro foi provocado pelo costume popular, na forma de se fazer referência aquele lugar, a partir da existência de uma loja de vendas denominada Baú. Hoje o devido estabelecimento já não mais existe.

A Praça Marechal Rondon, construída na década de 30 do século passado, pela E. F. Madeira Mamoré, na fase pós – nacionalização, quando Aluízio Pinheiro Ferreira era o diretor da ferrovia, foi inaugurada no dia 15 de novembro de 1939 pelo diretor da Madeira Mamoré e o Prefeito Ferreira Sobrinho. Um busto em bronze de Rondon foi colocado em um pedestal de mármore.

Esse espaço público além de ter sido cenário de comícios políticos nas décadas de 50 e 60 do século passado, quando Ademar de Barros, Juscelino Kubitschek, João Goulart e Jânio Quadros pronunciaram discursos vibrantes pedindo votos, também foi local de encontro dos membros do Clube da Madrugada que tinha o popular Dionísio Xavier, o “Dió”, como um dos membros mais atuantes.

A praça deveria ser do povo. Mas que povo? Preocupante é o descaso dos gestores públicos com as praças de Porto Velho. Mas estarrecedor é a falta de conhecimento e pertencimento dos que aqui vivem com nossa identidade. O Povo.

As manifestações artísticas e culturais de um povo são expressas nas idéias e ideais do projetista que ao planejar uma praça ou até mesmo um jardim, expõe de forma clara e concisa os modismos e atualidades de uma época e de um povo. Os valores também são expressos nos traços culturais contidos nesses espaços públicos, que foram se alterando nos anos e no tempo. Muitos dos valores resistiram, outros modificaram e outros até se perderam.

O fato é que os tempos mudaram e com eles vieram novos hábitos e costumes assumidos pela população nas cidades de um modo geral, deixando a praça de ser um espaço prioritário, de recreação. Este fato, no entanto, não pode sinalizar que as praças, parques e os espaços verdes nas cidades devam ser colocados em segundo plano pelo poder público. Ao contrário, é necessário que se busquem caminhos para a implantação e a manutenção destes espaços, não apenas por serem ecologicamente importantes, historicamente imprescindíveis, e possuírem valores estéticos, mas, sobretudo por serem instrumentos de amenização da amplitude térmica nos centros urbanos. Outro fator que deve ser levado em consideração é o sentido homem/natureza/memória, sendo possível ampliar com as praças, as relações da população com a paisagem e sua história. Pois povo sem história não é povo, é bando.

Aleks Palitot
Historiador reconhecido pelo MEC pela portaria n° 387/87
Diploma n° 483/2007, Livro 001, Folha 098

Fonte - Aleks Palitot
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