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Quinta-Feira, 04 de Março de 2021

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A LAMENTÁVEL DECISÃO DA PARÓQUIA

A comunidade deveria ter sido consultada. Ninguém ergueu a voz, “curvaram-se ao peso da decisão unilateral da Paróquia, sem nenhuma sensibilidade histórica”.
Quinta-Feira, 29 de Outubro de 2015 - 12:00

Era uma casa. Mas, não era uma simples casa, era a casa da professora Maria Laurinda Groff. A professora Laurinda representa para a educação de Nova Mamoré, o que o educador Paulo Freire representa para o Brasil. Símbolo de conhecimento, compromisso, dedicação e sensibilidade pedagógica, a professora Laurinda foi e continuará sendo a estrela maior da constelação de professores que compõem o universo educacional de Nova Mamoré.

A professora Laurinda, aposentada em 1994, voltou para junto de seus familiares em Indaiatuba, São Paulo, onde reside e continua velando afetuosamente pela nossa educação e pelos amigos que aqui deixou.

Após sua partida, que nos entristeceu muito, além de seu exemplo, ficou como símbolo de sua belíssima e inspiradora História de vida, a casa onde viveu durante anos em Nova Mamoré. A casa era da Paróquia São Francisco de Assis, mas não a víamos assim, todos nós falávamos quando passávamos pela sua rua, “olha lá a casa da professora Laurinda”, era assim e deveria ter permanecido deste modo.

Mas infelizmente, uma lamentável decisão da Paróquia empobreceu nossa História, nos roubou laços e afetos que mantínhamos com aquela singela, simples e terna “casinha de tijolo aberto”, tão tênue e frágil como sua ilustre moradora de tantos anos. Porque derrubar um patrimônio que fazia parte de nossa identidade pessoal e coletiva. Nós que já somos tão pobres em “patrimônios”

Quem decidiu derrubá-lo, desconhecia a importância que a professora Laurinda representa para nós, seus ex-alunos, ex-professores e amigos. Aquela casa representava sua presença viva entre nós, era reconfortante e acolhedor vê-la altaneira velando a escola Casimiro de Abreu, do outro lado da rua, a escola da professora Laurinda.

A singela “casinha de tijolo aberto”, deveria ter sido tombada e transformada em um museu, aberto a visitações, onde ficariam expostos as memórias, livros, objetos pessoais, escritos, discos e vestimentas da professora Laurinda, ou ser instalado o  museu ou uma biblioteca  da própria  Paróquia. Onde conheceríamos um pouco da nossa própria História.

A professora Laurinda, católica fervorosa, levava uma vida quase monástica. Ao lado do padre Damião e da irmã Terezinha, lançou a pedra fundamental da Paróquia São Francisco de Assis.  Zelou e participou do crescimento da paróquia, frequentando diligentemente as missas e os eventos da igreja.

Ficaram apenas cacos de telhas e tijolos e o vazio de um tempo em que sentíamos com ternura a mão terna da professora Laurinda em nossos ombros, nos impelindo a  olhar com sensibilidade e pureza  o presente e a vislumbrar o futuro com sabedoria,  espinha ereta e  grandeza de alma.

Vamos dá um abraço “simbólico” e afetuoso na imagem da singela “casinha de tijolo aberto’, que existe em nossa memória e que pegou carona na cauda do cometa Halley e foi habitar outra galáxia. Acredito que lá ela se transformará em um belíssimo e hospitaleiro santuário de romeiros e peregrinos.

Autor: Simon O. dos Santos – Mestre em Ciências da Linguagem e membro da Academia Guajaramirense de Letras – AGL.

Fonte - Simon O. dos Santos

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