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Quarta-Feira, 24 de Fevereiro de 2021

DINHEIRO TRAZ FELICIDADE? NÃO, DIZ NOBEL DE ECONOMIA

Estudo publicado em 2010 por Angus Deaton, professor de Princeton vencedor do Nobel deste ano, fez correlação entre renda e índices de satisfação pessoal
Terça-Feira, 13 de Outubro de 2015 - 10:00

Dinheiro traz felicidade? A pergunta, combustível para algazarrentas conversas de mesa de bar, também tem sido objeto de estudos de alguns dos cérebros mais brilhantes do mundo. O professor Angus Deaton, da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, anunciado nesta segunda-feira como vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2015, é uma das mentes que já se dedicaram à questão. A conclusão do professor: dinheiro não necessariamente traz felicidade - mas a falta dele pode acentuar a angústia de quem já não anda muito animado.

Deaton escreveu sobre o tema em 2010, em parceria com Daniel Kahneman - também ele vencedor do Nobel de Economia, em 2002. No estudo publicado pela dupla, eles fizeram a correlação entre o nível de renda de diferentes estratos da população americana e uma série respostas sobre satisfação pessoal e bem-estar emocional colhidas entre 2008 e 2009 pelo Instituto Gallup. Ao longo desses dois anos, o instituto ouviu diariamente um grupo de mais de mil pessoas que moram nos Estados Unidos. Ao fim do levantamento, havia mais de 450 000 respostas para ser dissecadas.

Primeiro, escreveu Deaton, é preciso mostrar que existe diferença entre bem-estar emocional e avaliação de vida. Embora a diferença pareça ser apenas semântica, ela é fundamental para dar profundidade ao debate - e a confusão entre os conceitos é a origem de tantas pesquisas inócuas sobre o tema, afirma o professor. Bem-estar refere-se a sensações do cotidiano, como alegria, tristeza, raiva e estresse, e a avaliação de vida é a leitura "de fundo" que o indivíduo faz sobre si mesmo. "Como você estava ontem?" é uma pergunta sobre bem-estar. "No geral, você está satisfeito com a vida que leva?" trata de avaliação de vida.

Ao separar esses dois grupos de respostas e cruzar os dados com os diferentes níveis de renda, Deaton e Kahneman descobriram que pessoas que ganham bons salários aparecem com mais frequência entre as que têm uma avaliação positiva sobre suas vidas - mas não necessariamente se dizem felizes. "Nós concluímos", diz a pesquisa, "que renda alta compra satisfação de vida, mas não felicidade." O que não quer dizer que o dinheiro não seja um bom estimulante para o estado de espírito: na pesquisa, pessoas com renda muito baixa foram as que disseram com mais frequência estar insatisfeitas tanto com seu cotidiano quanto com sua vida em linhas mais gerais.

Deaton e Kahneman escreveram ainda que o grau de bem-estar é maior quanto mais alta é a renda, segundo as respostas da pesquisa, mas, a partir de uma renda de 75 mil dólares anuais (montante 25% maior que a renda per capita americana, que é de 55 mil dólares), o teor das respostas praticamente não muda. Em outras palavras: aumentar a renda indefinidamente não aumenta a felicidade indefinidamente.

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