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Domingo, 28 de Fevereiro de 2021

AGROECOLOGIA: UMA CONSTRU플O E PODERES

Palestra realizada pela Emater destaca importncia da troca de saberes entre os agricultores na agroecologia
Segunda-Feira, 05 de Outubro de 2015 - 14:27

A agricultura familiar tem por características apresentar uma grande diversidade de combinações tanto no que se refere à disponibilidade quanto ao uso e distribuição de terras, trabalho e capital investido nas suas unidades produtivas. Com base nessa característica, através da agroecologia busca-se sistematizar esforços para produzir um modelo tecnológico abrangente que seja socialmente justo, economicamente viável e tecnologicamente sustentável.

No intuito de inserir esse e outros conceitos acerca da importância da agroecologia para o desenvolvimento agrossustentável, o engenheiro agrônomo da Emater-RO, Marcos Antônio Machado levou a palestra “Agroecologia: uma construção de saberes” aos agricultores participantes da Portoagro - 1.ª Feira de Agronegócios e Tecnologia Rural Sustentável, realizada em Porto Velho, no período de 24 a 27 de setembro.

A palestra teve por base promover o intercâmbio dos agricultores, técnicos e setores afins através da construção de saberes e poderes, onde foi apresentada a evolução da agricultura no mundo ocidental desde a tradicional, passando pela introdução dos fertilizantes e pela revolução verde (agricultura convencional) com a inserção de tecnologias, até o momento atual com a valorização da biotecnologia, que caracteriza-se pela introdução de variedades de alta produtividade, selecionadas por métodos clonais e transgenia.

Segundo Marcos, a Agroecologia é hoje muito importante para o desenvolvimento sustentável, primeiro, pelos riscos e consequências da agricultura convencional. “Desde 2008, segundo o dossiê da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva), o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo”, diz o engenheiro agrônomo. E, segundo, pelo fortalecimento da proposta agroecológica.

De acordo com relatórios emitidos anualmente pela Federação Internacional da Agricultura Orgânica (IFOAM), em 2014 o Brasil se encontrava em 11º lugar em áreas com produção orgânica certificada totalizando 705 mil hectares. No início deste ano através de uma ação do Programa Brasil Orgânico junto a diversas certificadoras que atuam no Brasil um levantamento diferenciado foi realizado e o país passou a ser o segundo maior em áreas certificadas no mundo, totalizando mais de sete milhões de hectares. “São mais de 13 mil produtores envolvidos nesta produção”, comenta Marcos, explicando que a mudança ocorreu principalmente pela incorporação de extensas áreas de extrativismo certificado.

Construção de poderes

No mundo, numerosas pesquisas sobre os efeitos dos agrotóxicos eclodem a cada ano. A agregação das forças em prol do conceito de agroecologia, nascida em 1972 na França, aproxima as correntes e busca nivelar as normas técnicas para certificação influenciando governos e governantes, inclusive dando início aos Congressos Mundiais de Orgânicos que teve, em 2014, em Istambul, a sua 18.ª edição.

Em nível nacional o apoio vem crescendo gradativamente com a implementação da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PEAPO) e do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PLANAPO), que já está sendo discutido na construção do segundo plano. Outras ações, como a criação da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, na Câmara Federal, já aprovada, faltando passar por outras duas comissões para ser votada em plenária, e o projeto de lei que isenta e reduz a zero as alíquotas de COFINS e PIS/PASEP sobre receitas de vendas de produtos da agricultura orgânica também são de suma importância para o fortalecimento da agroecologia no país.

No campo estadual o ano também foi muito positivo. A Política Estadual de Agroecologia e Produção Orgânica foi assinada pelo governador Confúcio Moura e o Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural e Sustentável (CEDRS) criou a Câmara Setorial. Outras ações estão sendo elaboradas, inclusive na Assembleia Legislativa que conta com um projeto lei para a criação da Semana Estadual de Incentivo a Agroecologia para o período de 14 a 21 de outubro, a fim de incentivar e apoiar a atividade agroecológica no estado.

Marcos explica que, apesar de os dados não serem oficiais, levantamento feito junto às instituições e organizações sociais do campo mostra Rondônia com aproximadamente 1.500 produtores atuando com agroecológica e com produção estimada em 16 mil toneladas. Esses agricultores se encontram distribuídos em mais de 40 municípios e, cerca de 180 estão inseridos no Programa Aquisição de Alimentos (PAA) do governo federal em parceria com o governo estadual.

A Emater-RO, seguindo a proposta do Plano Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (PNATER), vem participando e realizando ações em favor da difusão das práticas agroecológicas e da construção da política pública estadual sobre produção orgânica. Neste sentido podemos citar a participação nas Chamadas Públicas de Ater em Agroecologia; na Ater executada pelas políticas públicas do Estado, com inserção de produtores agroecológicos nos programas de governo; apoio a grupos certificados; participação em instâncias públicas voltadas ao tema e em eventos públicos de diversas áreas que enfocam a agroecologia.

Também tem-se buscado incentivo através da capacitação dos extensionistas e na elaboração de materiais técnicos e divulgação do tema, como a Vitrine Tecnológica, apresentada durante a Rondônia Rural Show. Com a palestra proferida durante a Portoagro dá-se continuidade a um trabalho de troca de saberes e união de poderes na busca de um desenvolvimento sustentável que seja realmente justo e economicamente viável.

Fonte - Emater/ro

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