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Segunda-Feira, 01 de Março de 2021

DILMA REAFIRMA COMPROMISSO COM A META DE O,7% DO PIB EM 2016

Em meio a uma grave crise política, além da econômica, e recordes de baixa popularidade, a presidente rejeitou mais uma vez qualquer possibilidade de renúncia.
Quinta-Feira, 10 de Setembro de 2015 - 09:30

A presidente Dilma Rousseff afirmou que a meta fiscal de 2016 está mantida em um superávit primário de 0,7% e só será possível cobrir o déficit previsto na proposta do Orçamento do próximo ano se houver aumento de receitas com elevação de tributos. A afirmação foi feita em entrevista publicada nesta quinta-feira pelo jornal Valor Econômico. "Mantidos os compromissos que assumimos no PAC e olhando as demais, você não tem margem para cumprir 0,7% (de superávit primário), então, inequivocamente, teremos de ter ampliação da receita", afirmou.

Perguntada sobre o rebaixamento do rating do Brasil pela agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) para "BB+", o que significa a perda do selo de bom pagador, Dilma disse que "o governo brasileiro continua trabalhando para melhorar a execução fiscal e torná-la sustentável". "Você vai notar que de 1994 a 2015 só em sete anos, a partir de 2008, a nota foi acima de BB+. Portanto, essa classificação não significa que o Brasil esteja em uma situação em que não possa cumprir as suas obrigações. Pelo contrário, está pagando todos os seus contratos, como também temos uma clara estratégia econômica."

Segundo a presidente, é responsabilidade do governo "dizer onde, quando e como" se dará esse aumento de receitas, e isso ainda está sendo avaliado."Não fecha sem aumento de receitas", disse, acrescentando que o governo ainda vai "enxugar mais um pouco" os gastos. Ao jornal, a presidente informou que enviará ao Congresso nas próximas semanas medidas de aumentos de impostos e propostas de mudanças para viabilizar o enxugamento de despesas obrigatórias. Nos últimos dias, integrantes do governo têm falado sobre a possibilidade de aumento do Imposto de Renda das pessoas físicas, a criação de um imposto provisório e da elevação alíquotas de tributos, como a Cide. Mas Dilma avaliou que o aumento da Cide não seria suficiente e traria um forte impacto inflacionário.

Em meio a uma grave crise política, além da econômica, e recordes de baixa popularidade, a presidente rejeitou mais uma vez qualquer possibilidade de renúncia. "Eu não saio daqui, não faço essa renúncia. Não devo nada, não fiz nada errado. Acho que a popularidade da gente é função de um processo. De fato, a minha está bem baixa hoje... agora, eu acredito no futuro deste país. Acredito que vamos sair dessa dificuldade", disse.

Crescimento - Para Dilma, parte "fundamental" do equilíbrio fiscal é o crescimento da economia e um dos fatores que vai ajudar nisso é a expansão das exportações beneficiadas pela recente forte desvalorização do real, que tem um efeito inflacionário negativo mas vai estimular algumas indústrias no país. Ela disse que a parte do governo nessa retomada do crescimento está nos investimentos em infraestrutura e energia, razão pela qual estão sendo feitas várias concessões.

Procurando mostrar otimismo, a presidente disse que os sinais que apontam para a redução da inflação em 2016 junto com a recuperação estimulada pelas exportações deve criar um clima para a expansão maior do crédito e com isso aumentar a capacidade de consumo das famílias.

Equipe econômica - Dilma ainda fez questão de mostrar confiança no ministro da Fazenda, Joaquim Levy, depois de rumores recentes de que ele estaria para sair do governo. "O Joaquim tem a minha confiança. Ele tem uma qualidade inequívoca: é um cara do Estado brasileiro", disse. "É um funcionário público de alto nível, uma pessoa que olha o interesse do país."

E procurou minimizar os que apontam para desentendimentos entre uma maior ortodoxia econômica de Levy contra o desenvolvimentismo do ministro do Planejamento, Nelson Barbosa. "Estou na fase confuciana, eu sou a favor do caminho do meio e da harmonia. Não acho que exista isso de ortodoxia versus heterodoxia. É um falso problema", disse.

Reformas - Entre os problemas de longo prazo que precisam ser enfrentados pelo Brasil para garantir a sustentabilidade do equilíbrio fiscal, Dilma disse que é preciso "fazer uma reforma da Previdência intergeracional", e que isso está sendo discutido em um fórum.

No campo político, a presidente voltou a rejeitar desentendimentos com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu padrinho político e principal liderança de seu partido, o PT, e fez elogios ao PMDB. "O PMDB ajuda a governabilidade e tem muito boas lideranças."

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