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Quinta-Feira, 25 de Fevereiro de 2021

APESAR DE PETRÓLEO BARATO, CÂMBIO FAZ PETROBRAS TER PERDA

Analistas também lembram as indefinições em torno da Opep, que reúne os maiores exportadores de petróleo do mundo.
Quarta-Feira, 02 de Setembro de 2015 - 16:26

RIO E LONDRES Com a perspectiva de desaceleração da China e as incertezas em relação à estratégia dos países árabes para controlar o preço do petróleo, a cotação do barril do petróleo despencou ontem. O tipo Brent, usado como referência no mercado internacional, recuou 8,5%, para US$ 49,59 — o maior tombo desde maio de 2011, segundo levantamento do “Wall Street Journal”. A queda poderia ser uma boa notícia para a Petrobras, que importa petróleo para vender gasolina no Brasil. No entanto, a alta do dólar já causa perdas à estatal. Segundo cálculos do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE), em agosto (até o dia 24), a petroleira vendeu no mercado interno gasolina 5,8% mais barata em relação ao que paga no exterior.

De maio a agosto, a defasagem acumulada é de 9,1%. Já no caso do diesel, a estatal ainda soma ganhos: vende no Brasil o diesel 12,5% mais caro em relação ao preços no exterior. Entre maio e agosto, o ganho com diesel chega a 19,2%.

— Como o volume de vendas do diesel é bem superior ao da gasolina, no fim do dia a Petrobras ganha dinheiro. Como a gasolina está na cesta do IPCA e o diesel não, acaba que os impactos inflacionários se diluem — disse Adriano Pires, sócio fundador do CBIE, ao explicar que a Petrobras vende gasolina subsidiada.

OPEP DEVE MANTER PRODUÇÃO

Por isso, alguns bancos, em relatório, como o UBS, já falam da necessidade de aumento na gasolina neste ano. Além disso, a queda no preço do petróleo e o novo nível de câmbio fizeram o UBS cortar a estimativa de lucro da Petrobras em 2015 e 2016. Eduardo Velho, economista-chefe da INVX Capital Asset, lembra que a cotação do petróleo tipo Brent, usado como referência no mercado internacional, que se mantém em patamar próximo aos US$ 50 há meses, tende a cair ainda mais a curto prazo.

— A tendência é de queda no preço do petróleo. Como estamos começando o mês, a cotação da commodity tende a ficar ainda mais volátil, porque muitos investidores aproveitam para alinhar suas posições. Além disso, ainda há a China desacelerando de forma persistente, o que reduz a demanda futura, criando mais incerteza nos mercados — disse Velho, destacando que as altas nos últimos dias não fizeram o preço do petróleo mudar de patamar.

Analistas também lembram as indefinições em torno da Opep, que reúne os maiores exportadores de petróleo do mundo. De quinta a segunda-feira, o preço do petróleo acumulou alta de 25% — maior avanço para um período de três dias desde 1990. A alta foi motivada por especulações de que o cartel liderado pela Arábia Saudita poderia cortar parte de sua produção para regular os preços do produto. Essa possibilidade, no entanto, perdeu força ontem.

— Não há um sinalização clara da Opep em cortar a produção. Há ainda pressão dos investidores, que, depois de a economia americana mostrar forte reação no segundo trimestre, aumentaram as apostas de alta de juros nos EUA, o que acaba pressionando para baixo as moedas do países emergentes e a cotação das commodities — explicou Velho.

Em seu mais recente relatório, referente aos meses de julho e agosto, a Opep reiterou o posicionamento que vem adotando desde que os preços de petróleo começaram a cair: os países que não fazem parte do cartel deverão contribuir para estabilizar os preços, e não há “conserto rápido” para a instabilidade do setor.

Enquanto isso, o mercado também observa de perto os números nos EUA. Segundo pesquisa da Bloomberg, as reservas de petróleo americanas aumentaram em 900 mil barris na semana passada. O número oficial será revelado hoje pela Administração de Informação de Energia (EIA, na sigla em inglês).

Com estoque maior, espera-se uma queda na produção. Na segunda-feira, a EIA revisou a estimativa de produção nos EUA, de 9,53 milhões de barris por dia para 9,44 milhões de barris.

— Estamos esperando um freio na produção americana, mas não esperamos o mesmo da Opep — disse Stephen Schork, presidente do Schork Group, à Bloomberg News.

Fonte - OGLOBO

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