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Quinta-Feira, 04 de Março de 2021

É SÓ ATIRAR: NOS ESTADOS UNIDOS, ARMAS DE FOGO ESTÃO NAS MÃOS DE 90% DA POPULAÇÃO

Cerca de 300 milhões de civis têm armas, dentro população de 322,9 milhões de habitantes
Quinta-Feira, 27 de Agosto de 2015 - 08:26

O acesso às armas de fogo nos Estados Unidos é sempre questionado cada vez queocorre uma tragédia com a desta quarta-feira (26), quando o atirador Vester Lee Flanagan assassinou  dois jornalistas no estado da Virgínia. No país, perto de 90% de seus habitantes tem algum tipo de arma de fogo, segundo a instituição suíça Small Arms Survey.

São cerca de 300 milhões de civis com armas, dentro de uma população de 322,9 milhões, de acordo com o Fnuap (Fundo de População das Nações Unidas).

 

Mas a segunda emenda da Constituição americana, que permite o porte de armas aos cidadãos locais, tem se mantido como um item sagrado no cotidiano do país, cada vez que alguém ousa desafiá-la. É quase uma cláusula pétrea, aquela que nunca pode ser alterada.

Na opinião da cientista política Solange Reis, coordenadora do Opeu (Observatório Político dos Estados Unidos), projeto do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia, a permissão geral do porte de arma já perdeu há muito o sentido inicial, regido pela segunda emenda, baseada na proteção de colonos e fazendeiros contra outras milícias invasoras, nos séculos 18 e 19.

— Trata-se de um aspecto cultural da sociedade americana, um hábito que já não tem a ver com a garantia da defesa, mas que mantém o foco no amplo direito individual, com o estado sendo apenas um apoio a essa liberdade do indivíduo. Desta maneira, os Estados Unidos chegam a números assustadores em relação ao porte de armas.

Os altos índices de porte de arma, segundo Solange, tem relação com a sequência de crimes praticados por cidadãos americanos, como no caso do atirador de Virgínia, que matou a repórter Alison Parker, de 24 anos, e o cinegrafista Adam Ward, de 27 anos, em transmissão ao vivo pela da emissora WDBJ7 TV. Quando cercado pela polícia, Flanagan atirou contra si e morreu no hospital.

— Há pesquisas que contestam essa afirmação, mas, na minha opinião, a facilidade ao acesso às armas logicamente acaba provocando a ocorrência mais frequente deste tipo de crime, em que um desajustado começa a atirar em várias pessoas.

Além disso, segundo ela, o fato de possuir uma arma dá margem a qualquer pessoa tomar uma atitude intempestiva e, num arroubo de ódio, atirar contra um desafeto sem medir as consequências.

— Esses ímpetos de ódio podem acontecer a qualquer um e, com uma arma acessível, as chances de um crime aumentam.

Apesar de cada estado ter uma certa autonomia em sua legislação, neste caso, a Suprema Corte do país sempre bloqueia qualquer tentativa de proibir ou restringir o porte de armas em território americano, conforme reforça Solange.

— Esses casos que aparecem na mídia são uma pequena porcentagem do que ocorre nos Estados Unidos. Por ano, há mais de 40 crimes deste tipo no país. Todos sabem sobre essa situação de risco, mas legalmente há o amparo da Constituição e qualquer um que tenta esbarrar nesta emenda não é bem-sucedido.

Além dos aspectos cultural e legal, Solange ressalta que o lobby da indústria de armamentos  é um dos mais atuantes no país, movimentando bilhões de dólares para manter seus interesses intactos junto a várias instituições.

— É um dos lobbies mais fortes em termos de política doméstica. Na época do referendo sobre a comercialização de armas no Brasil, em 2005, pelo que eu soube na época, este lobby americano influenciou na decisão a favor da comercialização, após um momento inicial em que, pelas pesquisas, a proibição estava em vantagem.

Taxa de homicídios

Até mesmo o presidente Barack Obama se queixa constantemente da dificuldade em abrir algumas brechas na lei, sem conseguir criar, por exemplo, restrições em relação a pessoas com comprovados distúrbios emocionais ou perfil violento. Nem o rastreamento da arma é facilitado.

O coronel José Vicente da Silva Filho, ex-secretário nacional de Segurança Pública no Brasil, durante a presidência de Fernando Henrique Cardoso, acredita que, mesmo com a grande porcentagem de americanos com armas, o índice de homicídios no país não está entre os mais altos do mundo.

— Nos Estados Unidos há mais de 200 milhões de armas e no Brasil, 16 milhões. Mas o número de homicídios a cada 100 mil habitantes no Brasil, em torno de 30, é seis vezes maior do que o dos Estados Unidos, em torno de 5, segundo dados da ONU. Isso se deve principalmente à impunidade no Brasil.

Fonte - r7

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