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Segunda-Feira, 01 de Março de 2021

SETE EM CADA 10 CRIANÇAS DE ATÉ 2 ANOS CONSOMEM BISCOITOS E BOLACHAS

Outro problema é que nessa fase, os bebês ainda estão desenvolvendo o paladar e o contato com esse tipo de alimento vai dificultar a aceitação de verduras e legumes
Segunda-Feira, 24 de Agosto de 2015 - 10:21

Agitação, nervosismo, sono ruim e alimentação precária. Parecem até sintomas de uma doença, mas essas são as consequências da ingestão excessiva de açúcar por bebês pequenos. Mascarado em alimentos industrializados, como biscoitos e suco, esse açúcar causa um grande prejuízo à saúde dos pequenos. E o mal é bem comum entre os bebês brasileiros.

Levantamento feito pela Pesquisa Nacional de Saúde, divulgada hoje (21), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que quase 70% das crianças com menos de 2 anos de idade comiam biscoitos, bolachas ou bolo e 32,3% tomavam refrigerante ou suco artificial, em 2013.

Segundo a nutricionista Andressa Nascimento, o açúcar de sucos e refrigerantes atinge a corrente sanguínea muito rapidamente e o corpo precisa produzir uma quantidade grande de insulina para processá-lo. Esse pico insulínico, de acordo com ela, favorece o acúmulo de gordura no tecido adiposo e gera um ciclo vicioso pela necessidade de mais açúcar.

“Depois desse pico, a falta de açúcar no sangue gera irritabilidade e uma sensação de que se precisa consumir mais açúcar. Se preciso consumir mais açúcar, tenho mais fome e vira um ciclo que tende a ficar cada vez mais intenso. Um bebê obeso tem uma probabilidade maior de desenvolver diabetes, pressão alta e doenças cardíacas na fase adulta”.

Além disso, ela ressalta que o açúcar eleva a dopamina, que é um hormônio que dá sensação de bem-estar, mas que também tem pouco tempo de duração e a tendência é reforçar a sensação de necessidade de mais açúcar. Ou seja, cria-se uma dependência na criança. “É um efeito muito similar ao da cocaína ou heroína no sistema nervoso. Esse sobe e desce hormonal está também ligado ao aparecimento da hiperatividade com redução na capacidade de concentração e irritabilidade”, salienta.

Outro problema é que nessa fase, os bebês ainda estão desenvolvendo o paladar e o contato com esse tipo de alimento vai dificultar a aceitação de verduras e legumes, que não são tão atraentes.

Os refrigerantes, na opinião dela, são especialmente danosos, porque além dos malefícios do açúcar ainda contêm ácido fosfórico, que atrapalha a absorção do cálcio necessário para o desenvolvimento da estrutura óssea; cafeína, que interfere na qualidade do sono (que, por sua vez, está diretamente ligado ao desenvolvimento e à maturação dos órgãos); substâncias cancerígenas (formaldeído e benzoato de potássio) e os corantes artificias, que estimulam a produção de radicais livres e consequentemente o envelhecimento precoce.

Não existe recomendação de uma quantidade mínima de refrigerante, segundo a nutricionista, pois é um alimento que não deveria ser consumido. “É claro que, eventualmente, a criança vai consumir porque convive com outras crianças, porque frequenta festinhas, mas o ideal é não ter em casa nem ser usado como recompensa”, orienta ela.

A metade das crianças participantes da pesquisa tinha nove meses ou mais e estava em aleitamento materno de modo complementar. Foram consultados 64 mil domicílios no estudo, feito em parceira com o Ministério da Saúde.

Fonte - ebc

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