News Rondônia Notícias de Rondônia, Brasil e o Mundo
Terça-Feira, 01 de Dezembro de 2020

DEVANEIOS DE ANTONIO ALVES

Numas salas apertadas em cima de um supermercado, com pauta diária do patrão, prefeito à época.
Quarta-Feira, 29 de Julho de 2015 - 10:50

Era agosto de 2011 quando recebi a crônica que deveria ser lida hoje. Eu, como repórter ou já editora da página da Capital no Diário da Amazônia. Me chegou por e-mail o que o amigo jornalista Antônio Alves pediu que lesse quando batesse as botas. 

Era esse seu linguajar, coloquial, direto, franco. 

Não pensei que chegaria tão rápido esse dia. Chegou. 

Estou muito triste com a partida do amigo que se lançou comigo numa missão difícil, montar na virada do milênio, a primeira equipe de jornalismo do que hoje é a RedeTV. Eu, editora e apresentadora e ele, o chefe de jornalismo. Numas salas apertadas em cima de um supermercado, com pauta diária do patrão, prefeito à época. 

Ah, como bebemos e recitamos poesias pra viver todo aquele desconforto...
No fim, uma aventura pra ele, pra mim, uma escola com ele. 
Esse texto traduz o que Toniquinho diria se pudesse, ao nos ver tristes por sua partida. 

Só faltou concluir com: tá tudo uma bbostaaaa isso aqui! Vou viajar e não me impeçam!

Ensaio sobre a tolice

Há 60 anos tento me adaptar a isso tudo

Ora eloquente, ora mudo

E como o tempo não dá tempo ao tempo

Perdi meu tempo

Nada fiz, nada sou, nada sei

Meu filho, minhas filhas, minhas netas

Milagres da genética

Plantei a tal árvore

Mas o livro não escrevi não 

Oportunidades em turbilhão

Não posso me queixar

Mas como segurá-las

Com estas mãos de sabão?

Vão como vêm

Num piscar de olhos passou o trem

Nessas décadas de ostracismo

Faltou-me pragmatismo

Por que não fui vereador,

Deputado ou senador?

Quem sabe chegasse até a governador?

Mesmo por dez dias, era pensão garantida

Gorda e pra toda a vida

Quis ser jornalista e deu no que deu

Ou seja, não deu

Fui ingênuo total

Pois o rei nunca está nu

No jornalismo oficial

Pra encurtar a História

Sou parte da escória

Que espera paciente e ordeira

Pelas migalhas que sobejam

Na ordem, o progresso vem sem coleira

Aí o gigante pela própria natureza não te incomoda

Pode permanecer deitado em berço esplêndido

Não preciso dos podres poderes

Mas preciso dos dinheiros podres

Caso queira sobreviver

Se é pra ir vamos agora

Cada um faz sua hora

Estou pronto pra viajar

João Antonio, chama a Mariana, Camila e Flora!

Luisa, acorda a Beatriz, Gabriela e Maria Clara!

O trem da esperança vai passar

A viagem é sorrateira

Mas não guardo mistério

Por não temer cemitério.

Ä meia-noite quebra o encanto

Aí eu corro para o abrigo

Pra esconder tristeza e pranto. 

Antonio Alves – PVH 21/01/2011

Fonte - Zé Katraca

Comentarios

News Polícia

Editoria de Cultura

Editoria Geral

Siga-nos:

POLÍTICA PRIVACIDADE

Todos os direitos reservados. © News Rondônia - 2020.