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Sexta-Feira, 04 de Dezembro de 2020

PREÇO DE FRUTAS DESCASCADAS E CORTADAS NA BANDEJA PODE COMPENSAR

O público-alvo é de consumidores que moram sozinhos ou em família pequenas e pessoas em busca de uma alimentação mais saudável nos intervalos do trabalho.
Segunda-Feira, 20 de Julho de 2015 - 11:07

Comprar a fruta cortada, descascada e embalada nem sempre sai mais caro que sua correspondente natural. A Folha visitou alguns supermercados em São Paulo para pesquisar.

O preço do quilo do abacaxi pode ser 21,4% superior que sua versão fatiada e descascada em uma unidade do supermercado Pão de Açúcar da capital paulista. No St Marche, a melancia natural é 56% mais cara que a vendida em tiras na bandeja.

O debate sobre a "gourmetização" das frutas dominou as redes sociais na semana passada, após um internauta publicar no Twitter a foto de uma mexerica —bergamota, tangerina ou até mimosa, dependendo da região— comercializada sem casca e em gomos em uma unidade da rede Carrefour no Paraná. Nesse caso, houve aumento no preço do quilo, que passou de R$ 2,49 a granel para R$ 2,89 processada.

O Carrefour afirma, em nota, que disponibiliza frutas em porção em algumas unidades "em atendimento à crescente demanda dos consumidores por conveniência."

O Pão de Açúcar explicou que, dependendo da negociação com fornecedores, consegue para os processados preços similares ou próximos aos dos produtos em suas versões inteiras. O St Marche não se posicionou sobre a diferença de preços.

Para Marcelo Secemski, diretor comercial da Fruits Express —empresa que entrega frutas picadas e prontas para consumo em São Paulo—, a ação é uma estratégia para desovar estoques e evitar a perda de produtos com prazo de vencimento próximo. "Frutas são muito sensíveis e perecíveis. Pode ter chegado um carregamento de abacaxi grande, por exemplo, e ficar com o produto é prejuízo para o estabelecimento. Por isso, eles criam atrativos para o cliente comprar."

Paulo Pompilio, vice-presidente da Apas (Associação Paulista de Supermercados), diz que todo produto processado tem valor agregado e, por isso, é mais caro. Ele credita a existência de frutas fatiadas mais baratas que as naturais ao sistema "oferteiro" do varejo brasileiro.

Adriano Amui, professor da ESPM-SP, explica que o consumidor, em geral, rejeita frutas com cascas manchadas ou feias, ou até quando um pedaço da polpa está estragada. "Como só as partes boas do produto são aproveitadas, o varejo cobra mais barato porque está vendendo algo que seria perdido", diz.

Ele também pondera, no entanto, que a mão de obra envolvida no serviço e a embalagem necessária deveriam tornar o produto mais caro. "Acredito que seja um teste de mercado para criar um hábito de consumo. Se a população aderir, os preços vão subir".

Segundo Pompilio, os alimentos processados ainda são um nicho de mercado pequeno, mas vêm ganhando espaço nas prateleiras. No Pão de Açúcar, é crescente a demanda por saladas cortadas, frutas picadas e produtos de rotisseria.

O público-alvo é de consumidores que moram sozinhos ou em família pequenas e pessoas em busca de uma alimentação mais saudável nos intervalos do trabalho.

"É o reflexo da vida moderna, as pessoas não têm mais tempo de preparar a comida em casa. Parece exagerado, mas há mercado", diz Eugenio Foganholo, diretor da Mixxer, consultoria especializada em varejo e bens de consumo.

Além da praticidade, a possibilidade de ver o estado da fruta por dentro antes de comprar pesa na escolha. "O mais importante é a certeza de levar um produto bom, sem correr o risco de estar estragado", diz Foganholo.

Foi o que pensou o professor aposentado Paulo Vick, 74. "A outra [natural] tem aparência de fermentada, essa consigo ver que está belíssima", comenta ele sobre as duas bandejas de melão fatiado em sua cesta.

Fonte - folha de são paulo

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