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Terça-Feira, 26 de Janeiro de 2021

SEVERINO COSTA – O PALÁCIO DAS ARTES JÁ TEM ALVARÁ

De repente se viu Gerente de Cultura do Sesc formou-se em administração e foi ser professor numa faculdade particular. Foi então que recebeu o convite para dirigir a Funpar.
Domingo, 05 de Julho de 2015 - 12:42

O administrador Severino Costa assumiu a presidente da Fundação Palácio das Artes Rondônia – Funpar em plena polêmica da liberação do Alvará de Funcionamento do Teatro, uma pendenga que durou exatamente nove meses após a inauguração da casa de espetáculos. O Paraibano Severino que chegou a Porto Velho em meados da década de 1980 com a intenção de trabalhar na Cia Aérea VASP terminou mesmo, foi como caixa do Bradesco.

De repente se viu Gerente de Cultura do Sesc formou-se em administração e foi ser professor numa faculdade particular. Foi então que recebeu o convite para dirigir a Funpar. Apresentou seus projetos ao governador Confúcio Moura e no final do mês de junho, foi publicada no Diário Oficial sua nomeação como Presidente da Fundação Palácio das Artes Rondônia – Funpar. Depois de sanar o problema do Alvará, Severino agora pode correr pro abraço porque as pautas estão sendo solicitadas, inclusive por Cias do Sudeste. “Estamos de braços abertos para receber os espetáculos no nosso Teatro”

ENTREVISTA

Zk - Severino José da Costa Neto. De onde é que vem esse sobrenome?

Costa – É uma homenagem ao pai do meu pai o seu Severino José da Costa. Em 1987 vim para Porto Velho na esperança de trabalhar na VASP era meu sonho. Quando desembarquei aqui, com três dias, a VASP fechou as portas.

Zk – E então?

Costa – Continuei na terra reclamando como todos que aqui chegavam, do calor e da poeira. Com 30 dias fui trabalhar no Bradesco onde me solidifiquei, gostei do serviço e fiquei quase cinco anos. Quando aqui cheguei tinha apenas o 2º Grau e era o camarada mais graduado dentro do Banco. Naquele tempo o Bradesco tinha cartolina nas portas pedindo funcionário.

Acontece que todo mundo, ou estava no governo ou no garimpo, ninguém queria trabalhar em comercio, banco. Passando em frente a agencia vi aquele cartaz oferecendo emprego, entrei conversei com o Cícero que era o Gerente Administrativo e ele me mandoueu voltar pra trabalhar na segunda feira. Comecei como caixa e sai como subgerente de pessoa jurídica.

Zk - O contato com o segmento cultural?

Costa – Já cheguei com esse contato la da Paraíba onde participei de grupos teatrais na época dos militares quando tudo era proibido. A gente fazia espetáculos de portas fechadas, porque tinha o sensor federal que proibia tudo, não podíamos dizer nem merda que o texto era cortado. Na hora do espetáculo eles entravam bagunçavam tudo. Aqui voltei a me envolver com artes através do Sesc.

Zk – Você assumiu o que no Sesc?

Costa – Fui gerente de cultura. Quando estava como gerente de cultura o pessoal que trabalhava com cultura no Sesc reclamava que não tinha apoio administrativo para a coisa funcionar, acontece que os projetos eram iguais para o esporte, cultura pra tudo e eu voltei meu olhar para a cultura de novo. Na época a coordenadora de cultura era a Mariângela eu passei a facilitar as coisas. Depois entrou o Fabiano que acrescentou muito. Depois fui para o Senac e de lá para a Uniron.

Zk – Qual sua graduação?

Costa – Me formei aqui em Porto Velho na Faculdade do Porto – FIP e fiz pós-graduação na Faculdade Católica em Gestão de Pessoas e Metodologia do Ensino Superior.

Zk – Quem foi que fez o convite para você assumir a presidência da Fundação Palácio das Artes Rondônia – Funpar?

Costa – Alguém que não sei quem foi me indicou para a Secel e eles entraram em contato comigo e tivemos a primeira conversa se eu aceitava o desafio. Depois disso nos reunimos com o governador Confúcio Moura e apresentamos as propostas que pretendemos desenvolver a frente da Funpar ele aprovou e me nomeou presidente da Entidade que vai gerir as atividades do Palácio das Artes Rondônia e o Guaporé.

Zk – Quem é quem na estrutura administrativa da Funpar?

Costa – Sou o presidente, a Gilca Lobo é a Diretora Técnica/Artística e o Ibraim o diretor Administrativo e Financeiro. No organograma tem a Assessoria de Comunicação e a Assessoria de Marketing e Publicidade e tem ainda a Comissão de Pauta formada pela Sociedade Civil Organizada que nos ajuda a deliberar todas as quartas feiras à tarde, as pautas dos espetáculos que passam a fazer parte da programação do Teatro.

Zk – Você assume em meio à polêmica da liberação do Alvará. Como administrou o problema?

Costa – A primeira coisa que procurei ter ciência, era onde estava o gargalo e esse gargalo estava no Habite-se, então o superintendente Rodnei Paes da Secel, me apresentou o Josafá Marreiros diretor do Deosp o órgão responsável pela documentação exigida para prefeitura liberar o Habite-se, conversei também com o pessoal da prefeitura e na outra semana, os técnicos municipais providenciaram a vistoria e expediram o Termo comprovando que a Funpar estava apta a receber o Alvará. Quinta feira passada o Alvará foi expedido e agora o Teatro Palácio das Artes Rondônia e o Teatro Guaporé já podem receber eventos com cobrança de ingresso.

Zk – A taxa paga à prefeitura para liberação do Alvará é mesmo de mais de Duzentos Mil Reais?

Costa – Não! A taxa que o governo do estado recolheu à prefeitura de Porto Velho pela liberação do Alvará foi um pouquinho acima de R$ 30 Mil. Aquela de mais de 200 Mil é sobre outro assunto que o governo está resolvendo e não diz respeito à liberação ou não do Alvará de Funcionamento do Teatro.

Zk – E a polemica com o balé Russo?:

Costa – Na verdade os produtores do balé nunca nos procuraram solicitando o Teatro para apresentar o “Lago dos Cisnes”. Nós ficamos sabendo que eles viriam se apresentar em Porto Velho através das redes sociais e da mídia de modo geral. Num primeiro momento sentei com a equipe da Funpar e falei, vamos aguardar pra ver se eles entram em contato com a gente para falarmos que caso eles queiram utilizar o teatro para realizar o evento, não poderiam cobrar ingresso, porque a casa ainda não tinha o Alvará de funcionamento. Depois fiquei sabendo que eles já tinham certado com a Talismã e então surgiu o movimento: Por que não no teatro? A resposta já estava pronta, porque eles não nos procuraram e se procurassem não poderíamos ceder o espaço em virtude da cobrança de ingresso e da falta do nosso Alvará de funcionamento. Tudo isso teve seu lado positivo, pois, creio se não fosse o balé Russo o Alvará não teria saído.

Zk – Qual a influencia do Cia Russa na liberação por parte da prefeitura do Alvará?

Costa – Principalmente o questionamento via redes sociais, por que a apresentação do balé não poderia ser no Palácio das Artes? Com isso aconteceu um corre-corre dentro da administração estadual no sentido de resolver o mais urgente possível a questão. Até o governador se manifestou através de seu blog e então o secretário do DER entrou na parada procurando os órgãos da prefeitura responsáveis pela expedição do documento e o negócio foi resolvido. Porém não resta dúvida, que se não fosse a vinda do balé Russo à nossa cidade, o Alvará não seria expedido tão cedo.

Zk – é verdade que com menos de 24 horas da liberação do Alvará muitos pedidos de ocupação do teatro para realização de espetáculos chegaram à direção, inclusive de Companhias do Sudeste?

Costa – É verdade! Algumas Companhias do Rio de Janeiro e São Paulo já solicitaram pauta para apresentações. Inclusive era nossa pretensão ir até esses estados divulgar a existência do nosso teatro e para minha surpresa eles estavam acompanhando o desenrolar do processo de liberação da casa na questão do Alvará e assim que souberam que a gente estava com o documento em mãos, começaram a telefonar, enviar mensagem solicitando o espaço para suas apresentações.

Zk – O que é preciso para um grupo utilizar o Teatro Palácio das Artes e o Guaporé?

Costa – Existe o Estatuto e o Regimento Interno da Funpar que foi aprovado pelos deputados estaduais, junto com a criação da Fundação que nos obriga a cumprir algumas etapas para o uso do espaço. Os artistas têm que se acostumarem com a burocracia administrativa que existe, que nada mais é do que um Ofício de solicitação de pauta, acompanhado de um projeto técnico detalhado do evento, ficha técnica e público alvo e preencher o formulário com solicitação de pauta que vai servir pro nosso cadastramento.

Além disso, o Grupo ou Cia produtora tem que solicitar junto à prefeitura o Alvará daquele evento, seja concerto musical, stand up, peça teatral, enfim, tem que ter o Alvará da prefeitura. Essa exigência está contida na Lei municipal 190.

Zk - Para encerrar. Você falou que assim que saiu o Alvará muitos grupos do eixo Rio/São Paulo ligaram solicitando pauta. Quais as solicitações?

Costa – Muito show de Stand Up, peças infantis, musicais, banda coover dos Beatles. A Renata Sorrah já havia solicitado o espaço para apresentar um monologo e a Silvia Pfeifer.

Zk – Mais alguma coisa a acrescentar?

Costa – Só lembrar que isso aqui é uma casa de espetáculos artísticos e culturais, não de palestras. É vedado para o uso de cultos religiosos, reuniões políticas partidárias. Estamos de braços abertos para receber todos os grupos organizados que promovem cultura no estado de Rondônia e no Brasil!

Fonte - Zé Katraca

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