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Sexta-Feira, 27 de Novembro de 2020

PARECE QUE FOI COMIGO

Um até logo a uma moça bonina e serelepe!
Segunda-Feira, 29 de Junho de 2015 - 17:38

Prof. Peixoto [cunhado]

Parece que foi comigo, como se fosse à partida de minha irmã. Pode não parecer mais eu sinto muito mesmo! Sei o que é depressão porque convivo com uma. Sei o que é ausência do sentimento de não pertencimento, de deslocamento. Sei o que significa distância mesmo quando estamos pertos. Sei quando não estou visível diante de vários olhos. Num mundo sem beleza, ou mais precisamente equivocado do sentido do belo, até o bom e o bem perderam sua força. Sei o quanto a feiura do mundo ao nosso redor incomoda. Sem graça, sem luz, sem Só não desisti ainda porque ainda não fui totalmente esvaziado absolutamente da capacidade de ainda enxergar alguma graça nesta vida: minha esposa, meus filhos, as pouquíssimas pessoas que ainda me veem: meus poucos amigos que acredito ter e dos livros que me fazem companhia. Não sei a razão, mas, é esta graça que me sustenta! Creio que é isso que me faz ver alguma beleza na vida confirmando o que Rubem Alves dizia: "Só a beleza salva!" Vou lembrar sempre da Claudia Justino da Cruz, porque, apesar de sua triste partida, me proporcionou sem saber e de forma desinteressada alguns momentos de sapeca alegria ao me tratar não como um cunhado, mas como um amigo. Lembrarei sempre dela porque estou casado com alguém que foi irmã dela: minha esposa.

Lembro-me bem de quando fui pedir sua irmã em casamento como você era. Cabelos grandes, volumosos e soltos e loiros e de sorriso fácil. Ao te ver pela primeira vez lembrei-me de Karina minha irmã. Depois, quando você teve a Lairine, eu vi o quanto você fez para manter a sua primeira família, o quanto teve que suportar para preservar sua paixão. Mesmo não conseguindo, manter conseguiu superar mantendo seu largo sorriso. Depois, lembro quando você encontrou a felicidade ao se encontrar com Beto, o marido que você desejou e amou. Quantas vezes você e ele nos acolheram a mim e minha família sempre que íamos a sua casa! E as belas meninas que você e ele trouxeram ao mundo? Como lembram você! Todas elas serão o seu legado e a sua principal marca de passagem neste mundo. Como esquecer aquela vez que você, Agatha e a Lairine foram a minha casa compartilhar da sua presença entre nós? Você tacou um apedra na porta dizendo: acorda gente! Só poderia ser você mesmo Cláudia. Mesmo adulta nunca deixou de ser a menina serelepe de quando era criança.

E pensar que você já lutava em seu íntimo contra a feiura do mundo, contra a falta de graça das adversidades com as quais temos de conviver. Sua alegria foi sim um esforço enorme de vencer a tristeza, a rotina e o sentimento de solidão. Fez o possível para que a vida valesse a pena, mas a depressão foi mais forte. Ela fica a espreita esperando a oportunidade para nos esvaziar de tudo que nos sustenta de pé e que nos dá alegria. Aos poucos as flores não exalam mais aquele perfume de antes; os jardins por onde passeamos vai perdendo aquela graça. Aquela manga chupada já tem mais aquele sabor; o céu vai deixando de ser azul e o peso da alma vai aumentando.

A tristeza de sua partida só não será para sempre sentida porque você deixou Beto, Lairine, Agatha e a Maria como motivo de alegria. Oxalá que exista algum lugar bonito e que você tenha para lá partido. Quiçá nos encontremos algum dia por lá. Enquanto isso sua memória por aqui sempre estará para nos consolar minha serelepe cunhada amiga!

Fonte - Moisés Peixoto

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