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Quinta-Feira, 03 de Dezembro de 2020

CENÁRIO DE CAOS NO DILMA ROUSSEFF

Vários imóveis foram demolidos pelos funcionários do DER e a energia do local foi cortada.
Sabado, 27 de Junho de 2015 - 15:00

Por Emerson Machado
Diário da Amazônia
Fotos: Roni Carvalho

O cenário ainda é de caos na comunidade Dilma Rousseff. Depois das cenas de guerra protagonizadas pela polícia e pelos moradores na última quinta-feira, foi dado um prazo de 48 horas para que as famílias se retirem do local e encontrem outro lugar para viver. De acordo com dona Maria Francisca Santos, aposentada que teve a casa em construção demolida esta semana (hoje vivendo em um barraco improvisado de madeira), a ação dos militares foi de extrema violência e desrespeitosa.

Dona Maria Francisca conta que muitos moradores foram alvejados com balas de borracha, mas que até balas de armas letais foram disparadas. “O meu sobrinho levou um tiro na coxa de bala de verdade, chegou a atravessar. Foi uma guerra, chegaram do nada, sem aviso e simplesmente começaram a derrubar tudo e demolir nossas casas”, conta a aposentada. Ela afirma que não recebe dinheiro do programa de transferência de renda da Secretaria de Estado de Assistência Social (Seas), pois, segundo ela, a promessa deste auxílio “é uma mentira”.

No entanto, duas funcionárias da Seas estavam no local fazendo um levantamento com as famílias que ainda permaneceriam nas residências. Uma delas é Ana Carolina Moraes, que confirmou a existência do programa de transferência de renda.

“Algumas famílias não estão recebendo o dinheiro [R$ 400 para ajudar no aluguel] porque não entregaram a documentação necessária para que possamos efetuar os repasses”, explica Ana Carolina. Ela revela que, apesar de quase ninguém da comunidade afirmar, são poucas as famílias que estão desamparadas – justamente por causa da documentação.

Estação de Tratamento

A área está destinada à construção da primeira Estação de Tratamento de Esgoto (ETA) de Porto Velho, com previsão de atender a mais de 230 mil pessoas a partir do seu funcionamento, foi a única viabilizada tecnicamente para a implantação para tratamento do esgoto sanitário da zona Sul.

A obra está avaliada em R$ 500 milhões e faz parte dos recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Prazo de quarenta e oito horas para sair da área

Segundo os próprios moradores ouvidos pela reportagem do Diário, os policiais informaram que eles tinham 48 horas para deixar o local, pois segunda-feira (29) os tratores entrariam novamente na comunidade para colocar o restante das residências abaixo. Cena que já pôde ser vista ontem, pois tratores do Departamento de Estradas e Rodagens (DER) derrubavam casas que estavam vazias.

Entretanto, moradores alegaram que duas casas foram derrubadas mesmo ocupadas ainda. O clima de tensão era pesado enquanto os tratores destruíam paredes e residentes filmavam tudo com os celulares, a fim de terem como provas as imagens da ação. “Temos crianças aqui. O que elas podem pensar da polícia e do governo que vieram tirá-las das próprias casas com tiros e bombas? E os idosos que passaram mal no meio de toda a confusão? É muito triste. Fomos tratados como bandidos”, finalizou dona Maria Francisca.

Bombas, tiros e correria

Esmeraldina dos Santos, que passou a noite em claro com medo de ter a casa derrubada enquanto dormia, conta que não consegue tirar da cabeça o barulho das bombas, dos tiros e dos gritos no meio da correria que aconteceu quando a polícia usou da força para reprimir a população. “Eles [a polícia e o governo] estão passando por cima de uma decisão federal, pois o desembargador [federal Jirair Aram Megueriam] nos concedeu este local por tempo indeterminado. Então foi uma grande falta de respeito com a decisão e com os seres humanos que vivem aqui”, afirma.

Trancada dentro de casa, Esmeraldina ainda diz firmemente que não deve sair da residência que lutou tanto para construir. “Eu não vou sair da minha casa, principalmente com esta falta de respeito que estão fazendo com a gente. É importante que lutemos na justiça com todas as nossas forças, pois não podemos deixar que eles [a polícia e o governo] passem por cima do que um órgão federal nos assegurou”, desabafou.

Dona Maria Francisca, que é vizinha de Esmeraldina, também não sabe para onde ir. Ela conta que o salário-mínimo que recebe como aposentadoria não cobre os gastos para comprar um terreno e construir uma nova casa ou comprar uma já pronta. “Também não conseguiria viver de aluguel a esta altura da vida. É muita humilhação ter que sair daquilo que construímos com tanto esforço para ser destruído pelos tratores do governo”, comentou.

Fonte - Emerson Machado

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