MAIS DE MIL PESSOAS PARTICIPAM DA SEMANA DE ENFRENTAMENTO AO USO DE DROGAS EM RO

A coordenadora do evento, Carla Mangabeira, psicloga e diretora executiva da Sepaz, informa que o evento nacional Semana de enfrentamento ao uso de lcool e outras drogas, est na sua quarta edio em Rondnia.
Quarta-Feira, 24 de Junho de 2015 - 11:07

Na manhã dessa terça-feira (23), no segundo dia da ‘Semana de enfrentamento ao uso de álcool e outras drogas’ o auditório da Universidade Norte do Paraná (Unopar), em Porto Velho, com mais de mil lugares estava lotado. Três palestrantes traçaram um perfil sombrio sobre o uso de drogas e lamentaram a falta de políticas federais adequadas e realistas no combate ao tráfico e consumo no Brasil. Êxito de experiências na recuperação de dependentes químicos realizadas em São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Alagoas inspiram abordagens que podem ser adotadas em Rondônia.

O superintendente da Sepaz (Superintendência da Paz), Thiago Flores, agradeceu a parceria da Secretaria de Saúde (Sesau) e da Secretaria de educação (Seduc), “sem as quais não poderíamos realizar este evento que é o maior do Brasil (mais de mil participantes por dia), nesta semana nacional de enfrentamento às drogas”.

O primeiro palestrante da manhã foi Ronaldo Laranjeira, médico psiquiatra, coordenador da Unidade de Pesquisas em Álcool e Drogas na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que parabenizou a iniciativa do governador de Rondônia de unir as forças políticas, técnicas e sociais no enfrentamento às drogas e mostrou o programa ‘Recomeço’ que realiza um ciclo de tratamento e recuperação que tem reinserido dependentes químicos no convívio familiar, social e no mercado de trabalho.

Os passos seguidos no ‘Recomeço’ são: Rua do recomeço, com a entrada do paciente em ambiente pacificado; Cratod (Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas), que realiza ações básicas de higiene e de elevação da autoestima; Desintoxicação em instituições da rede hospitalar; Comunidades terapêuticas, que são ambientes rurais em várias cidades do interior; Família, com a capacitação dos entes próximos; Reinserção social e, por fim, Selo social onde o ex-dependente, já recuperado, aprende uma profissão e ingressa no mercado de trabalho. “A recuperação total é o objetivo do Recomeço”, afirma Ronaldo Laranjeira.

Clóves Benevides, presidente nacional do Fórum de Gestores da Política sobre Drogas e secretário adjunto de prevenção à violência do estado de Alagoas, falou dos vazios na legislação brasileira no combate às drogas. “As políticas para serem efetivas precisam cuidar do interesse das pessoas, que são uma boa saúde, a qualidade de vida, a segurança, é o sentido de cidadania plena”. Benevides informa que há no Brasil um debate que já passa de 20 anos, sobre a prevenção e combate às drogas “e até hoje não temos uma legislação consistente e madura”.

Clóves diz que a desconstrução da cadeia de dependência química depende leis que facilitem o financiamento de ações e campanhas a fim de gerar programas que perdurem por décadas e citou legislações que considera insuficientes como a Lei 10216/01 (área da saúde); LOAS 8742/93 e PNAS/04 (assistência social) e Lei 11343/06 que cria e regulamenta a Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas (Senad) e o Fundo Nacional Antidrogas (Funad) do Ministério da Justiça (MJ).

A última palestra da manhã foi proferida por Denis Petuco, cientista social, doutor em ciências Sociais pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz-RJ), que se declarou ex-dependente químico, com o uso de álcool e cocaína, e que em 1991 procurou ajuda em instituições públicas e não encontrou. Recuperado cursou o ensino regular e fez doutorado na área social (justamente a que buscou), passou então a fazer palestras em todo o Brasil em que desmistifica o dependente químico e defende a humanização do atendimento.

Petuco afirma que “estamos saindo desse vazio histórico na assistência social no Brasil, mas há uma verdadeira epidemia de crack e para dar conta do problema precisamos construir uma rede de atendimento e regulamentar as comunidades terapêuticas”. O cientista informa que o Brasil não tem um programa de proteção a testemunhas, agentes e militantes políticos e a crianças em risco (equivalentes ao que há nos EUA). Segundo Denis, a maior causa de morte dos usuários de drogas não é overdose ou doenças, mas o assassinato que é precedido de ameaças.

A coordenadora do evento, Carla Mangabeira, psicóloga e diretora executiva da Sepaz, informa que o evento nacional ‘Semana de enfrentamento ao uso de álcool e outras drogas’, está na sua quarta edição em Rondônia. “Este ano foi feita uma parceria entre a Sepaz, a Sesau e a Seduc, para que a gente trouxesse informações para professores, pais, redes de assistência à saúde e social, área de segurança pública e demais técnicos, o que torna este momento extremamente importante pois teremos a troca de conhecimentos e saber como essa temática é abordada em outros estados”.

Mangabeira lembra que a Sepaz faz parte do Fórum Nacional de Gestores de Políticas sobre Drogas e tem trabalhos em parceria visando a prevenção e o tratamento de dependentes químicos.

Williames Pimentel, secretário da Sesau, diz que o enfrentamento das drogas já vem sendo realizado desde o primeiro mandato do governador Confúcio Moura. “Não é à toa que a Sepaz foi criada copiando o modelo exitoso do estado de Alagoas”. Pimentel enfatizou que os palestrantes trazidos para o evento em 2015 são os maiores especialistas na área atualmente no Brasil. “Somos responsáveis pela sanidade e saúde da população e acredito que devemos prevenir o uso de drogas por adolescentes de 10 a 17 anos, para que no futuro, não tenhamos que tratar e recuperar possíveis vulneráveis dependentes de drogas”.

Fonte - DECOM

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