O QUE É VAIDADE?

Talvez fosse pela introjeção que o indivíduo ao se observar narcisicamente tem como seu eixo principal de identificação com o mundo a imagem de sua própria estrutura biológica.
Sabado, 20 de Junho de 2015 - 08:12

Há mais de dois milênios por geração a geração o homem tem demonstrado o poder negativo que a vaidade é capaz de gerar dentro de uma sociedade. Talvez fosse pela introjeção que o indivíduo ao se observar narcisicamente tem como seu eixo principal de identificação com o mundo a imagem de sua própria estrutura biológica.

Vaidade está além da capacidade de identificação com seu espectro corporal, é uma identificação acentuada dos componentes instintivos e egoicos que movem o indivíduo na direção de sua autoestima.

Quando alguém concentra em uma atividade exclusiva de sua psique o seu deslocamento fica comprometido, porque a vaidade egoica que é capaz de reter o foco e a atenção de quem percebe internamente a vida como seu ponto de partida e destino não tornando capaz de estabelecer um vínculo mais descritivo e direto com o ambiente pelo qual o sentido do deslocamento é sua necessidade primária de direcionamento.

A comunicação dentro deste contexto de vaidade egoica transfere o canal para entes internos em que o processo de identificação se fusiona a uma acústica de isolamento externo em que o que apenas faz sentido é a retenção psíquica do que já foi validado e percebido.

A temporalidade na afetação da vaidade condiciona o indivíduo à busca objetal por elementos de sua instância primária e secundária em um processo de interiorização contínua e um desmerecimento do que é apreendido correntemente do movimento contínuo da existência temporal.

Envaidecer é desapegar-se do mundo objetal externo, para investir em si mesmo e por si mesmo, em que as noções de partilha e permuta sensorial ficam comprometidas do vínculo interativo com outros seres ou objetos.

A falha do processo de comunicação é o principal complicador que torna a pessoa não reativa no processo evolutivo do ambiente, tornando-a presa fácil da práxis do desequilíbrio sistêmico não homeostático.

O ego tem um importante papel de economia, em que torna o processo de consulta do constituinte psíquico como uma ferramenta-modalidade eficaz na retenção do percebido que denota algo do mundo exterior que é interessante condensar dentro de si por um despertar do interesse fusional de uma libido condiciona a uma estrutura de princípios de prazer.

O ato de envaidecer é uma estrutura viciantemente prazerosa que retira o investimento do mundo a sua volta para fazer de você um mero recorrente de formas conscientes já validadas em que seu desejo primitivo ou primário se ancora no despertar de forças concentradas no inconsciente que ao estabelecerem o vínculo consciente revivem os acondicionamentos que tanto fazem o despertar da libido pontos de satisfação que devem ser perseguidos.

A dificuldade deste vício da instância do prazer está no relacionamento do mundo externo que vai ficando renegado de novas permutas de conhecimento, em que o quadro de afetação do indivíduo o faz perder o interesse por outros seres e também por outras escolhas de interação com o contexto a sua volta.

Eclesiastes 1

1 Palavras do pregador, filho de Davi, rei em Jerusalém.

2 Vaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade de vaidades! Tudo é vaidade.

3 Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, que faz debaixo do sol?

4 Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece.

5 Nasce o sol, e o sol se põe, e apressa-se e volta ao seu lugar de onde nasceu.

6 O vento vai para o sul, e faz o seu giro para o norte; continuamente vai girando o vento, e volta fazendo os seus circuitos.

7 Todos os rios vão para o mar, e contudo o mar não se enche; ao lugar para onde os rios vão, para ali tornam eles a correr.

8 Todas as coisas são trabalhosas; o homem não o pode exprimir; os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos se enchem de ouvir.

9 O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol.

10 Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Já foi nos séculos passados, que foram antes de nós.

11 Já não há lembrança das coisas que precederam, e das coisas que hão de ser também delas não haverá lembrança, entre os que hão de vir depois.

12 Eu, o pregador, fui rei sobre Israel em Jerusalém.

13 E apliquei o meu coração a esquadrinhar, e a informar-me com sabedoria de tudo quanto sucede debaixo do céu; esta enfadonha ocupação deu Deus aos filhos dos homens, para nela os exercitar.

14 Atentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito.

15 Aquilo que é torto não se pode endireitar; aquilo que falta não se pode calcular.

16 Falei eu com o meu coração, dizendo: Eis que eu me engrandeci, e sobrepujei em sabedoria a todos os que houve antes de mim em Jerusalém; e o meu coração contemplou abundantemente a sabedoria e o conhecimento.

17 E apliquei o meu coração a conhecer a sabedoria e a conhecer os desvarios e as loucuras, e vim a saber que também isto era aflição de espírito.

18 Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta em conhecimento, aumenta em dor.

A escolha objetal de Davi era focar sobre o apego ao mundo contido dentro de si, onde a percepção do ambiente estava cravada como uma sepultura dentro do indivíduo que ao não mais perceber o “algo novo” recorria à ilusão de si mesmo como uma instância máxima de sua existência.

O usufruir do que está disposto no ambiente-contexto é uma escolha objetal externa distante do ser que envaidece, porque ao envaidecer ele concentra dentro de si todas as instâncias já possuídas, e não a associação com a estrutura-ambiente em que seus processos de deslocamento, comunicabilidade e temporalidade se apoiam.

Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, que faz debaixo do sol?

O identificar constante de si mesmo afeta a temporalidade que não permite ao homem transacionar-se perante o ambiente.

Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece

O mundo contínuo em suas transformações perde o seu significado porque as pessoas regadas de vaidade tornam suas vidas singulares estruturas de isolamento sensorial e enquanto o ambiente se projeta nada é percebido de fato.

Nasce o sol, e o sol se põe, e apressa-se e volta ao seu lugar de onde nasceu.

O vento vai para o sul, e faz o seu giro para o norte; continuamente vai girando o vento, e volta fazendo os seus circuitos.

Então o fato da mera recorrência é suficiente para que o homem se feche em si mesmo para justificar seu isolamento para com o mundo. A presunção de estar integrado com o todo tira o livre arbítrio do indivíduo que passa a envaidecer-se no excessivo olhar interno de si mesmo.

Todos os rios vão para o mar, e contudo o mar não se enche; ao lugar para onde os rios vão, para ali tornam eles a correr.

Porém nem tudo é fato de se estar interiorizado, sempre haverá novas coisas a formar o elo entre o psíquico e o somático extraído do ambiente.

Todas as coisas são trabalhosas; o homem não o pode exprimir; os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos se enchem de ouvir.

Os padrões de comportamento abastecem a vaidade em sua forma da não observação do espectro ambiental.

O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol.

E tais padrões ressaltam sobre a mente de quem conspira a favor da vaidade a sensação de perda da temporalidade em relação ao mundo.

Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Já foi nos séculos passados, que foram antes de nós.

Porém o espectro externo que compõe o mundo é tão variado que é impossível consolidar internamente todos os seus aspectos dentro da memória.

Já não há lembrança das coisas que precederam, e das coisas que hão de ser também delas não haverá lembrança, entre os que hão de vir depois.

A sabedoria está em identificar-se com o mundo, e trazer o alvo de sua identificação para dentro de si, para envaidecer-se apenas quando é necessário recorrer ao aprendizado para constituir uma métrica de comparação com o novo que continuamente é percebido pelo espectro do ambiente, para fazer deste uma nova concepção de volúpia, onde o prazer está centrado em conotar as apreensões em escalas e acordes musicais de uma contínua composição de prazer que não tem fim. Isolar-se jamais.

Fonte - Max Diniz Cruzeiro

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