PORTO VELHO: A CAPITAL DAS OBRAS PARADAS

Nenhum dos poderes p鷅licos escapa: Prefeitura, Governo do Estado ou Governo Federal t阭 obras abandonadas na Capital de Rond鬾ia.
Sexta-Feira, 19 de Junho de 2015 - 09:47

Felipe Corona
Especial para o News Rondônia
fotos: Júlio Malta

A situação é triste, mas real. A constatação não é feita apenas pela imprensa rondoniense, mas por toda a população de Porto Velho que sofre na pele todos os dias os efeitos das obras paradas, mas não concluídas por toda a cidade. Nenhum dos poderes públicos escapa: Prefeitura, Governo do Estado ou Governo Federal têm obras abandonadas na Capital de Rondônia.

Um desses exemplos é o condomínio Residencial Cidade de Todos 9, um complexo de 240 apartamentos populares construídos na zona Leste de Porto Velho.

Construído por meio de uma parceria entre a Caixa Econômica Federal e Prefeitura de Porto Velho com financiamento do Governo Federal no programa Minha Casa, Minha Vida, o condomínio está pronto há mais de um ano, porém o numero de moradores ainda é zero.

Dentro do prédio, um vigilante contratado pela empresa responsável pela construção da obra toma conta da área. De acordo com ele, que pediu para não ser identificado, o grande medo dos responsáveis pelo empreendimento que aguardam uma resolução com a Caixa Econômica Federal para liberar o as moradias é a ação de invasores. “Estamos aqui para proteger a área. Nossa ordem é impedir que qualquer pessoa entre nesse local, inclusive para evitar que saqueiem os apartamentos”.

Assim como esse, ainda há outros três, em condições piores e já invadidos por pessoas que alegam não ter para onde ir. O primeiro deles fica no bairro Santa Bárbara, o outro já desocupado por ordem judicial, na Rua Três e Meio, bairro Areal da Floresta, zona Sul de Porto Velho. O terceiro e último, na Avenida José Vieira Caúla, bairro Igarapé, zona Leste. Um total de pelo menos 700 moradias sem prazo certo para serem entregues para as famílias da cidade.

Quando não servem para os usuários de drogas, viram abrigo para quem não tem condições de pagar aluguel. “Vim de São Luís para trabalhar nas usinas. Consegui um emprego em Jirau, fiquei lá um tempo e consegui trazer minha família. Mas com a crise, fui demitido. As coisas começaram a ficar apertadas e fiquei entre alimentar minha família ou pagar aluguel. Decidir arriscar e vir pra cá. Com muito custo, consegui um apartamento. Precário, com gambiarras de água e energia, mas é melhor do que dormir na rua com minha mulher e três filhos”, disse o pedreiro Joaquim da Silva, de 41 anos, que vive em um apartamento inacabado no residencial com obras paradas há mais de cinco anos, no bairro Santa Bárbara, zona Central de Porto Velho.

De acordo com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Porto Velho, as obras dos condomínios Floresta I e II serão retomados ainda este ano. Já os outros, ainda necessitam de uma avaliação da Secretaria Municipal de Habitação e Urbanização (Semur) e da Secretaria Municipal de Obras e Projetos Especiais (Sempre), já que foram utilizados recursos federais do programa Minha Casa, Minha Vida.

Elevados ou viadutos parados

Os elevados, que pessoas públicas insistem em chamar de viadutos, merecem um capítulo negro especial nessa novela ou filme de ficção que tomou conta do trânsito porto-velhense, onde há mais ilusões do que realidade. 

Em março, o News Rondônia fez uma reportagem sobre as obras viárias paradas. De lá pra cá, nada mudou. Até o momento, o que se viu foi apenas a retirada de alguns pedaços de concreto no Trevo do Roque, instalação de um trecho de aproximadamente 400 metros de guard rail (barreira de alumínio) e um breve serviço de modificação na rede elétrica na região.

De acordo com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), o serviço começou há um mês, pela drenagem na BR-364.

As obras foram divididas em 12 etapas. A primeira parte já foi autorizada por Brasília e inicia-se com a drenagem, seguido de terraplanagem e asfáltica de quatro quilômetros. As outras etapas só podem ser executadas depois que Brasília autorizar.

Segundo Alan Oliveira, superintendente adjunto do DNIT em Rondônia, as outras etapas já estão em análise. "Estamos iniciando pela drenagem porque foi o projeto que foi inicialmente aprovado, mas as outras etapas do projeto já estão em análise em Brasília. A empresa ainda está executando a parte dos viadutos em relação ao projeto", afirmou Alan.

O contrato foi feito com um consórcio de três empresas e elas estão desde setembro do ano passado realizando projetos e estudos técnicos da área. Pelo contrato, o prazo de conclusão é maio de 2016. "É necessário reavaliar tudo aquilo que foi feito e que precisa fazer. 

Em 2009, foi dada a primeira ordem de serviço, mas até a data atual, nada foi concluído, mas a promessa é que, para o próximo ano, os viadutos sejam entregues.

Espaço Alternativo

Outra pedra no sapato do governador Confúcio Moura é a obra paralisada pela Justiça do Espaço Alternativo, após investigação do Ministério Público Estadual, que resultou na Operação Ludus que apontou fortes indícios de superfaturamento.

A ação resultou na prisão de aliados políticos de Confúcio, como o deputado federal e ex-diretor-presidente do DER e Deosp, Lúcio Mosquini (PMDB), o secretário estadual de Finanças, Gilvan Ramos, e o prefeito afastado de Ouro Preto, Alex Testoni. A obra custaria no total 22 milhões de reais, onde aproximadamente 7 milhões já teriam sido pagas a empresas ligadas diretamente a Lúcio Mosquini e Alex Testoni.

O complexo esportivo e de lazer teria pistas de corrida, ciclovias, pistas de caminhada, área de descanso, academias de ginástica ao ar livre e quiosques. A pista de caminhada no canteiro central previa passarelas que passariam por cima dos retornos de veículos.

Até o momento, não há previsão para retomada das obras e muito menos, a devolução dos recursos públicos supostamente desviados para beneficiar os acusados. Em contrapartida, o local tem virado ponto de encontro de jovens e adolescentes para bebedeiras, rodas de narguilé, rachas e até mesmo, shows de strip tease de meninas entre 15 a 17 anos, como já circularam diversas imagens em grupos de WhatsApp.

Rodoviária

Banheiros fétidos, casa de pombos, cadeiras desconfortáveis, prédio velho e sujo. Essas são as palavras mais comuns ditas pelos usuários da rodoviária (?) de Porto Velho. Uma das principais portas de entrada da Capital do estado é aquela que mais recebe reclamações.

“Uma das piores rodoviárias que já vi na minha vida. Eu que viajo bastante para outros estados e cidades do interior, não tenho dúvida em dizer isso. Eu, que não moro aqui, sinto vergonha pelos porto-velhenses que recebem mal seus visitantes. A primeira impressão que fica é que a cidade é abandonada, igual a rodoviária”, desabafou a representante de vendas Érica Cunha, de 30 anos, moradora de Vilhena.

Segundo a assessoria da imprensa da Prefeitura, o Executivo municipal e o Governo de Rondônia buscam uma alternativa para construir uma nova rodoviária para Porto Velho. Uma reunião com esse objetivo foi realizada na tarde da segunda-feira (08).

O contou com participação de secretários e técnicos tanto do Município quanto do Estado, além do prefeito Mauro Nazif. Dois pontos principais preocupam as autoridades: um local apropriado para construção da nova rodoviária e a situação das pessoas que vivem no entorno da atual estrutura de onde tiram o seu sustento.

Uma das sugestões apresentadas durante a reunião seria transformar a estrutura em um terminal de integração para o transporte coletivo da cidade, mas nada ainda está definido. Os representantes do Governo afirmaram que o Estado tem interesse em construir a nova rodoviária para que possa atender a Capital não somente agora, mas também para os próximos 30 a 50 anos.

Até existe verba para o início das obras o mais rápido possível, mas falta o terreno. Segundo Waldemar Albuquerque, chefe de gabinete de Confúcio Moura, o Governo precisa de um lote de oito hectares para levantar a obra de 9 mil metros quadrados de área construída. De acordo com ele, uma rodoviária desse porte seria suficiente para atender 1.500 passageiros ao dia.

Uma nova reunião será realizada entre os técnicos para definir o local e tratar de outras providências, em data a ser agendada.

Praça do Santo Antônio

A obra já está paralisada há pelo menos cinco anos. Os moradores do Conjunto Santo Antônio, zona Oeste de Porto Velho, sabem de cor as principais queixas: limpeza, infraestrutura e a conclusão da obra da praça.

A Prefeitura de Porto Velho informou ao News Rondônia que ainda esta semana as obras da praça do conjunto Santo Antônio serão retomadas, já que ela está incluída no cronograma de revitalização das praças da cidade. O prazo para entrega é até o final do ano.

Estrada do Belmont

A realidade todos os moradores do bairro Nacional, também na zona Oeste, já conhecem: lama, no período chuvoso, poeira, na seca, além de muitos buracos e rachaduras nas casas. O motivo é o tráfego intenso de carretas que transportam combustíveis e outros produtos pela estada do Belmont.

Tanto que a via já foi bloqueada por diversas vezes somente neste ano para protestar por melhores condições de trânsito.

Segundo o Departamento de Estradas e Rodagens de Rondônia (DER), ainda não há projeto para a estrada e a meta é retomar o asfaltamento que havia sido iniciado no ano de 2014, antes da estrada ficar submersa pelo Rio Madeira.

Iluminação da ponte

Transitar na ponte sobre o Rio Madeira virou uma ação de risco aliada ao cuidado por conta da escuridão no local. “Nossas missas eram das 18 às 19 horas. Com o risco que ronda a ponte com a escuridão, tivemos que mudar o horário para às 17 horas. As pessoas que moram na margem da cidade, que vão para a missa, voltam correndo com medo de serem assaltadas. Então, diante disso, a mudança”, disse a professora Silvia Ivone.

Andar com o farol desligado, nem pensar. O breu toma conta de toda a pista, que só é clareada pelas lâmpadas de motos e carros.


foto: portalrondonia e g1

Segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), a escuridão pode ter data para acabar, já que o órgão recebeu um projeto de iluminação feito pela Federação de Comércio de Rondônia (Fecomércio). “É um projeto de iluminação com células fotovoltaicas, alimentadas por energia solar. Já encaminhamos o projeto para Brasília, mas como se trata de um projeto doado, ele tem que passar por uma análise e fazermos um termo de cooperação com a Fecomércio. O processo já voltou de Brasília, e agora, vamos fazer toda a parte jurídica aqui”, falou Alan Lacerda, superintendente adjunto do DNIT em Rondônia.

Mesmo assim, o orçamento para a obra ainda não está garantido. “Quando fecharmos o projeto, saberemos o tamanho do recurso a ser utilizado. Só aí, faremos a solicitação ao Ministério do Planejamento para que libere o dinheiro e daí, façamos a licitação. Digamos que imediatamente o recurso seja liberado para a nossa superintendência logo, aí poderemos mandar em até três meses a licitação para a praça”, apontou Alan Lacerda.

Fonte - NewsRond鬾ia

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