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Terça-Feira, 01 de Dezembro de 2020

INTERVENÇÃO NO SEBRAE DE RONDÔNIA CHEGA A UM ANO E QUATRO MESES E PARALISA ECONOMIA

Para o consultor, pelo tempo já decorrido, o órgão já deveria estar funcionando normalmente. “O Sebrae, instituição única em todo o planeta, com reconhecida capacidade e competência para lidar com as dificuldades dos microempreendedores, poderia estar no comando de uma operação de resgate.
Quarta-Feira, 17 de Junho de 2015 - 10:04

Felipe Corona*
Especial para o News Rondônia

Já não bastassem os impostos e a burocracia que acaba com milhares de empregos e empresas, é fato que no Brasil ser dono de um pequeno negócio não é das tarefas mais fáceis. Há uma instituição criada há mais de 40 anos que facilitaria a vida do micro ou pequeno empresário, que é o Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae).

Ela aconteceu por conta da Operação Feudo, realizada em dezembro de 2013. A ação policial teve como objetivo desmontar uma suposta organização criminosa, que estaria cometendo fraudes e desvio de recursos na instituição. A Justiça não estaria conseguindo obter informações e documentos para dar corpo às investigações. Fora, portanto, uma ação de força para dar curso a um conjunto de investigações sob o comando da Controladoria Geral da União (CGU), com o apoio do Ministério Público de Rondônia (CAEX/Gaeco), tendo como força policial agentes da Polícia Rodoviária Federal.

O cenário, que já era ruim, se transformou em péssimo, quando ficou clara a incapacidade de gerenciamento da crise por parte do Conselho Deliberativo Estadual. Isto obrigou o Sebrae Nacional a fazer um gesto duro e difícil em todos os aspectos. O caso é único em toda a história de 40 anos da instituição no país. 

Um grupo de funcionários e empresários presos durante essa operação está solto por ordem da Justiça há alguns meses. Um verdadeiro batalhão de funcionários graduados do Sebrae Nacional, em conjunto com auditores independentes, fizeram uma verdadeira devassa em todas as operações da instituição em Rondônia. Cada funcionário da casa foi inquirido individualmente, até com certo respeito, mas seguindo a diligência minuciosa estabelecida como princípio para o mapeamento de todas as atividades.

O News Rondônia teve acesso a informação de que o comando do grupo de intervenção ficou bastante bem impressionado com o trabalho que é desenvolvido pelos seus pares em Rondônia. O grosso do trabalho foi finalizado e relatórios conclusivos já foram enviados às diversas instâncias do Sebrae Nacional. O problema nisso tudo é a demora na tomada de decisões, já que a intervenção acabaria em dezembro do ano passado. Passados seis meses do prazo fixado, nada mudou.

Uma funcionária do Sebrae, que pediu para não ter a identidade revelada por questões óbvias, explicou como é a rotina dentro da Superintendência de Rondônia. “Somos vigiados a todo momento. Se uma pessoa vem participar de algum evento, audiência ou até mesmo atendimento pelos técnicos do Sebrae, é verificado realmente o que vai fazer. A identidade é checada e a pessoa só entra se estiver tudo confirmado. Os seguranças verificam se o visitante foi mesmo até o setor dito. Vivemos uma verdadeira devassa nas nossas atividades, o que até certo ponto é certo, mas muitos problemas foram cometidos pelos altos dirigentes do órgão”, disse ela.

Economia travada

Em Rondônia, mais especialmente em Porto Velho, a recuperação da economia deve demorar mais. Com 98% dos 44 mil negócios do município centrados nas mãos de microempreendedores e empreendedores individuais urbanos e rurais, a economia ainda abatida pelas enchentes agoniza pela inoperância da instituição praticamente fechada, agravada pela paralisação dos dirigentes empresariais e a total negligência da classe política.

Segundo o economista João Menezes, consultor de uma empresa privada, o problema da intervenção do Sebrae é a lentidão. “É preciso dar mais velocidade ao processo, pois todas as atividades da instituição foram paralisadas. Apesar disso, não há qualquer sinal de que a instituição vai retomar seu ritmo e iniciar a volta à normalidade jurídica e institucional. Hoje, os danos políticos e institucionais estão consolidados, mas continuam fortemente presentes. Com esse quadro bastante grave e com o desastre humanitário e econômico provocado pelas enchentes do Rio Madeira, a paralisia do Sebrae se consolida como a situação mais grave da tragédia, pois a esmagadora maioria dos milhares de empreendedores rurais e urbanos atingidos, estão classificados como individuais ou micro. Os desdobramentos têm enormes danos à economia de Porto Velho e de Rondônia. Em todo o estado, os proprietários rurais afetados se aproxima dos 10 mil e os urbanos já ultrapassaram os 3 mil nos municípios e distritos diretamente afetados”.

Para o consultor, pelo tempo já decorrido, o órgão já deveria estar funcionando normalmente. “O Sebrae, instituição única em todo o planeta, com reconhecida capacidade e competência para lidar com as dificuldades dos microempreendedores, poderia estar no comando de uma operação de resgate. Ele já deveria ter voltado à normalidade, com a eleição de um novo Conselho Deliberativo, que teria como prioridade a convocação de eleição para uma nova diretoria executiva. Mas está paralisado pelos dirigentes locais, pela inoperância e insensibilidade dos governantes e toda a classe política e, mais especialmente, pela passividade das instituições que têm assento no Conselho Deliberativo do Sebrae de Rondônia. Todos, indistintamente, assistem à tragédia anunciada desde dezembro de 2013, sem mover um dedo”.

Para Marcos Rogério, a medida causa prejuízo para economia do estado já que boa parte das atividades está paralisada. “Essa situação tem gerado prejuízo para Rondônia, especialmente para o microempreendedor. Todos nós reconhecemos a importância que o Sebrae tem na preparação desses empreendimentos e no estímulo para economia dos municípios brasileiros, especialmente os municípios do interior, através da preparação técnica que oferece. A apuração das denúncias já aconteceu e aqueles considerados culpados já foram afastados, mas prejudicar o Sebrae de Rondônia com uma medida desproporcional como a que está acontecendo, é algo que tem que ser analisado. Faço este apelo em nome de instituições importantes do estado de Rondônia como a Facer, a Fecomércio e associações comerciais. Que haja logo uma nova eleição, e consequentemente, voltem às atividades normais do Sebrae. A diretoria nacional precisa olhar para essa situação com o cuidado que a mesma requer. É um apelo para o bom senso para aqueles que têm a prerrogativa de escolher os novos representantes. Que seja escolhido alguém que tenha compromisso com o estado de Rondônia, compromisso com a instituição e que acima de tudo, tenha compromisso com o empreendedor do estado”.

Silêncio

O News Rondônia entrou contato com o Sebrae Nacional em Brasília (DF) sobre os  prazos e saber quando acabaria a intervenção federal na unidade de Rondônia, além de outras questões, mas até o fechamento desta matéria, ninguém retornou nosso pedido de resposta.

*Com a colaboração do jornalista Francisco Costa.

Fonte - NEWSRONDONIA

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