MULHER DIZ QUE MARIDO FICOU CEGO AP覵 SER MEDICADO NA UPA DA CIDADE DO POVO

Eu n鉶 sabia mais o que fazer. Se eu levasse meu marido para a UPA de novo, eles iam dar mais Capitopril e ele ia piorar, ent鉶 resolvi cuidar dele sozinha.
Quarta-Feira, 10 de Junho de 2015 - 10:13

Uma grave denúncia pode colocar em xeque os serviços de medicação oferecidos na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Cidade do Povo, em Rio Branco, capital do Acre. Jeane Xavier da Silva, autônoma, afirma que o esposo, o auxiliar de retífica Francisco da Silva Azevedo, de 45 anos, ficou cego após receber atendimento médico e ter sido medicado nas dependências do centro de saúde.

A mulher conta que o esposo estava com fortes dores de cabeça e, preocupada com a saúde de Francisco, resolveu levá-lo até a UPA. Lá, após aguardar considerável tempo, foi atendida por um médico que, ao perceber que o homem estava com a pressão arterial muita alta, prescreveu que o paciente fosse medicado com o Captopril [remédio utilizado para diminuir a pressão alta e no tratamento da insuficiência cardíaca, dilatando os vasos sanguíneos].

“O médico receitou esse Capitopril, mas não demorou muito depois que o meu marido tomou e ele começou a inchar todo. Ele inchou muito. Eu fiquei muito preocupada, porque a pressão dele não estava baixando e ele continuava inchando bastante. Quando a gente chegou lá, o médico viu logo que era isso, e falou que ele precisava tomar esse remédio para poder melhorar, mas não adiantou nada”, afirmou.

Tempos depois, conta a mulher, o casal resolveu voltar à UPA e lá acabaram sendo atendidos por uma médica, que, segundo prontuário hospitalar, chama-se Thais Prado Pacífico. Ela, segundo Jeane, foi informada sobre o não efeito do medicamento, e da reação não esperada, mesmo assim, teria dito a médica que “ou aplicava mais Capitopril, ou o meu marido morria”, conta a esposa de Franscisco.

Ainda preocupada, e tendo o marido tomado mais doses do medicamento, Jeane procurou o Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (HUERB), no Bairro Bosque, em busca de socorro. Mas lá, após fazer todos os exames solicitados por um dos plantonistas, o médico que analisou os exames não quis informar os motivos da reação.

“Quando eu levei os exames para o médico, ele disse que não ia se responsabilizar por nada e que eu teria que voltar para a UPA aqui da Cidade do Povo para que o primeiro médico que me atendeu dissesse o que eu tinha. Eu naquele dia estava muito mal, de verdade, e não sei como resisti. Eu estava tão inchado que minha pele começou a partir e eu sentia muita dor na cabeça”, contou o paciente, que se diz humilhado diante da situação, pois teve de voltar para o outro hospital doente, apenas acompanhado pela esposa Jeane.

Ao retornar deixar o HUERB, Jeane conta que resolveu cuidar sozinha do esposo. “Eu não sabia mais o que fazer. Se eu levasse meu marido para a UPA de novo, eles iam dar mais Capitopril e ele ia piorar, então resolvi cuidar dele sozinha. A pressão dele baixou, mas com os dias passado, a pele dele começou a descascar e ficou tudo cheio de bolhas. As costas dele, as pernas, tudo!”, dia a mulher.

“A gente foi lá na UPA e nós mostramos para o médico, o doutor Neemias, todos os exames. Ele olhou e nos deu um laudo dizendo que meu marido tinha sido intoxicado de tanto Capitopril que ele tomou. Agora, ele não pode mais tomar nada desse remédio porque ele corre risco de morte. Além disso, ele ficou cego, o olho dele estourou e ele já não enxerga mais nada. Ele nem pode mais trabalhar. Eu preciso de ajuda e ninguém quer ajudar”, lamenta a esposa.

Jeane contou à reportagem que já procurou a Secretaria de Estado de Saúde [SESACRE], mas lá, foi solicitado um prazo de 15 dias para que o problema fosse apurado, mas até esta segunda-feira, dia 08 de junho, o problema ainda não havia sido esclarecido. “Eu fui na Sesacre, me atenderam bem. Lá falei com o pessoal da Ouvidoria, e eles me deram 15 dias de prazo. Agora, quase dois meses depois, eu liguei, porque ‘tava’ demorando muito, e a mulher me disse para não ficar ligando, porque quando eles tivesse uma resposta, eles iam me ligar. Vou acionar um advogado e vou processar o Estado”, ameaça a mulher.

Segundo a mulher, foi um médico do 4º Batalhão de Infantaria de Selva, o 4º BIS, que laudou o caso do auxiliar de retífica Francisco Azevedo. “Graças ao doutor Neemias, meu marido está sendo medicado direitinho. Esse médico foi um enviado de Deus. Ele já comprou remédio do bolso dele só para nos ajudar. Isso sim é ser médico. Ele não quis saber de nada; ele só se preocupou em ajudar o meu marido e tratar dele. Ele deu uma série de medicamentos para meu marido tomar todo dia e ser desintoxicado”, lembra Jeane.

Procurada, a Sesacre não deu detalhes sobre o caso, mas afirmou que a Ouvidoria do órgão foi informada sobre as afirmações e já está apurando o que teria ocorrido durante o atendimento do paciente. A Secretaria deixou claro que os responsáveis serão punidos caso percebida negligencia dos profissionais. “Medidas cabíveis serão adotadas, caso seja comprovado erro de conduta de qualquer servidor das unidades de saúde pelas quais o paciente foi atendido”, diz a nota encaminhada ao ac24horas

Fonte - AC24HORAS

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