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Segunda-Feira, 23 de Novembro de 2020

FINANCIAMENTO EMPRESARIAL APROVADO PELA CÂMARA

Esse tipo de ‘ajuda de custo’, a realidade mostrou, fomenta a corrupção e segrega o poder em favor dos mais ricos.
Sexta-Feira, 05 de Junho de 2015 - 09:36

Por Gabriel Bocorny Guidotti

Na última semana, a Câmara dos Deputados conseguiu uma façanha: primeiro rejeitou e depois incluiu, na Constituição, o financiamento privado de campanhas. Tudo de um dia para o outro. O que era uma das principais reivindicações da reforma política agora está oficializado, em vez de diminuído. Pelo menos na visão da Casa. Em torno da votação, polêmicas e discussões partidárias. No fim das contas, são justamente os partidos os maiores beneficiados.

Esse tipo de ‘ajuda de custo’, a realidade mostrou, fomenta a corrupção e segrega o poder em favor dos mais ricos. A proposta permite, como regra, a doação de empresas privadas a partidos. No dia anterior, a Casa negou iniciativa semelhante, com a diferença que os partidos e candidatos poderiam receber contribuições empresariais. A partir da votação, a prerrogativa passa a ser apenas das legendas.

Partidos que se opunham ao projeto não ficaram calados. Um grupo de 60 deputados foi ao Supremo Tribunal Federal (STF) para impetrar mandado de segurança contra a decisão. A peça demanda a suspensão da votação até o julgamento do mérito. Cunha, no Twitter, qualificou como “choro” a provocação do STF. “Acho muito engraçado comprarem versão de grupo contrariado com a derrota de plenário de que houve manobra de votação da minha parte”, escreveu.

Segundo ele, havia quatro emendas e se votou a de maior conteúdo primeiro. Opositores dizem que não foi tão simples assim. Supostamente, havia um acordo para que, apreciado o primeiro projeto, os outros não seriam votados. Independentemente qual seja a verdade, quem sai prejudicado é o povo. Os deputados não ponderaram a tragédia que a medida vai causar nas eleições. Os financiamentos privados deveriam acabar! Mas, se depender da Câmara, eles vão estar mais presentes que nunca.

Uma decisão perversa, portanto.  Em vez de diminuir a ingerência dos empresários na esfera pública, os deputados optaram por mantê-los de vez. A maré não seguia esta direção, mas a Câmara resolveu nadar contra ela. Um atentado à lisura do processo eleitoral. Um convite à formação de novos corruptos e corruptores. Nossas eleições estão míopes, alopradas e desvirtuadas. Com o dinheiro das empresas gozando de plena legalidade, a situação tende a permanecer assim. Aguardemos os próximos capítulos.

Fonte - Gabriel Bocorny Guidotti
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